{"id":904,"date":"2017-11-28T15:24:18","date_gmt":"2017-11-28T17:24:18","guid":{"rendered":"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=904"},"modified":"2019-09-05T15:09:27","modified_gmt":"2019-09-05T18:09:27","slug":"o-tratado-de-proibicao-de-armas-nucleares-e-a-posicao-do-brasil-na-area-nuclear","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ecen.com.br\/?page_id=904","title":{"rendered":"O Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares e a Posi\u00e7\u00e3o do Brasil na \u00c1rea Nuclear"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"904\" class=\"elementor elementor-904\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-section-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3b2d0252 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3b2d0252\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-2b2a9491\" data-id=\"2b2a9491\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3947fda8 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3947fda8\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p><span style=\"color: #808080;\"><strong><em><span style=\"color: #000000;\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-4 alignnone\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eee.jpg\" alt=\"\" width=\"116\" height=\"27\" data-wp-pid=\"4\" \/><\/span><br \/><\/em><span style=\"color: #000000;\">Economia e Energia &#8211; E&amp;E\u00a0 \u00a0 <\/span><\/strong><\/span><span style=\"color: #000000;\"><strong>N\u00ba 97, outubro a dezembro \u00a02017<br \/><\/strong>ISSN 1518-2932<\/span><\/p><h1><a name=\"_Toc499293197\"><\/a><a name=\"_Toc498982407\"><\/a><strong>O <\/strong><strong>TRATADO DE PROIBI\u00c7\u00c3O DE ARMAS NUCLEARES E A POSI\u00c7\u00c3O DO BRASIL NA \u00c1REA NUCLEAR<\/strong><\/h1><p style=\"text-align: right;\"><em>Carlos Feu Alvim<br \/><\/em><em>Olga Y. Mafra<br \/><\/em><em>Leonardo Paredes e<br \/><\/em><em>Leonam Guimar\u00e3es<\/em><\/p><p><a name=\"_Toc499293198\"><\/a><a name=\"_Toc498982408\"><\/a><em>Resumo<\/em><\/p><p>O Brasil assinou, atrav\u00e9s de ato do seu Presidente da Rep\u00fablica, em 20\/09\/2017 o \u201cTratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares\u201d TPAN (1) aprovado pela Assembleia Geral da ONU em 07 de Julho de 2017. A assinatura do Tratado provocou alguma inquietude sobre as poss\u00edveis liga\u00e7\u00f5es entre sua assinatura e a Ades\u00e3o ao Protocolo Adicional\u00a0(2) ao Acordo de Salvaguardas que o Brasil e Argentina mant\u00eam com a ABACC e AIEA (3). As poss\u00edveis implica\u00e7\u00f5es desse Tratado sobre a posi\u00e7\u00e3o brasileira a respeito da energia nuclear s\u00e3o aqui analisadas. Este artigo visa colaborar com a necess\u00e1ria discuss\u00e3o p\u00fablica que deve ser feita, patrocinada pelo Congresso Nacional, antes do Brasil ratificar o Tratado. Busca-se tamb\u00e9m saber se o Tratado contraria a determina\u00e7\u00e3o da Estrat\u00e9gia Nacional de Defesa\u00a0(4), pela qual o Brasil renunciou a adotar qualquer medida adicional na \u00e1rea de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o at\u00e9 que os pa\u00edses armados dessem um sinal efetivo de cumprirem suas declaradas inten\u00e7\u00f5es de caminhar no sentido do desarmamento.<\/p><p><a name=\"_Toc499293199\"><\/a><a name=\"_Toc498982409\"><\/a><em>Palavras Chave<\/em><\/p><p>Armas Nucleares, Protocolo Adicional, AIEA, Pol\u00edtica Nacional de Defesa, desarmamento, TPAN, ONU.<\/p><ol><li><a name=\"_Toc499293200\"><\/a><a name=\"_Toc498982410\"><\/a> <strong><em>Aprova\u00e7\u00e3o e Assinatura do Tratado<\/em><\/strong><\/li><\/ol><p>O \u201cTratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares\u201d foi aprovado por 122 pa\u00edses (5) com a absten\u00e7\u00e3o de Singapura e um \u00fanico voto contra da Holanda, que foi tamb\u00e9m o \u00fanico pa\u00eds da OTAN a comparecer e votar. A Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte se op\u00f4s explicitamente ao Tratado, recusando-se a participar da vota\u00e7\u00e3o e at\u00e9 das discuss\u00f5es preliminares. Vale lembrar que a Holanda armazena em seu territ\u00f3rio armas nucleares dos EUA sob o comando direto da OTAN.<\/p><p>Os outros pa\u00edses nuclearmente armados ou que compartilham armas nucleares optaram tamb\u00e9m por registrar sua oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o participando da discuss\u00e3o nem da vota\u00e7\u00e3o. Assim fizeram, Estados Unidos, R\u00fassia, China e todos os dotados de armas nucleares, inclusive a Coreia do Norte. B\u00e9lgica, It\u00e1lia, Alemanha e Turquia, que, al\u00e9m da j\u00e1 citada Holanda, armazenam armas nucleares em seus territ\u00f3rios. Tamb\u00e9m n\u00e3o se juntaram \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es, Jap\u00e3o e Cor\u00e9ia do Sul, fortemente dependentes do \u201cguarda-chuva\u201d nuclear americano. Entre os pa\u00edses da Europa Ocidental que votaram a favor, a \u00c1ustria destacou-se por participar da lideran\u00e7a do processo; tamb\u00e9m votaram sim a Su\u00ed\u00e7a, a Irlanda e a Su\u00e9cia, al\u00e9m da Santa S\u00e9.<\/p><p>V\u00e1rios aspectos sobre o Tratado e seu conte\u00fado est\u00e3o descritos no artigo publicado no site Defesanet.com.br \u201cA ONU aprova o Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares\u201d de Leonam Guimar\u00e3es (6).<\/p><p>Em uma declara\u00e7\u00e3o conjunta (7) divulgada no mesmo dia da aprova\u00e7\u00e3o do TPAN, as delega\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos, Reino Unido e Fran\u00e7a na ONU afirmaram que: &#8220;n\u00e3o participaram da negocia\u00e7\u00e3o do tratado e n\u00e3o pretendem assinar, ratificar ou tornar-se parte disso&#8221;. Diz ainda essa declara\u00e7\u00e3o que: &#8220;esta iniciativa ignora claramente as realidades do ambiente de seguran\u00e7a internacional\u201d e que &#8220;a ades\u00e3o ao tratado de proibi\u00e7\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a pol\u00edtica de dissuas\u00e3o nuclear, que tem sido essencial para manter a paz no mundo h\u00e1 mais de 70 anos&#8221;.<\/p><p><a href=\"http:\/\/www.un.org\/apps\/news\/story.asp?NewsID=57139#.WWFzY4TyvZ5\">Em resposta a perguntas sobre esta declara\u00e7\u00e3o conjunta<\/a>, a Embaixadora Whyte G\u00f3mez, Presidente da Conferencia, lembrou que, quando o TNP foi aprovado, h\u00e1 duas d\u00e9cadas, n\u00e3o houve tamb\u00e9m, a princ\u00edpio, um grande n\u00famero de ades\u00f5es. Em 1995, aquele Tratado foi prorrogado indefinidamente e um total de 191 Estados aderiram ao TNP. Note-se que a Cor\u00e9ia do Norte foi o \u00fanico pa\u00eds que aderiu \u00e0quele Tratado, mas que posteriormente o abandonou.<\/p><p>O TPAN contou com a ades\u00e3o de 122 entre os 193 pa\u00edses membros da ONU obtendo assim 63% dos votos. Esses pa\u00edses representam 38% do total da popula\u00e7\u00e3o mundial e ocupam 43% da superf\u00edcie terrestre do Globo. J\u00e1 do ponto de vista de riqueza, esses pa\u00edses representam s\u00f3 27% do PIB mundial, medido em Paridade de Poder de Compra (GDP\/PPP na sigla em ingl\u00eas). Os dados para avaliar estas participa\u00e7\u00f5es s\u00e3o os de 2015 (8).<\/p><p>Fundamentalmente foram os pa\u00edses mais pobres que aderiram ao Tratado. O PIB PPP\/per capita dos pa\u00edses que aprovaram o Tratado \u00e9 de 11.100 US$\/hab enquanto que o PIB per capita dos pa\u00edses que n\u00e3o o aprovaram \u00e9 de 18.500 US$\/hab.<\/p><p>Desse grupo de pa\u00edses, o Brasil \u00e9 o que apresenta o maior PIB e a maior \u00e1rea e s\u00f3 \u00e9 superado quanto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o pela Indon\u00e9sia, que ocupa o segundo lugar nos outros quesitos.<\/p><p>Cinquenta e tr\u00eas pa\u00edses (9), incluindo o Brasil, aderiram ao Tratado em 20\/09\/2017, ocasi\u00e3o em que foi colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para assinatura, durante a Assembleia Geral da ONU. Assinaram o documento v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina entre os quais devem ser destacados Brasil e M\u00e9xico, que utilizam comercialmente a energia el\u00e9trica nuclear. Destaque entre os pa\u00edses signat\u00e1rios \u00e9 a \u00c1frica do Sul, que j\u00e1 construiu armas nucleares e as desmontou, al\u00e9m da Indon\u00e9sia e Tail\u00e2ndia. Tr\u00eas pa\u00edses desses cinquenta e tr\u00eas j\u00e1 depositaram simultaneamente a ratifica\u00e7\u00e3o (Guiana, Santa S\u00e9 e Tail\u00e2ndia).<\/p><p>O Tratado segue aberto \u00e0 assinatura de todos os Estados Membros na sede da ONU em Nova York e entrar\u00e1 em vigor 90 dias depois de ter sido ratificado por pelo menos 50 pa\u00edses.<\/p><ol start=\"2\"><li><a name=\"_Toc499293201\"><\/a><a name=\"_Toc498982411\"><\/a> <strong>Conte\u00fado do Tratado<\/strong><\/li><\/ol><p>Para responder as quest\u00f5es sobre a repercuss\u00e3o da ades\u00e3o ao Tratado e a posi\u00e7\u00e3o brasileira na \u00e1rea nuclear, \u00e9 necess\u00e1rio examinar atentamente o conte\u00fado dos compromissos assumidos no Tratado e suas implica\u00e7\u00f5es para a posi\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p><p>O Tratado sobre a Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares surgiu, pelo menos em principio, devido \u00e0 profunda preocupa\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas com as consequ\u00eancias humanit\u00e1rias catastr\u00f3ficas que poderiam advir do uso de armar nucleares e do reconhecimento de que s\u00f3 a elimina\u00e7\u00e3o completa dessas armas seria a garantia de que elas nunca mais seriam usadas.<\/p><p>O Brasil, aderindo ao Tratado, assume os compromissos constantes do Artigo 1 que <strong>pro\u00edbe amplamente atividades relacionadas com o desenvolvimento, teste, produ\u00e7\u00e3o, fabrica\u00e7\u00e3o, aquisi\u00e7\u00e3o, posse ou armazenamento de armas ou explosivos nucleares.<\/strong><\/p><p><u>Artigo 1: Proibi\u00e7\u00f5es Assumidas pelos Pa\u00edses<\/u><\/p><p>\u201cCada Estado Parte, compromete-se a nunca sob nenhuma circunst\u00e2ncia:<\/p><ul><li>Desenvolver, testar, produzir, fabricar, adquirir, possuir ou armazenar armas nucleares ou outros dispositivos explosivos nucleares;<\/li><li>Transferir para qualquer destinat\u00e1rio qualquer tipo de arma nuclear ou outros dispositivos nucleares explosivos ou controlar tais armas ou dispositivos explosivos direta ou indiretamente;<\/li><li>Receber a transfer\u00eancia ou o controle sobre armas nucleares ou outros dispositivos nucleares explosivos, direta ou indiretamente;<\/li><li>Usar ou amea\u00e7ar usar armas nucleares ou outros dispositivos explosivos nucleares;<\/li><li>Ajudar, encorajar ou induzir, de qualquer forma, qualquer pessoa a exercer qualquer atividade proibida a um Estado Parte nos termos do presente Tratado;<\/li><li>Procurar ou receber qualquer tipo de assist\u00eancia de qualquer pessoa para exercer qualquer atividade proibida a um Estado Parte nos termos do presente Tratado;<\/li><li>Permitir a armazenagem, instala\u00e7\u00e3o e\/ou implanta\u00e7\u00e3o de quaisquer armas nucleares ou outros dispositivos explosivos nucleares em seu territ\u00f3rio, ou em qualquer lugar sob sua jurisdi\u00e7\u00e3o ou controle\u201d.<\/li><\/ul><p>As proibi\u00e7\u00f5es assumidas no \u00e2mbito desse Tratado superam as assumidas por um pa\u00eds signat\u00e1rio do TNP, que n\u00e3o pro\u00edbe, de forma suficientemente expl\u00edcita, a ades\u00e3o dos pa\u00edses a um esquema de prote\u00e7\u00e3o externo onde os seus territ\u00f3rios s\u00e3o utilizados por pot\u00eancias nucleares para atividades de defesa ou de resposta r\u00e1pida e dissuas\u00e3o que envolvem armas nucleares. Tamb\u00e9m o compartilhamento de armas nucleares, ainda sujeito a interpreta\u00e7\u00f5es no TNP, \u00e9 claramente proibido no novo TPAN.<\/p><p>No caso do Brasil, no entanto, as proibi\u00e7\u00f5es assumidas no \u00e2mbito do Tratado de Tlatelolco (10) (Artigo 1) j\u00e1 impedem o armazenamento, instala\u00e7\u00e3o ou implementa\u00e7\u00e3o de armas nucleares. O Tratado de Tlatelolco n\u00e3o pro\u00edbe os dispositivos nucleares explosivos para fins pac\u00edficos. A ren\u00fancia \u00e0s chamadas \u201cexplos\u00f5es pac\u00edficas\u201d s\u00f3 foram claramente assumidas pelo Pa\u00eds no Acordo Bilateral Brasil \u2013 Argentina (11). Mesmo assim, para manter coer\u00eancia com as posi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas dos dois pa\u00edses, consta no texto do Acordo Bilateral que \u201ctendo em vista que n\u00e3o existe atualmente distin\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica poss\u00edvel entre dispositivos nucleares para fins pac\u00edficos e os destinados a fins b\u00e9licos, as Partes se comprometem, ademais a proibir e a impedir em seus respectivos territ\u00f3rios, bem como a abster-se de realizar, fomentar ou autorizar, direta ou indiretamente ou de participar de qualquer maneira no teste, uso, fabrica\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o ou aquisi\u00e7\u00e3o por qualquer meio, de qualquer dispositivo nuclear explosivo, <strong>enquanto persistir a referida limita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica<\/strong>\u201d. Ficava ainda aberta um poss\u00edvel retorno \u00e0 posi\u00e7\u00e3o anterior se houvesse progresso t\u00e9cnico que eliminasse essa restri\u00e7\u00e3o, o que parece muito pouco prov\u00e1vel de vir a acontecer.<\/p><p>Isto faz com que as proibi\u00e7\u00f5es do Tratado de Tlatelolco somadas \u00e0s do Acordo Bilateral, n\u00e3o sejam equivalentes \u00e0s do TPAN porque ainda existia uma remota possibilidade de serem admitidos os dispositivos nucleares explosivos para uso pac\u00edfico. Foi somente com a posterior assinatura do TNP (12) que foi abandonada esta possibilidade.<\/p><p>Enfim, as obriga\u00e7\u00f5es dos membros do TPAN \u00a0com o desarmamento e a n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o s\u00e3o superiores \u00e0s do TNP que n\u00e3o veta eficazmente o uso do territ\u00f3rio dos pa\u00edses n\u00e3o nucleares para armazenar e\/ou compartir armas nucleares. O Brasil s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 assumindo novos compromissos porque j\u00e1 os tinha em outros tratados.<\/p><p>_____________________<\/p><p>Nota sobre o compartilhamento de armas nucleares em pa\u00edses n\u00e3o nucleares, signat\u00e1rios do TNP.<\/p><p>Abrindo um par\u00eantese na presente an\u00e1lise, deve-ser lembrado que o compartilhamento tampouco \u00e9 admitido pelo TNP cujo Artigo 1 j\u00e1 estabelece:<\/p><p><em>\u201cEach nuclear-weapon State Party to the Treaty undertakes not to transfer to any recipient whatsoever nuclear weapons or other nuclear explosive devices or control over such weapons or explosive devices directly, or indirectly; and not in any way to assist, encourage, or induce any non-nuclear-weapon State to manufacture or otherwise acquire nuclear weapons or other nuclear explosive devices, or control over such weapons or explosive devices\u201d.<\/em><\/p><p><em>Em tradu\u00e7\u00e3o livre:<\/em><\/p><p>\u201cCada Estado Parte do Tratado possuidor de armas nucleares compromete-se a n\u00e3o transferir para qualquer benefici\u00e1rio qualquer arma nuclear ou outro dispositivo explosivo nuclear <strong>ou o controle direto ou indireto<\/strong> dessas armas ou dispositivos explosivos; e, de modo algum, ajudar, encorajar ou induzir qualquer Estado n\u00e3o possuidor de armas nucleares a fabricar ou, de qualquer forma, adquirir armas nucleares ou outros dispositivos explosivos nucleares ou controlar tais armas ou dispositivos explosivos\u201d.<\/p><p>Este princ\u00edpio parece estar sendo claramente violado ao se admitir que pa\u00edses como a Alemanha tenham artefatos nucleares instalados em suas pr\u00f3prias aeronaves e que as regras de compartilhamento dessas armas permitam que aquele pa\u00eds as utilize em suas a\u00e7\u00f5es b\u00e9licas. O parecer dos pa\u00edses que compartilham armas nucleares n\u00e3o \u00e9, naturalmente, este.<\/p><p>_________________________<\/p><p>Voltando \u00e0 an\u00e1lise do presente Tratado, o Artigo 2 refere-se \u00e0s declara\u00e7\u00f5es que os Estados Parte que assinarem o TPAN devem apresentar \u00e0 Secretaria Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, no m\u00e1ximo em at\u00e9 30 dias, a sua entrada em vigor naquele Estado Parte. Essas declara\u00e7\u00f5es ser\u00e3o por sua vez transmitidas pela Secretaria Geral para todos os outros Estados Parte.<\/p><p><u>Artigo 2: Declara\u00e7\u00f5es a serem feitas pelos pa\u00edses <\/u><\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><ul><li>\u201cDeclarar se mantinha a propriedade, possu\u00eda ou controlava armas nucleares ou dispositivos nucleares explosivos, e se eliminou o seu programa de armas nucleares, incluindo a elimina\u00e7\u00e3o ou a convers\u00e3o irrevers\u00edvel de todas as instala\u00e7\u00f5es relacionadas com armas nucleares, antes da entrada em vigor do presente Tratado para esse Estado Parte;<\/li><li>N\u00e3o obstante o disposto no Artigo 1 (a), declarar se mant\u00e9m a propriedade, possui ou controla qualquer arma nuclear ou outros dispositivos nucleares; explosivos;<\/li><li>N\u00e3o obstante o disposto no Artigo 1 (g), declarar se existem armas nucleares ou outros dispositivos nucleares explosivos no seu territ\u00f3rio ou em qualquer local sob sua jurisdi\u00e7\u00e3o ou controle que sejam de propriedade, possu\u00eddos ou controlados por outro Estado.\u201d<\/li><\/ul><p>Do ponto de vista dessas declara\u00e7\u00f5es, o Brasil n\u00e3o ter\u00e1 dificuldades de firm\u00e1-las, tendo em vista que nunca participou de esquemas de prote\u00e7\u00e3o nuclear com outros pa\u00edses nem tem instala\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias clandestinas.<\/p><p>As maiores inquietudes sobre o Tratado surgiram do ponto de vista de Salvaguardas Nucleares, em particular, foi colocada a quest\u00e3o de como ficaria o Brasil relativamente \u00e0 assinatura do Protocolo Adicional (13).<\/p><p>Com efeito, o \u201clado B\u201d da hist\u00f3ria seria a possibilidade das obriga\u00e7\u00f5es que o Tratado imp\u00f5e aos seus signat\u00e1rios os obrigarem a avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a maiores concess\u00f5es, que o Pa\u00eds tem por pol\u00edtica evitar, antes que surjam medidas efetivas por parte dos pa\u00edses nuclearmente armados no sentido de atender aos compromissos assumidos no TNP com o desarmamento.<\/p><p>A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 pertinente porque a assinatura do Protocolo pode prejudicar as atividades do programa do submarino nuclear, que n\u00e3o \u00e9 considerada uma arma nuclear, mas que encerra uma aplica\u00e7\u00e3o militar (a da propuls\u00e3o nuclear que n\u00e3o \u00e9 proscrita). Com efeito, o submarino nuclear n\u00e3o \u00e9 uma arma de destrui\u00e7\u00e3o em massa e, no caso brasileiro, n\u00e3o seria provido de explosivos nucleares aos quais, o Brasil renunciou pela sua pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p><p>Note-se que o presente acordo de salvaguardas existente para Brasil, Argentina, ABACC e AIEA, o Acordo Quadripartite (3), n\u00e3o exclui o submarino e seu combust\u00edvel nuclear da aplica\u00e7\u00e3o de salvaguardas, mas oferece procedimentos especiais em sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Deve-se, enfim, examinar tamb\u00e9m neste aspecto as determina\u00e7\u00f5es da Estrat\u00e9gia de Defesa Nacional, que renunciou a abordar qualquer medida adicional na \u00e1rea de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o at\u00e9 que os pa\u00edses armados dessem um sinal efetivo de cumprirem suas declaradas inten\u00e7\u00f5es de caminhar no sentido do desarmamento.<\/p><p>Entre as obriga\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito das salvaguardas est\u00e3o as indicadas no Artigo 3.<\/p><p><u>Artigo 3: Disposi\u00e7\u00f5es sobre Salvaguadas <\/u><\/p><ol><li>\u201cCada Estado Parte para o qual o Artigo 4, par\u00e1grafos 1 e 2 n\u00e3o se aplica, deve, no m\u00ednimo, manter as suas obriga\u00e7\u00f5es de salvaguarda com a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica em vigor no momento da entrada em vigor do presente Tratado, sem preju\u00edzo de quaisquer instrumentos relevantes que possam vir a ser adotados no futuro.<\/li><li>Cada Estado Parte ao qual o Artigo 4, par\u00e1grafos 1 ou 2, n\u00e3o se aplica, e que ainda n\u00e3o o tenha feito, deve concluir com a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica e colocar em vigor um acordo abrangente de salvaguardas (INFCIRC\/153 (Corrigido)) [9]. A negocia\u00e7\u00e3o desse acordo ter\u00e1 in\u00edcio no prazo de 180 dias contados da entrada em vigor do presente Tratado para esse Estado Parte. O acordo entrar\u00e1 em vigor o mais tardar 18 meses ap\u00f3s a entrada em vigor do presente Tratado para esse Estado Parte. Cada Estado Parte manter\u00e1 subsequentemente tais obriga\u00e7\u00f5es, sem preju\u00edzo de quaisquer instrumentos relevantes adicionais que possam vir a ser adotados no futuro\u201d.<\/li><\/ol><p>O Artigo 4 trata de casos especiais de pa\u00edses que tiveram armas nucleares e os que ainda as possuem. O Brasil e a Argentina n\u00e3o se enquadram neste Artigo 4, mas no Artigo 2. Al\u00e9m disto, ambos j\u00e1 t\u00eam um Acordo de Salvaguardas do tipo abrangente com a AIEA que inclui, al\u00e9m dos dois pa\u00edses, a ABACC. Este Acordo submete todas as instala\u00e7\u00f5es e materiais dos dois pa\u00edses a inspe\u00e7\u00f5es da AIEA e da ABACC, que \u00e9 a Ag\u00eancia Bilateral entre os dois pa\u00edses. Esse acordo Quadripartite (INFCIRC\/435) \u00e9 inspirado no INFCIRC\/153 aplicando o mesmo sistema de salvaguardas, no qual as medidas do Protocolo Adicional n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas. O Modelo do Protocolo Adicional corresponde ao INFCIRC\/540. A men\u00e7\u00e3o ao INFCIRC\/153 visa justamente esclarecer que as salvaguardas exigidas dos pa\u00edses enquadrados no Artigo 2 s\u00e3o as anteriores ao Protocolo Adicional.<\/p><p>J\u00e1 os pa\u00edses que se enquadram no Artigo 4, ou sejam os que tiveram armas nucleares e os que as possuem devem atender as exig\u00eancias nele mencionadas como \u00e9 descrito a seguir.<\/p><p><u>Artigo 4: Rumo \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o total das armas nucleares<\/u><\/p><ol><li>\u201cCada Estado Parte que, ap\u00f3s 7 de julho de 2017, mantinha a propriedade, possu\u00eda ou controlava armas nucleares ou outros dispositivos explosivos nucleares e eliminou seu programa de armas nucleares, incluindo a elimina\u00e7\u00e3o ou a convers\u00e3o irrevers\u00edvel de todas as instala\u00e7\u00f5es relacionadas com armas nucleares, antes da entrada em vigor deste Tratado deve cooperar com a autoridade internacional competente designada nos termos do par\u00e1grafo 6 deste artigo com o prop\u00f3sito de verificar a elimina\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel de seu programa de armas nucleares. A autoridade internacional competente deve dar essa informa\u00e7\u00e3o aos demais Estados Parte. Tal Estado Parte deve concluir um acordo de salvaguardas com a Ag\u00eancia Internacional da Energia At\u00f4mica que seja suficiente para garantir de forma convincente que n\u00e3o h\u00e1 desvio de materiais nucleares declarados provenientes de atividades nucleares pac\u00edficas e a aus\u00eancia de material ou atividades nucleares n\u00e3o declaradas nesse Estado Parte como um todo. A negocia\u00e7\u00e3o desse acordo ter\u00e1 in\u00edcio no prazo de 180 dias contados da entrada em vigor do presente Tratado para esse Estado Parte. O acordo entrar\u00e1 em vigor o mais tardar 18 meses ap\u00f3s a entrada em vigor deste Tratado para esse Estado Parte. Esse Estado Parte manter\u00e1 daqui para frente, no m\u00ednimo, essas obriga\u00e7\u00f5es de salvaguardas, sem preju\u00edzo de quaisquer instrumentos relevantes adicionais que possam vir a ser adotados no futuro.<\/li><li>N\u00e3o obstante o disposto no Artigo 1 (a), cada Estado Parte que mant\u00e9m a propriedade, possui ou controla armas nucleares ou outros dispositivos explosivos nucleares deve remov\u00ea-los imediatamente do estado operacional e destru\u00ed-los o mais r\u00e1pido poss\u00edvel mas n\u00e3o ap\u00f3s, um prazo a ser determinado numa primeira reuni\u00e3o dos Estados Parte, de acordo com um plano limitado no tempo e vinculado legalmente para a verifica\u00e7\u00e3o e elimina\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel do programa de armas nucleares do Estado Parte, incluindo a elimina\u00e7\u00e3o ou convers\u00e3o irrevers\u00edvel de todas as instala\u00e7\u00f5es relacionadas a armas nucleares. O Estado Parte deve submeter o plano n\u00e3o mais do que 60 dias ap\u00f3s a entrada em vigor deste Tratado aos Estados Parte ou a uma autoridade internacional competente designada pelos Estados Partes. O plano deve ent\u00e3o ser negociado com a autoridade internacional competente, a qual deve submet\u00ea-lo \u00e0 subsequente reuni\u00e3o dos Estados Parte ou a conferencia de revis\u00e3o, a que primeiro ocorrer, para aprova\u00e7\u00e3o de acordo com as regras de procedimento.<\/li><li>O Estado Parte ao qual se aplica o par\u00e1grafo 2 acima deve concluir um acordo de salvaguardas com a Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica suficiente para fornecer garantia cred\u00edvel do n\u00e3o desvio de material nuclear declarado de atividades nucleares pac\u00edficas e da aus\u00eancia de material ou atividades nucleares n\u00e3o declaradas em o Estado como um todo. A negocia\u00e7\u00e3o desse acordo deve come\u00e7ar o mais tardar na data em que a implementa\u00e7\u00e3o do plano referido no par\u00e1grafo 2 seja conclu\u00edda. O acordo entrar\u00e1 em vigor o mais tardar 18 meses ap\u00f3s a data de in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es. O Estado Parte manter\u00e1, no m\u00ednimo, essas obriga\u00e7\u00f5es de salvaguardas, sem preju\u00edzo de quaisquer instrumentos relevantes adicionais que ela possa adotar no futuro. Ap\u00f3s a entrada em vigor do acordo a que se refere este par\u00e1grafo, o Estado Parte apresentar\u00e1 ao Secret\u00e1rio Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas uma declara\u00e7\u00e3o final de que cumpriu as obriga\u00e7\u00f5es que lhe incumbem por for\u00e7a do presente artigo.\u201d<\/li><\/ol><p>O Artigo 4, talvez tenha contribu\u00eddo para motivar a informa\u00e7\u00e3o, publicada na m\u00eddia, de que o Brasil seria induzido a aderir ao Protocolo Adicional como consequ\u00eancia de obriga\u00e7\u00e3o por ter aderido ao TPAN, o qual requereria assinar um Acordo de Salvaguardas mais restritivo, mas esse par\u00e1grafo n\u00e3o se aplica nem ao Brasil e nem \u00e0 Argentina.<\/p><ol start=\"3\"><li><a name=\"_Toc499293202\"><\/a><a name=\"_Toc498982412\"><\/a> <strong>Consequ\u00eancias para o Brasil e Argentina<\/strong><\/li><\/ol><p>Para o Brasil e a Argentina, prevaleceriam o acordo vigentes, decorrentes do Acordo de Salvaguardas que adotaram, que s\u00e3o perfeitamente compat\u00edveis com as exig\u00eancias da INFCIRC 153 (14), como reconhece a pr\u00f3pria AIEA e a comunidade internacional.<\/p><p>A rigor, a \u00fanica implica\u00e7\u00e3o encontrada para nossos acordos de salvaguardas \u00e9 que tanto os pa\u00edses que desistiram de suas armas nucleares como os pa\u00edses que as possuem e que vierem a aderir ao Tratado devem assinar com a AIEA um Acordo de Salvaguardas satisfazendo as condi\u00e7\u00f5es expressas no Artigo 4, par\u00e1grafos 1 e 2: Tanto Brasil como Argentina se encontram fora desse Artigo, enquadrando-se no Artigo 2.<\/p><p>J\u00e1 os Estados Parte que assinarem o Tratado e se enquadram no Artigo 4, de acordo com o par\u00e1grafo 1 devem concluir um acordo de salvaguardas com a Agencia Internacional de Energia At\u00f4mica capaz \u201cde fornecer garantia veross\u00edmil do n\u00e3o desvio de material nuclear\u201d e da \u201caus\u00eancia de material ou atividades nucleares n\u00e3o declaradas no Estado como um todo\u201d.<\/p><p>Esta \u00e9 a linguagem usada para acordos que incluem as disposi\u00e7\u00f5es do Protocolo Adicional\u00a0(15). Isso poderia induzir a que todos os pa\u00edses deveriam se enquadrar neste modelo. N\u00e3o parece, entretanto, existir nenhuma vincula\u00e7\u00e3o direta com o caso de nossos pa\u00edses que t\u00eam, ademais, uma prote\u00e7\u00e3o adicional que s\u00e3o as inspe\u00e7\u00f5es cruzadas entre Argentina e Brasil que vem sendo consideradas, como o fez, o <em>Nuclear Suppliers Group<\/em> \u2013 NSG como suced\u00e2neo (ao menos provis\u00f3rio) \u00e0 assinatura do Protocolo Adicional.<\/p><p>Como conclus\u00e3o, n\u00e3o se pode dizer que o Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares obrigue o Pa\u00eds a aderir ao Protocolo Adicional. Ele, no entanto, fortalece a no\u00e7\u00e3o que o modelo INFCIRC 153 + 540 seja o padr\u00e3o de Acordo de Salvaguardas desejado pela AIEA. No caso do presente Tratado, se por algum acontecimento n\u00e3o esperado, os pa\u00edses armados aderissem ao Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o das Armas Nucleares e, por consequ\u00eancia, ao Protocolo Adicional, o Brasil certamente n\u00e3o teria dificuldade de tamb\u00e9m aderir a ele porque haveria cessado o motivo de negar sua ades\u00e3o. Entretanto, parece muito pouco prov\u00e1vel que os pa\u00edses armados, ou que compartilham armas, praticamente todos os pa\u00edses da Europa e todos os pa\u00edses da OTAN, aprovem esse Tratado e o assinem.<\/p><p>Do ponto de vista moral, o Tratado \u00e9 altamente positivo j\u00e1 que consagra, por uma grande maioria de pa\u00edses, a ades\u00e3o ao banimento de armas nucleares.<\/p><p>Do ponto de vista pr\u00e1tico ele \u00e9, na atual perspectiva, mais uma iniciativa de \u201cdesarmar os desarmados\u201d j\u00e1 que nenhum pa\u00eds que possui ou compartilha armas nucleares ou que \u00e9 protegido pelos chamados \u201cguarda-chuva nucleares\u201d, aprovou, assinou e\/ou ratificou o Tratado.<\/p><p>Al\u00e9m disto, como foi dito acima, na lista das maiores economias, s\u00f3 Brasil e Indon\u00e9sia aderiram ao tratado. Mesmo a Austr\u00e1lia, normalmente inclu\u00edda nos \u201canjos brancos\u201d da n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o n\u00e3o votou a favor do Tratado.<\/p><p>N\u00e3o parece haver preju\u00edzo concreto \u00e0 posi\u00e7\u00e3o assumida pelo Pa\u00eds de n\u00e3o aderir a novas obriga\u00e7\u00f5es em n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o sem um efetivo movimento de desarmamento dos pa\u00edses possuidores de armas nucleares. A ren\u00fancia \u00e0 possibilidade de associar-se a outros pa\u00edses, no caso de uma amea\u00e7a nuclear real, n\u00e3o parece importante no quadro atual da regi\u00e3o. Como j\u00e1 foi dito acima, a ren\u00fancia \u00e0 defesa atrav\u00e9s de terceiros j\u00e1 existe no Tratado de Tlatelolco. A diferen\u00e7a \u00e9 que naquele tratado h\u00e1 fortes cl\u00e1usulas de n\u00e3o agress\u00e3o por parte dos pa\u00edses nuclearmente armados que, se rompidas, justificariam a sa\u00edda do Tratado de pa\u00edses n\u00e3o nucleares. N\u00e3o existe nada correspondente no Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares.<\/p><p><a name=\"_Toc499293203\"><\/a><a name=\"_Toc498982413\"><\/a>Bibliografia<\/p><ol><li><strong>United Nations.<\/strong> Treaty on the Prohibition of Nuclear Weapons. <em>General Assembly. <\/em>[Online] 2017 \u0439\u0438\u043b 07-July.<\/li><li><strong>IAEA &#8211; International Atomic Energy Agency .<\/strong> INFICIRC 540. <em>Model Protocol Additional to the Agreement(s) between States and IAEA for the application of Safeguards. <\/em>[Online] September 1997.<\/li><li><strong>Agency, IAEA &#8211; International Atomic Energy.<\/strong> Quadripartite Agreement. <em>Agreemente between Argentina, Brazil, ABACC, IAEA on Safeguards. <\/em>[Online] dec 13, 1991.<\/li><li><strong>Decreto Presidencial.<\/strong> Planalto. <em>DEC 6.703\/2008 (DECRETO DO EXECUTIVO) 18\/12\/2008. <\/em>[Online] 12 19, 2008.<\/li><li><strong>United Nations.<\/strong> UN conference adopts treaty banning nuclear weapons. <em>UN News Centre. <\/em>[Online] july 7, 2017. http:\/\/www.un.org\/apps\/news\/story.asp?NewsID=57139#.WhLEsY9Sxdg.<\/li><li><strong>Guimar\u00e3es, Leonam.<\/strong> ONU aprova Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares. <em>Defesanet. <\/em>[Online] julho 08, 2017. http:\/\/www.defesanet.com.br\/nuclear\/noticia\/26354\/LEONAM.<\/li><li><strong>US Mission to the UN .<\/strong> United State Mission to the Umited Nation. <em>Joint Press Statement from the Permanent Representatives to the United Nations of the United States, United Kingdom, and France Following the Adoption of a Treaty Banning Nuclear Weapons. <\/em>[Online] July 07, 2017. https:\/\/usun.state.gov\/remarks\/7892.<\/li><li><strong>World Bank.<\/strong> The World Bank Data. <em>World Development Indicators &#8211; WDI. <\/em>[Online] September 15, 2017. https:\/\/data.worldbank.org\/data-catalog\/world-development-indicators.<\/li><li><strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas &#8211; ONU.<\/strong> ONUBR. <em>Chefes de Estado assinam tratado sobre armas nucleares na sede da ONU. <\/em>[Online] setembro 20, 2017. https:\/\/nacoesunidas.org\/chefes-de-estado-assinam-tratado-sobre-armas-nucleares-na-sede-da-onu\/.<\/li><li><strong>OPANAL.<\/strong> Agency for the Prohibition of Nuclear Weapons in Latin America and the Caribean. <em>Treaty for the Prohibition of Nuclear Weapons in Latin America and the Caribbean. <\/em>[Online] http:\/\/www.opanal.org\/en\/text-of-the-treaty-of-tlatelolco\/.<\/li><li><strong>Governos do Brasil e Argentina.<\/strong> Acordo entre a Rep\u00fablica Federativa do Brasil e a Rep\u00fablica Argentina para Uso Exclusivamente Pac\u00edfico da Energia Nuclear . <em>ABACC = Ag\u00eancia Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares . <\/em>[Online] dezembro 12, 1991. https:\/\/www.abacc.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Acordo-Bilateral-original-portugu%C3%AAs.pdf.<\/li><li><strong>United Nations.<\/strong> Treaty on the Non-Proliferation of Nuclear Weapons (NPT). <em>UN Office for Disarmament Affairs. <\/em>[Online] July 1, 1968. https:\/\/www.un.org\/disarmament\/wmd\/nuclear\/npt\/text\/.<\/li><li><strong>Amorim, Paulo Henrique.<\/strong> Temer entregou na ONU nossa tecnologia nuclear! <em>Conversa Afiada. <\/em>[Online]<\/li><li><strong>Internacional Atomic Energy Agency.<\/strong> INFCIR53 (CORRECTED). <em>The Structure and Content or Agreements Between the Agency and States Required in Connection with the Treaty on the Non-Prolifertion of Nuclear Weapons. <\/em>[Online] June 1972. http:\/\/www.vertic.org\/media\/assets\/nim_docs\/Treaty\/nuclear\/INFCIRC-153%20(en).pdf.<\/li><li><strong>International Atomic Energy Agency &#8211; IAEA.<\/strong> INFCIRC 540. <em>Model Protocol Additional Agreement Between State(s) and IAEA for the Application os Safeguards. <\/em>[Online] September 1997. https:\/\/www.iaea.org\/sites\/default\/files\/infcirc540.pdf.<\/li><\/ol><p><a name=\"_Toc499293204\"><\/a><strong>Nota Final da Reda\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p><p><strong>\u00a0TNP X TPAN<\/strong><\/p><p>O artigo sobre o Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares \u2013 TPAN mostrou que os compromissos nele assumidos pelos Estados Membros \u00e9 superior aos assumidos pelos pa\u00edses ditos \u201cN\u00e3o Nucleares\u201d no Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o &#8211; TNP. O compromisso de acordo de salvaguardas com a AIEA \u00e9 equivalente ao do TNP.<\/p><p>A vantagem do TNP sobre o TPAN para os pa\u00edses n\u00e3o nucleares \u00e9 de que existe no TNP um compromisso com o desarmamento expresso no Artigo VI:<\/p><p><em>\u201cEach of the Parties to the Treaty undertakes to pursue negotiations in good faith on effective measures relating to cessation of the nuclear arms race at an early date and to nuclear disarmament, and on a treaty on general and complete disarmament under strict and effective international control.\u201d<\/em><\/p><p>Na situa\u00e7\u00e3o atual, anterior \u00e0 vig\u00eancia do TPAN, \u00e9 praticamente o consenso que muito pouco foi feito no sentido do desarmamento e em \u201cum tratado do geral e completo desarmamento sob o estrito e efetivo controle internacional\u201d.<\/p><p>Algo foi feito no sentido de conter a corrida armamentista nuclear, como a proibi\u00e7\u00e3o ou interrup\u00e7\u00e3o de testes pelos pa\u00edses nuclearmente armados do TNP. Tratados do tipo START, entre as duas maiores pot\u00eancias, chegaram a limitar o arsenal.<\/p><p>Nada impediu as explos\u00f5es \u201cdemonstrativas\u201d dos novos candidatos ao clube dos nuclearmente armados. Hoje, a realidade \u00e9 o Programa de Moderniza\u00e7\u00e3o das Armas Nucleares lan\u00e7ado pelo Presidente Obama, com um custo estimado de 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> e que o Presidente Trump \u201ctwitou\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> j\u00e1 ter feito. Bravatas \u00e0 parte, existe um programa nos EUA de 400 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para os pr\u00f3ximos dez anos e 1,2 trilh\u00e3o nos pr\u00f3ximos 30 anos.<\/p><p>Sem exibir um programa grandioso e expl\u00edcito como o americano, a R\u00fassia, ao mesmo tempo que denuncia os avan\u00e7os americanos como viola\u00e7\u00e3o do tratado bilateral firmados, vem tamb\u00e9m trabalhando na moderniza\u00e7\u00e3o de seu arsenal<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. A not\u00edcia inquietante, em ambos os pa\u00edses, \u00e9 que boa parte dos esfor\u00e7os est\u00e3o concentrados em armas t\u00e1ticas (de pequeno porte) apropriadas justamente a a\u00e7\u00f5es \u201climitadas\u201d e possivelmente dirigidas contra pa\u00edses n\u00e3o nuclearmente armados ou at\u00e9 contra organiza\u00e7\u00f5es atuando em territ\u00f3rios de outros pa\u00edses.<\/p><p>A evolu\u00e7\u00e3o desse quadro pode levar a um resultado que talvez seja o temor n\u00e3o expl\u00edcito do comunicado conjunto liderado pela miss\u00e3o norte-americana na ONU, por ocasi\u00e3o da discuss\u00e3o do TPAN que v\u00ea nele uma amea\u00e7a \u00e0 \u201cpol\u00edtica de dissuas\u00e3o nuclear, que tem sido essencial para manter a paz no mundo\u201d:<\/p><p>O suposto resultado seria que, considerando que os compromissos do TPAN s\u00e3o equivalentes ou superiores aos do TNP, os pa\u00edses n\u00e3o nucleares do TNP talvez optem, no futuro, a ficar s\u00f3 no TPAN. O mundo poderia tender para pa\u00edses direta ou indiretamente com amas nucleares, signat\u00e1rios do TNP e os n\u00e3o nuclearmente armados, signat\u00e1rios do TPAN. Ou seja, o TPAN reduziria os obst\u00e1culos de abandonar o TNP. Essa possibilidade poderia funcionar, no futuro, como instrumento para for\u00e7ar os nuclearmente armados a progredirem na realiza\u00e7\u00e3o do Artigo VI do TNP.<\/p><p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/www.defensenews.com\/breaking-news\/2017\/10\/31\/americas-nuclear-weapons-will-cost-12-trillion-over-the-next-30-years\/<\/p><p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> https:\/\/www.vox.com\/world\/2017\/8\/9\/16118242\/trump-nuclear-weapons-tweets-modernization<\/p><p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/thebulletin.org\/2017\/march\/russian-nuclear-forces-201710568<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-fb81721 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"fb81721\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-ce99cd1\" data-id=\"ce99cd1\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3a53eba elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3a53eba\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-b83c002 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"b83c002\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-9dc503f\" data-id=\"9dc503f\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4856dc2 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"4856dc2\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Coment\u00e1rios do Embaixador Sergio Duarte:<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-e963b9b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"e963b9b\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-d8f2f13\" data-id=\"d8f2f13\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d029487 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d029487\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/S%C3%A9rgio_de_Queiroz_Duarte\">Sobre o Embaixador Sergio de Queiroz Duarte<\/a><\/p><p>Caros Carlos e Leonam,<\/p><p>Obrigado por seu interessante e oportuno artigo sobre o Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares e sobre as posi\u00e7\u00f5es que o Brasil tem assumido no tratamento desses temas. Concordo em que \u00e9 importante promover o debate p\u00fablico sobre o assunto.<\/p><p>Aqui v\u00e3o algumas reflex\u00f5es a respeito:<\/p><p><span style=\"font-size: 1rem;\">Como sabemos, o Brasil foi um dos seis pa\u00edses que impulsionaram as resolu\u00e7\u00f5es da Assembleia Geral que possibilitaram a negocia\u00e7\u00e3o do Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares (TPAN), adotado em 7 de julho \u00faltimo por 122 pa\u00edses. Sob a alega\u00e7\u00e3o de que esse Tratado ignora a realidade do ambiente de seguran\u00e7a internacional, \u00e9 incompat\u00edvel com a pol\u00edtica de dissuas\u00e3o nuclear e al\u00e9m disso \u00a0solapa o regime de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o institu\u00eddo pelo Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares (TNP), os pa\u00edses possuidores de armamento nuclear condenaram veementemente a negocia\u00e7\u00e3o e ado\u00e7\u00e3o daquele instrumento e passaram a fazer todos os esfor\u00e7os para evitar a ades\u00e3o de grande n\u00famero de pa\u00edses. Da mesma forma, continuam a propor e apoiar, em inst\u00e2ncias internacionais, a expans\u00e3o das medidas restritivas ao desenvolvimento da tecnologia nuclear aplic\u00e1veis \u00e0queles que n\u00e3o possuem tais armas.<\/span><\/p><p>O texto do TPAN deixa claro, principalmente no Pre\u00e2mbulo e no Artigo 18, que n\u00e3o existe incompatibilidade entre suas disposi\u00e7\u00f5es e as de outros instrumentos, inclusive e principalmente o TNP. \u00a0A finalidade do novo instrumento \u00e9 justamente proporcionar aos atuais possuidores um caminho realista para a realiza\u00e7\u00e3o do compromisso assumido no artigo VI do TNP de \u201centabular, de boa f\u00e9, negocia\u00e7\u00f5es sobre medidas efetivas para a cessa\u00e7\u00e3o em data pr\u00f3xima da corrida armamentista nuclear e para o desarmamento nuclear\u201d.\u00a0\u00a0<\/p><p>Desde a entrada em vigor do TNP h\u00e1 48 anos atr\u00e1s os possuidores de armas nucleares n\u00e3o t\u00eam honrado esse compromisso. Ao contr\u00e1rio, parecem partir do pressuposto de que o TNP \u00e9 na verdade um instrumento legitimador \u00a0do que consideram seu direito de possuir e manter seus pr\u00f3prios e exclusivos arsenais at\u00f4micos.\u00a0 Na verdade, nos dias atuais o mundo assiste a um verdadeiro e assustador recrudescimento da corrida armamentista nuclear, j\u00e1 n\u00e3o em quantidade mas em sofistica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, em um esfor\u00e7o eufemisticamente chamado \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d, sem falar no desenvolvimento de novas t\u00e9cnicas de guerra cibern\u00e9tica e de aplica\u00e7\u00f5es b\u00e9licas da nanotecnologia e da intelig\u00eancia artificial.<\/p><p>O Brasil se tornou Parte do TNP em 1998, ap\u00f3s um longo per\u00edodo de hesita\u00e7\u00e3o devido em grande parte ao car\u00e1ter discriminat\u00f3rio do instrumento e \u00e0 insufici\u00eancia dos dispositivos sobre o desarmamento nuclear. Muito antes, em 1967, j\u00e1 havia renunciado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de armas nucleares em virtude do Tratado de Tlatelolco e posteriormente aceitou compromissos juridicamente vinculantes que o impedem de realizar explos\u00f5es nucleares com finalidades pac\u00edficas ou de car\u00e1ter experimental (como o acordo bilateral Brasil-Argentina e os tratados de proibi\u00e7\u00e3o de ensaios nucleares \u2013 respectivamente PTBT, de 1963, e CTBT, de 1996, na sigla em ingl\u00eas). O TPAN, por sua vez, reafirma e refor\u00e7a as proibi\u00e7\u00f5es j\u00e1 aceitas pelo Brasil por for\u00e7a daqueles instrumentos, conforme assinalado na parte final de seu artigo. N\u00e3o h\u00e1, portanto, incompatibilidade entre qualquer deles e o Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares. Tampouco existe qualquer incompatibilidade com os demais compromissos bilaterais firmados h\u00e1 mais de 25 anos entre o Brasil e a Argentina no campo nuclear.<\/p><p>A Estrat\u00e9gia Nacional de Defesa sedimentou a posi\u00e7\u00e3o brasileira de n\u00e3o\u00a0<u>aceitar medidas restritivas adicionais ao TNP<\/u>\u00a0(grifo meu) sem que as pot\u00eancias nucleares tenham avan\u00e7ado, de forma significativa, na dire\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio desarmamento nuclear. Como o TPAN n\u00e3o cont\u00e9m nenhuma medida que amplie as restri\u00e7\u00f5es contidas no TNP,\u00a0 \u00e9 evidente que n\u00e3o contraria essa determina\u00e7\u00e3o da Estrat\u00e9gia Nacional de Defesa.<\/p><p>At\u00e9 o momento, 56 pa\u00edses assinaram e 6 ratificaram o TPAN. S\u00e3o necess\u00e1rias 50 ratifica\u00e7\u00f5es para que o Tratado possa entrar em vigor. \u00a0Ainda que a feroz campanha negativa empreendida pelos possuidores de armas nucleares retarde a plena vig\u00eancia do TPAN, sua simples exist\u00eancia j\u00e1 constitui um poderoso elemento de press\u00e3o contra a perman\u00eancia dessas armas. O TPAN representa o rep\u00fadio da maioria da comunidade internacional ao armamento nuclear \u2013 \u00faltima categoria de arma de destrui\u00e7\u00e3o em massa ainda n\u00e3o proibida por tratados multilaterais.<\/p><p>De uma maneira ou de outra, a comunidade internacional ter\u00e1 de encontrar formas de viabilizar a converg\u00eancia entre as normas contidas no TPAN e no TNP. O exemplo e lideran\u00e7a brasileira no campo do desarmamento nuclear multilateral s\u00e3o importantes para a consolida\u00e7\u00e3o desse novo e essencial instrumento na busca do resultado desejado. Por isso, \u00e9 \u00a0importante que o Brasil acelere a tramita\u00e7\u00e3o legislativa de sua ratifica\u00e7\u00e3o e procure utilizar sua capacidade de influ\u00eancia para convencer outros pa\u00edses a faz\u00ea-lo tamb\u00e9m. \u00a0\u00a0\u00a0<br \/><br \/>Abra\u00e7os cordiais,<br \/>Sergio<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-d3d9265 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"d3d9265\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-8cb2a77\" data-id=\"8cb2a77\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a8daf62 elementor-arrows-position-inside elementor-pagination-position-outside elementor-invisible elementor-widget elementor-widget-image-carousel\" data-id=\"a8daf62\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;slides_to_show&quot;:&quot;1&quot;,&quot;_animation&quot;:&quot;fadeIn&quot;,&quot;navigation&quot;:&quot;both&quot;,&quot;autoplay&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;pause_on_hover&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;pause_on_interaction&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;autoplay_speed&quot;:5000,&quot;infinite&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;effect&quot;:&quot;slide&quot;,&quot;speed&quot;:500}\" data-widget_type=\"image-carousel.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-image-carousel-wrapper swiper-container\" dir=\"ltr\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-image-carousel swiper-wrapper\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"swiper-slide\"><figure class=\"swiper-slide-inner\"><img class=\"swiper-slide-image\" src=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/eee97fina_A5_001.jpg\" alt=\"Revista E&amp;E 97 em Portugu\u00eas\" \/><\/figure><\/div><div class=\"swiper-slide\"><figure class=\"swiper-slide-inner\"><img class=\"swiper-slide-image\" src=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/eee97fina_A5_002.jpg\" alt=\"eee97fina_A5_002\" \/><\/figure><\/div><div class=\"swiper-slide\"><figure class=\"swiper-slide-inner\"><img class=\"swiper-slide-image\" src=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/eee97fina_A5_003.jpg\" alt=\"eee97fina_A5_003\" \/><\/figure><\/div>\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"swiper-pagination\"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-swiper-button elementor-swiper-button-prev\">\n\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\" class=\"eicon-chevron-left\"><\/i>\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-screen-only\">Anterior<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-swiper-button elementor-swiper-button-next\">\n\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\" class=\"eicon-chevron-right\"><\/i>\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-screen-only\">Pr\u00f3ximo<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economia e Energia &#8211; E&amp;E&nbsp; &nbsp; N\u00ba 97, outubro a dezembro &nbsp;2017 ISSN 1518-2932 O TRATADO DE PROIBI\u00c7\u00c3O DE ARMAS NUCLEARES E A POSI\u00c7\u00c3O DO BRASIL NA \u00c1REA NUCLEAR Carlos Feu Alvim Olga Y. Mafra Leonardo Paredes e Leonam Guimar\u00e3es Resumo O Brasil assinou, atrav\u00e9s de ato do seu Presidente da Rep\u00fablica, em 20\/09\/2017 o &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/?page_id=904\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;O Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares e a Posi\u00e7\u00e3o do Brasil na \u00c1rea Nuclear&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":891,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/904"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=904"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/904\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3973,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/904\/revisions\/3973"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/891"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}