{"id":4992,"date":"2021-08-08T23:33:15","date_gmt":"2021-08-09T02:33:15","guid":{"rendered":"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=4992"},"modified":"2021-08-09T00:54:31","modified_gmt":"2021-08-09T03:54:31","slug":"ee-92","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ecen.com.br\/?page_id=4992","title":{"rendered":"E&#038;E 92"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Pode Haver Escassez de Energia El\u00e9trica em 2014?<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Acompanhamento da situa\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios hidrel\u00e9tricos at\u00e9 31 de Mar\u00e7o de 2014<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">Carlos Feu Alvim<br \/>\nfeu@ecen.com<\/p>\n<p><b><a href=\"https:\/\/ecen.com\/eee88\/eee88p\/reservatorios.pdf\">V<\/a><\/b><b><a href=\"https:\/\/ecen.com\/eee92\/eee92p\/resevatorios_marco_2014_final.pdf\">ers\u00e3o em pdf para download<\/a><\/b><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Situa\u00e7\u00e3o atual<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A situa\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios em mar\u00e7o de 2014 acende um sinal amarelo sobre a possibilidade de escassez de energia el\u00e9trica no Pa\u00eds durante o ano. Uma an\u00e1lise da possibilidade de ocorrer um \u201capag\u00e3o\u201d este ano \u00e9 feita a seguir.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 um ano, a E&amp;E realizou uma avalia\u00e7\u00e3o independente sobre a possibilidade de um novo apag\u00e3o em 2013, semelhante ao de 2001<b><a name=\"_ftnref1\"><\/a><\/b>&nbsp;(http:\/\/ecen.com\/eee88\/eee88p\/apagao2.htm). A conclus\u00e3o foi que a probabilidade de desabastecimento de energia el\u00e9trica era reduzida, mas a situa\u00e7\u00e3o merecia um acompanhamento e o uso adequado da capacidade n\u00e3o h\u00eddrica existente, predominantemente t\u00e9rmica, para recompor o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios que estava, no in\u00edcio de 2013, abaixo do desej\u00e1vel. As chuvas acabaram sendo, ap\u00f3s 31 de mar\u00e7o de 2013, superiores \u00e0 m\u00e9dia hist\u00f3rica e a situa\u00e7\u00e3o foi resolvida pela aflu\u00eancia e pelo uso maior da gera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica. No final do ano, a aflu\u00eancia havia sido somente 3% inferior \u00e0 normal. A situa\u00e7\u00e3o em 2013 foi provocada principalmente pela queda de 15% na \u00e1gua que chegou aos reservat\u00f3rios no ano anterior.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O maior uso das t\u00e9rmicas acabou onerando a gera\u00e7\u00e3o e obrigando o Governo, para n\u00e3o aumentar os pre\u00e7os, a acumular um d\u00e9ficit de caixa das geradoras a ser compensado em 2015.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Figura 1 mostra a evolu\u00e7\u00e3o da Energia Natural Afluente \u2013 ENA (aflu\u00eancia) mensal, comparada com as de 2012, 2013 e a do in\u00edcio de 2014. A aflu\u00eancia \u00e9 a energia que chega aos reservat\u00f3rios e depende diretamente das chuvas nas bacias. Se a energia gerada supera a que chega (afluente), o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios cai. No caso contr\u00e1rio, o n\u00edvel do reservat\u00f3rio sobe. Na realidade, deve-se ainda levar em conta que, n\u00e3o sendo o sistema integrado completamente, costuma existir a necessidade de verter \u00e1gua em alguns reservat\u00f3rios, mesmo quando existe (como atualmente) car\u00eancia de energia na maioria do sistema.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/figura1eee92.jpg\" alt=\"\" width=\"422\" height=\"298\" data-wp-pid=\"5002\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Figura 1:<\/strong>&nbsp;Aflu\u00eancia \u00e0s barragens no ano de 2012,<br \/>\n2013 e de 2014&nbsp;&#8211; Atualiza\u00e7\u00e3o 30\/04<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A aflu\u00eancia de 2013 foi de 57,0 GW m\u00e9dios sendo 97% da aflu\u00eancia normal de 58,7 GW m\u00e9dios. Para saber a varia\u00e7\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o ao longo do ano \u00e9 s\u00f3 subtrair da energia que \u201caflui\u201d ao reservat\u00f3rio a energia que sai<b><a href=\"https:\/\/ecen.com\/eee92\/eee92p\/apagao2014.htm#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/b>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A gera\u00e7\u00e3o do SIN foi, no ano passado, cerca de 47 GW m\u00e9dios e a energia vertida cerca de 7 GW m\u00e9dios. Ou seja, houve acumula\u00e7\u00e3o de 3 Gw.ano (GW m\u00e9dios durante o ano)&nbsp; ou 36 GW.m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os estoques acumulados na forma de \u00e1gua armazenada evolu\u00edram como mostrado na Figura 2. Mostra-se ainda a curva de avers\u00e3o ao risco recomendada pela E&amp;E que conduziria ao estoque m\u00e1ximo para a aflu\u00eancia m\u00e9dia e o consumo esperado. O estoque de energia armazenada no in\u00edcio do ano era satisfat\u00f3rio no in\u00edcio de 2012, mas nos dois anos seguintes sempre esteve abaixo do ideal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/figura2eee92.jpg\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"328\" data-wp-pid=\"5003\" data-pin-nopin=\"nopin\"><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Figura 2:<\/strong>&nbsp;Estoques de energia armazenada nos<br \/>\nreservat\u00f3rios no final do m\u00eas.&nbsp;Atualiza\u00e7\u00e3o 30\/04<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Figura 2 mostra que a situa\u00e7\u00e3o ao final do ano de 2013 (123 GW.m\u00eas de estoque) estava mais tranquila que a do ano anterior (87 GW.m\u00eas) com a j\u00e1 mencionada eleva\u00e7\u00e3o no estoque de energia no reservat\u00f3rio de 36 GW.m\u00eas. Isto foi poss\u00edvel porque, prudentemente, o Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico &#8211; ONS determinou a manuten\u00e7\u00e3o do uso das t\u00e9rmicas mesmo ap\u00f3s o in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o chuvosa e apesar dos custos adicionais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O estoque de final de ano em 2013 atingiu 82% da meta sugerida pela E&amp;E de&nbsp;150 GW.m\u00eas para opera\u00e7\u00e3o segura do sistema.&nbsp;Esta recupera\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o foi suficiente para eliminar completamente o risco da falta de energia. No entanto, foi uma decis\u00e3o correta que evitou problemas maiores neste ano.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Cen\u00e1rios para 2014<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para 2014, repetindo a an\u00e1lise realizada ano passado, a E&amp;E encontrou uma situa\u00e7\u00e3o mais delicada que a de 2013, em virtude do menor estoque e do maior consumo, situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o compensada com o aumento significativo da capacidade de gera\u00e7\u00e3o e de armazenamento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A aflu\u00eancia at\u00e9 31\/03\/2014 foi 37% menor que a normal. A situa\u00e7\u00e3o no final do primeiro trimestre \u00e9 resumida na Tabela 1<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Tabela 1: Aflu\u00eancia, Gera\u00e7\u00e3o de Eletricidade e Energia Armazenada nos Reservat\u00f3rios at\u00e9 31\/03\/2014<\/strong><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>&nbsp;<\/strong><\/td>\n<td><strong>Unidade<\/strong><\/td>\n<td><strong>Real<\/strong><\/td>\n<td><strong>Esperada(*)<\/strong><\/td>\n<td><strong>Real\/<br \/>\nEsperada<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Aflu\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td>GW m\u00e9dio<\/td>\n<td>58,0<\/td>\n<td>91,8<\/td>\n<td>63%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Gera\u00e7\u00e3o H\u00eddrica<\/strong><\/td>\n<td>GW m\u00e9dio<\/td>\n<td>51,0<\/td>\n<td>48,0<\/td>\n<td>106%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Gera\u00e7\u00e3o N\u00e3o H\u00eddrica<\/strong><\/td>\n<td>GW m\u00e9dio<\/td>\n<td>15,4<\/td>\n<td>16,5<\/td>\n<td>93%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Gera\u00e7\u00e3o Total<\/strong><\/td>\n<td>GW m\u00e9dio<\/td>\n<td>66,4<\/td>\n<td>64,5<\/td>\n<td>103%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Armazenado<\/strong><\/td>\n<td>GW.m\u00eas<\/td>\n<td>117<\/td>\n<td>248<\/td>\n<td>47%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"font-weight: 400;\">(*) Demanda anual 6% superior \u00e0 de 2012<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para fazer a an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o para o restante do ano, considerou-se v\u00e1rias hip\u00f3teses tendo como refer\u00eancia a m\u00e9dia de longo termo \u2013 MLT que \u00e9 a aflu\u00eancia m\u00e9dia hist\u00f3rica do Sistema. Em todos os cen\u00e1rios estudados, seria necess\u00e1rio manter a gera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica ligeiramente superior ao n\u00edvel atual atingindo, 17 GW m\u00e9dios. A energia vertida m\u00e9dia foi considerada de 4 GW.m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Foram considerados os seguintes cen\u00e1rios de aflu\u00eancia para o restante do ano (a partir de abril):<\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><strong>B\u00e1sico<\/strong>: Aflu\u00eancia normal no restante do ano (corresponde a uma redu\u00e7\u00e3o anual de 15% na aflu\u00eancia M\u00e9dia de Longo Termo \u2013 MLT, tendo em vista o j\u00e1 ocorrido at\u00e9 mar\u00e7o);<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><strong>Limite<\/strong>: Redu\u00e7\u00e3o limite de 17% no restante do ano (corresponde a redu\u00e7\u00e3o anual de 25% da MLT); a redu\u00e7\u00e3o para o restante do ano praticamente coincide com a redu\u00e7\u00e3o observada no ano de 2001 (do apag\u00e3o).<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><strong>De M\u00ednima Aflu\u00eancia<\/strong>: Redu\u00e7\u00e3o de 25% na aflu\u00eancia no restante do ano (corresponde \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de 30% da MLT), representativa da m\u00e1xima redu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica verificada<b><a href=\"https:\/\/ecen.com\/eee92\/eee92p\/apagao2014.htm#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/b>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para os tr\u00eas cen\u00e1rios considerados, foi feita uma estimativa da evolu\u00e7\u00e3o dos estoques nos reservat\u00f3rios. O procedimento \u00e9 buscar atingir uma curva de avers\u00e3o ao risco onde os estoques atingiriam 100% dos reservat\u00f3rios com uma aflu\u00eancia normal. O Cen\u00e1rio Limite ou \u201c2001\u201d, tomados inicialmente como distintos, coincidem na circunst\u00e2ncia atual, j\u00e1 que o limite&nbsp;<u>para o resto do ano<\/u>&nbsp;(que evita o racionamento) \u00e9 praticamente igual ao da aflu\u00eancia verificada ao longo do ano de 2001. A Tabela 2 resume os cen\u00e1rios e compara as proje\u00e7\u00f5es com os anos anteriores e do de 2001.<\/p>\n<p>Tabela 2: Dados para anos anteriores e cen\u00e1rios para 2014 (situa\u00e7\u00e3o em 31\/03\/2014)<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Cen\u00e1rio<\/td>\n<td>Estoque Final do ano Anterior<\/td>\n<td>Estoque 31\/03<\/td>\n<td>Estoque M\u00ednimo<\/td>\n<td>Estoque Final de Ano<\/td>\n<td>Aflu\u00eancia Resto do Ano<\/td>\n<td>Aflu\u00eancia Anual<\/td>\n<td>D\u00e9ficit<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Unidade<\/td>\n<td>% capa-cidade<\/td>\n<td>% capa-cidade<\/td>\n<td>% capa-cidade<\/td>\n<td>% capa-cidade<\/td>\n<td>% MLT<\/td>\n<td>% MLT<\/td>\n<td>GW.m\u00eas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2001<\/td>\n<td>36%<\/td>\n<td>61%<\/td>\n<td>28%<\/td>\n<td>32%<\/td>\n<td>88%<\/td>\n<td>84%<\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2012<\/td>\n<td>59%<\/td>\n<td>77%<\/td>\n<td>31%<\/td>\n<td>31%<\/td>\n<td>81%<\/td>\n<td>85%<\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2013<\/td>\n<td>31%<\/td>\n<td>55%<\/td>\n<td>40%<\/td>\n<td>43%<\/td>\n<td>106%<\/td>\n<td>97%<\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2014 B\u00e1sico<\/td>\n<td>40%<\/td>\n<td>41%<\/td>\n<td>28%<\/td>\n<td>33%<\/td>\n<td>100%<\/td>\n<td>85%<\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2014 Limite<\/td>\n<td>40%<\/td>\n<td>41%<\/td>\n<td>6%<\/td>\n<td>7%<\/td>\n<td>83%<\/td>\n<td>75%<\/td>\n<td>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2014 M\u00ednimo<\/td>\n<td>40%<\/td>\n<td>41%<\/td>\n<td>4%<\/td>\n<td>16%<\/td>\n<td>75%<\/td>\n<td>70%<\/td>\n<td>25<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Figura 3 mostra a extrapola\u00e7\u00e3o dos estoques nas hip\u00f3teses estudadas. O sistema mostra-se capaz de absorver uma escassez de chuvas no mesmo n\u00edvel da verificada em 2001, que conduziria a um estoque m\u00ednimo de 7% no final do ano. Na hip\u00f3tese limite (25% de redu\u00e7\u00e3o anual), os reservat\u00f3rios chegariam ao limite de 6% em novembro e o racionamento seria, em princ\u00edpio, evit\u00e1vel. J\u00e1 para o cen\u00e1rio de m\u00ednimo hist\u00f3rico da aflu\u00eancia anual (30%), o racionamento seria inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">Figura 3: Evolu\u00e7\u00e3o do estoque e sua extrapola\u00e7\u00e3o nos diversos cen\u00e1rios (real atualizado 08\/05\/2014)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O exame das proje\u00e7\u00f5es na Figura 3 mostra que o sistema est\u00e1 suficientemente robusto para enfrentar cen\u00e1rios bastante severos como o de 2001, mas n\u00e3o est\u00e1 preparado para a pior seca hist\u00f3rica, que conduziria ao racionamento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mesmo com aflu\u00eancia normal o estoque m\u00ednimo em novembro seria de 78 GW.m\u00eas ou 25% da capacidade e o do fim do ano 92 GW.ano ou 31% da capacidade. Para estar preparado para o pior cen\u00e1rio, o estoque de final de ano dispon\u00edvel deveria ser aquele sugerido pela E&amp;E: de 150 GW (52%&nbsp;da&nbsp;capacidade total). Ou seja, o sistema est\u00e1 praticamente no limite de sua operacionalidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A solu\u00e7\u00e3o definitiva do problema passaria por aumentar a gera\u00e7\u00e3o de base e a gera\u00e7\u00e3o complementar cuja produ\u00e7\u00e3o seja maior na esta\u00e7\u00e3o seca. Seria ideal se essa capacidade pudesse ser utilizada tamb\u00e9m com outros combust\u00edveis como em usinas que usam normalmente biomassa, mas que possam operar tamb\u00e9m com combust\u00edveis convencionais para per\u00edodos secos que atinjam mais de um ano, como o atual.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como foi comentado anteriormente, as condi\u00e7\u00f5es de estoque iniciais do sistema em 2014 eram superiores&nbsp; \u00e0 de 2013,&nbsp;mas o sistema estava em condi\u00e7\u00f5es semelhantes de vulnerabilidade porque houve um acr\u00e9scimo significativo da demanda n\u00e3o acompanhado pelo da capacidade de gera\u00e7\u00e3o e armazenamento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Embora o modelo utilizado apresente in\u00fameras simplifica\u00e7\u00f5es, ele j\u00e1 demonstrou ser capaz de descrever o Sistema e estimar as possibilidades de escassez no abastecimento. A avalia\u00e7\u00e3o aqui feita n\u00e3o considera a poss\u00edvel entrada de nova capacidade de gera\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses. Por outro lado, as simplifica\u00e7\u00f5es adotadas n\u00e3o possibilitam prever as instabilidades de operar o sistema no limite.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Probabilidade de Ocorr\u00eancia dos Cen\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A probabilidade de ocorr\u00eancia dos cen\u00e1rios adotados depende de considera\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas que t\u00eam por base a experi\u00eancia de dados da aflu\u00eancia desde 1931&nbsp;<b><a href=\"https:\/\/ecen.com\/eee92\/eee92p\/apagao2014.htm#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/b>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o, considerar o \u201cresto do ano\u201d como independente do que ocorreu no primeiro trimestre. Nesta hip\u00f3tese, pode-se usar a curva dos desvios da m\u00e9dia ao longo do per\u00edodo dispon\u00edvel (dados do ONS mensais e por regi\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Usando esta correla\u00e7\u00e3o temos:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\">Para o cen\u00e1rio B\u00e1sico ou acima temos uma probabilidade de ocorr\u00eancia de 55%;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\">A probabilidade de estar acima da aflu\u00eancia para o Cen\u00e1rio Limite seria 87%, ou seja a possibilidade de racionamento seria de 13%;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\">Situa\u00e7\u00f5es como o Cen\u00e1rio de M\u00ednima ocorrem apenas em 4% dos anos.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A hip\u00f3tese de independ\u00eancia entre as chuvas do primeiro trimestre e a do restante do ano \u00e9, no entanto, discut\u00edvel, como ser\u00e1 mostrado a seguir.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Figura 4 mostra as aflu\u00eancias anuais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia para o per\u00edodo de mais 81 anos (valor m\u00e9dio = 100). Os anos 2001 e 2012 s\u00e3o destacados com um ponto vermelho na representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Figura 4:Valor relativo da aflu\u00eancia tendo como base a m\u00e9dia para o total de anos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com base nestes dados foi deduzido, no estudo anterior, que existe uma correla\u00e7\u00e3o positiva entre a aflu\u00eancia de um ano e a do seguinte. Ou seja, a possibilidade de a um ano seco suceder outro seco \u00e9 superior a de um onde a precipita\u00e7\u00e3o \u00e9 acima da m\u00e9dia. A Figura 4 sugere ainda que existam intervalos de aproximadamente 15 anos entre estes ciclos da anos secos. O mais extraordin\u00e1rio desses ciclos ocorreu entre 1950 a 1956 com 6 anos abaixo da m\u00e9dia. Embora haja coincid\u00eancias, n\u00e3o pode ser encontrada correla\u00e7\u00e3o desses per\u00edodos secos com El Ni\u00f1o (em verde). Pode existir uma periodicidade que aponta uma poss\u00edvel escassez de chuva em um ano pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De qualquer modo, a hip\u00f3tese de depend\u00eancia do ano anterior aconselha tamb\u00e9m a buscar a correla\u00e7\u00e3o (mais pr\u00f3xima) entre a aflu\u00eancia no primeiro trimestre e a do resto do mesmo ano. Esta correla\u00e7\u00e3o pode ser observada na Figura 5.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">Figura 5: Correla\u00e7\u00e3o entre aflu\u00eancia no primeiro trimestre e o resto do ano<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O valor para 2014 est\u00e1 indicado em vermelho na Figura A8 e seria 37 \u00b1 5 GW.m\u00eas. Ou a aflu\u00eancia anual de 2014 ficaria em 73% \u00b1 8% da normal. Isto significa que a chance da necessidade de racionamento (limite 75%) \u00e9 maior que 50% e que&nbsp;<strong>devem ser tomadas medidas, tanto do lado da oferta como da demanda<\/strong>. De algumas j\u00e1 se tem not\u00edcia, como o leil\u00e3o adicional de energia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Note-se que n\u00e3o foi considerada aumento da oferta para 2014 mas todas as outras condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o no limite e \u00e9 suposta uma integra\u00e7\u00e3o perfeita no Sistema nem sempre poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se as chuvas forem normais no restante do ano, entraremos 2015 com um estoque de cerca de 30% no final de 2014. N\u00e3o haver\u00e1 racionamento neste ano, mas o estoque n\u00e3o seria suficiente para assegurar o consumo de um ano que vem seco.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se as chuvas continuarem escassas, mas no n\u00edvel da esta\u00e7\u00e3o chuvosa do apag\u00e3o de 2001, o abastecimento estaria no limite podendo ocorrer perturba\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na hip\u00f3tese de m\u00ednima aflu\u00eancia hist\u00f3rica, o racionamento ocorreria.&nbsp;Na avalia\u00e7\u00e3o que leva em conta a correla\u00e7\u00e3o entre as chuvas do primeiro trimestre e a do restante do ano esta hip\u00f3tese tem mais de 50% de chance de ocorrer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para este ano, seria prudente alguma atua\u00e7\u00e3o do lado da demanda como pr\u00eamio \u00e0 conten\u00e7\u00e3o do consumo e acordo com ind\u00fastrias intensivas no uso da energia para redu\u00e7\u00e3o do consumo. Um reajuste tarif\u00e1rio seria \u00fatil,&nbsp;n\u00e3o obstante as dificuldades do momento eleitoral.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Poss\u00edveis medidas no sentido de aumentar emergencialmente a oferta se fazem tamb\u00e9m necess\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No ano que vem, mesmo com chuvas normais at\u00e9 o fim deste ano, a situa\u00e7\u00e3o seria potencialmente mais cr\u00edtica que a do in\u00edcio deste ano se n\u00e3o houver um aumento significativo da capacidade de gera\u00e7\u00e3o. Um programa emergencial de t\u00e9rmicas convencionais parece ser a op\u00e7\u00e3o mais conveniente. A quest\u00e3o das maiores emiss\u00f5es associadas n\u00e3o s\u00e3o realmente um problema, j\u00e1 que elas se destinam a situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia e seriam pouco utilizadas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">____________________________________<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Observa\u00e7\u00e3o em 08\/05\/2014: No m\u00eas de Abril, a aflu\u00eancia foi tamb\u00e9m abaixo da normal e a trajet\u00f3ria do estoque \u00e9 a de m\u00ednima (de racionamento), como pode ser visto na Figura 3.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">____________________________________<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>ANEXO: Principais Vari\u00e1veis nos tr\u00eas Cen\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As Figuras A1 a A3 mostram a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e proje\u00e7\u00e3o para as principais vari\u00e1veis do modelo que trata o Sistema Integrado Nacional \u2013 SIN como \u00fanico. Os valores at\u00e9 mar\u00e7o de 2014 s\u00e3o hist\u00f3ricos e os meses seguintes s\u00e3o simulados nos cen\u00e1rios considerados. Por simplicidade, a produ\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica inclui a convencional, a nuclear e tamb\u00e9m a pequena fra\u00e7\u00e3o e\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Figura A1: Principais vari\u00e1veis do Cen\u00e1rio B\u00e1sico<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Figura A2: Principais vari\u00e1veis do Cen\u00e1rio Limite ou \u201c2001\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Figura A3: Principais vari\u00e1veis do Cen\u00e1rio de M\u00ednima Aflu\u00eancia<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Produ\u00e7\u00e3o de Eletricidade nos tr\u00eas cen\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>&nbsp;<\/strong>As Figuras A4 a A6 destacam a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade nos tr\u00eas cen\u00e1rios<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Figura A4: Produ\u00e7\u00e3o de eletricidade por tipo no Cen\u00e1rio B\u00e1sico<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Figura A5: Produ\u00e7\u00e3o de eletricidade por tipo no&nbsp;Cen\u00e1rio&nbsp;Limite ou \u201c2001\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Figura A6: Produ\u00e7\u00e3o de eletricidade por tipo no Cen\u00e1rio de m\u00ednima aflu\u00eancia<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p><b><a href=\"https:\/\/ecen.com\/eee92\/eee92p\/apagao2014.htm#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a><\/b>&nbsp;Varia\u00e7\u00e3o na Acumula\u00e7\u00e3o = Aflu\u00eancia \u2013 Energia Gerada \u2013Energia Vertida<\/p>\n<p>Para 2013, em valores aproximados:<\/p>\n<p>3 GW m\u00e9dios = (57 \u2013 47 \u2013 7 ) GW m\u00e9dios<\/p>\n<p><b><a href=\"https:\/\/ecen.com\/eee92\/eee92p\/apagao2014.htm#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a><\/b>&nbsp;Foram registradas duas ocorr\u00eancias inferiores, a queda de 30% cobre mais de 95% dos mais de oitenta anos computados.<\/p>\n<p><b><a href=\"https:\/\/ecen.com\/eee92\/eee92p\/apagao2014.htm#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a><\/b>&nbsp;Per\u00edodo para as estat\u00edsticas de longo termo 1931 a 2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pode Haver Escassez de Energia El\u00e9trica em 2014? Acompanhamento da situa\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios hidrel\u00e9tricos at\u00e9 31 de Mar\u00e7o de 2014 Carlos Feu Alvim feu@ecen.com Vers\u00e3o em pdf para download Situa\u00e7\u00e3o atual A situa\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios em mar\u00e7o de 2014 acende um sinal amarelo sobre a possibilidade de escassez de energia el\u00e9trica no Pa\u00eds durante o &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/?page_id=4992\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;E&#038;E 92&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4992"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4992"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4992\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5118,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/4992\/revisions\/5118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}