{"id":3188,"date":"2019-03-12T23:18:10","date_gmt":"2019-03-13T02:18:10","guid":{"rendered":"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=3188"},"modified":"2021-06-12T13:17:57","modified_gmt":"2021-06-12T16:17:57","slug":"sistema-eletrico-e-energia-nuclear","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ecen.com.br\/?page_id=3188","title":{"rendered":"Sistema El\u00e9trico e Energia Nuclear"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3188\" class=\"elementor elementor-3188\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-section-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-db85da6 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"db85da6\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-6e86ffb\" data-id=\"6e86ffb\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c6f978e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c6f978e\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong><img src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eee.jpg\" \/><br \/><\/strong><\/span><strong><em>Economia e Energia <\/em><\/strong><strong><em>\u2013 <\/em>Ano XXIII\u00a0 N\u00ba 102, Janeiro a Mar\u00e7o de 2019<\/strong><br \/>ISSN 1518-2932\u00a0 \u00a0<\/p><p><strong>Dispon\u00edvel em:<\/strong> <a href=\"http:\/\/ecen.com.br\">http:\/\/ecen.com.br<\/a> e <a href=\"http:\/\/ecen.com\">http:\/\/ecen.com<\/a><\/p><p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Opini\u00e3o: <\/strong><\/span><\/p><h1><a name=\"_Toc2630851\"><\/a><strong>SISTEMA EL\u00c9TRICO E\u00a0ENERGIA NUCLEAR NO BRASIL<\/strong><\/h1><p><em>Othon Pinheiro da Silva,Olga Mafra e Carlos Feu Alvim <\/em><\/p><h3><a name=\"_Toc2630852\"><\/a><em>Resumo<\/em><\/h3><p>A energia nuclear \u00e9 a mais recente das fontes energ\u00e9ticas que utiliza a humanidade e est\u00e1 completando oitenta anos.<\/p><p>Sua utiliza\u00e7\u00e3o inicial foi b\u00e9lica e isto marcou seu futuro. Sua utiliza\u00e7\u00e3o pac\u00edfica na gera\u00e7\u00e3o de energia nuclear se d\u00e1 principalmente na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, mas \u00e9 tamb\u00e9m muito relevante o uso de is\u00f3topos na medicina. A energia nuclear \u00e9 hoje reconhecida como caminho eficaz para reduzir a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa. Na matriz energ\u00e9tica brasileira, ela tem a participa\u00e7\u00e3o de 3% e permanecer\u00e1 com uma participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria na matriz energ\u00e9tica brasileira nas pr\u00f3ximas 3 d\u00e9cadas.<\/p><p>A abertura econ\u00f4mica dos anos de 1990 tentou reorganizar o sistema el\u00e9trico de maneira a admitir a maior participa\u00e7\u00e3o do capital privado e, for\u00e7ada pelo \u201capag\u00e3o de 2001\u201d, incorporou novas fontes de na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade. O sistema adotado, com forte influ\u00eancia do exemplo termoel\u00e9trico brit\u00e2nico, apresentou problemas que precisam ser equacionados levando melhor em conta suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e sua complexidade econ\u00f4mica, geogr\u00e1fica e clim\u00e1tica. A impossibilidade construir grandes reservat\u00f3rios incluiu a energia h\u00eddrica entre as fontes sujeitas aos caprichos da natureza como a e\u00f3lica, solar e biomassa,.<\/p><p>A solu\u00e7\u00e3o dessas complexidades demanda uma reforma do sistema el\u00e9trico que necessita de energia est\u00e1vel de base, onde a nuclear deve colaborar e tamb\u00e9m para cobrir as oscila\u00e7\u00f5es do sistema com melhor uso dos reservat\u00f3rios e o ocasional uso de fontes t\u00e9rmicas.<\/p><h3><a name=\"_Toc2630853\"><\/a><em>Palavras chave:<\/em><\/h3><p>Sistema el\u00e9trico, energia nuclear, gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, gest\u00e3o, clima.<\/p><p>_________________________<\/p><h3><a name=\"_Toc2630854\"><\/a>1.\u00a0\u00a0\u00a0 Energia Nuclear: Explos\u00e3o Inicial<\/h3><p>A energia nuclear \u00e9 a mais recente entre as fontes dispon\u00edveis de energia utilizadas pela humanidade. <a href=\"http:\/\/www.atomicarchive.com\/Timeline\/Time1930.shtml\">A descoberta da fiss\u00e3o nuclear<\/a> ocorreu em 1938\/1939 quando Otto Hahn submeteu e publicou seus resultados experimentais e Lise Meitner e Otto Frish completaram a interpreta\u00e7\u00e3o dos experimentos de Otto Hahn (Atomic Archive). A energia nuclear est\u00e1, portanto, completando 80 anos de idade<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p><p>Como a descoberta da fiss\u00e3o nuclear coincidiu com o in\u00edcio da Segunda Guerra mundial, sua primeira aplica\u00e7\u00e3o foi b\u00e9lica. A humanidade tomou conhecimento da energia nuclear em 1945 com os holocaustos de Hiroshima e Nagasaki que provocam at\u00e9 hoje, no ide\u00e1rio popular, natural rejei\u00e7\u00e3o a esta fonte de energia.<\/p><p>Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, teve inicio a geopol\u00edtica bipolar onde o mundo foi dividido em dois grandes blocos, o Ocidental liderado pelos Estados Unidos e o Bloco Sovi\u00e9tico liderado pela ent\u00e3o Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (cuja sucessora \u00e9 a R\u00fassia).<\/p><p>A ONU foi criada em 1945 e os cinco pa\u00edses, considerados os vencedores da Segunda Grande Guerra Mundial, EUA, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Reino Unido, Fran\u00e7a e China, ocuparam os lugares permanentes no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, tendo poder de veto. N\u00e3o por coincid\u00eancia, estes mesmos pa\u00edses foram os primeiros a se juntar ao \u201cClube Nuclear\u201d, entre 1949 e 1964<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A China foi, at\u00e9 1971, representada pelo governo nacionalista de Taiwan. A partir daquele ano, a <a href=\"https:\/\/www.armscontrol.org\/factsheets\/Nuclearweaponswhohaswhat\">Resolu\u00e7\u00e3o 2758<\/a> (UN, 1971) da Assembleia Geral da ONU estabeleceu a Rep\u00fablica Popular da China como representante daquele pa\u00eds na ONU e no Conselho de Seguran\u00e7a.<\/p><p>Foi estabelecida uma corrida armamentista, entre estes dois grandes blocos, que priorizava a fabrica\u00e7\u00e3o de bombas at\u00f4micas e m\u00edsseis de longo alcance para transportar as ogivas nucleares. Na d\u00e9cada de 1950, as bombas nucleares tiveram sua capacidade de destrui\u00e7\u00e3o \u201cexponenciada\u201d com o desenvolvimento das bombas nucleares que usam a fus\u00e3o nuclear (comumente conhecida como Bomba H, de hidrog\u00eanio). A corrida armamentista continuou crescendo at\u00e9 que ambos os blocos entenderam o conceito MAD \u2013 <em>Mutual Assured Destruction<\/em> (destrui\u00e7\u00e3o mutua assegurada). Acordos entre as duas maiores pot\u00eancias e o fim da Guerra Fria levaram a uma sens\u00edvel redu\u00e7\u00e3o das ogivas nucleares e a quantidade delas diminuiu. Atualmente, o n\u00famero est\u00e1 est\u00e1vel, mas ainda foi mantido um consider\u00e1vel estoque mundial de bombas <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p><p>Os cinco componentes do \u201cClube Nuclear\u201d s\u00e3o membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a e cada uma das cinco pot\u00eancias tem a prerrogativa de vetar as resolu\u00e7\u00f5es da ONU. Posteriormente, Israel (veladamente), \u00cdndia, Paquist\u00e3o e Coreia do Norte agregaram armas at\u00f4micas aos seus arsenais, mas sem adquirir o \u201cstatus\u201d de \u201c<em>nuclear weapon states<\/em>\u201d no Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear &#8211; TNP ou de membro do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3140\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/estoque_aaeua.png\" alt=\"\" width=\"634\" height=\"389\" data-wp-pid=\"3140\" srcset=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/estoque_aaeua.png 634w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/estoque_aaeua-300x184.png 300w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/estoque_aaeua-600x368.png 600w\" sizes=\"(max-width: 634px) 100vw, 634px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Figura 1: Evolu\u00e7\u00e3o das ogivas nucleares nos EUA.<\/p><p>Em 1965, o estoque de armas nucleares nos EUA havia superado as 30.000 ogivas, logo ap\u00f3s a crise dos m\u00edsseis em Cuba (Figura 1). A partir da\u00ed, houve uma gradual redu\u00e7\u00e3o dos arsenais, tanto dos EUA como da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, com acordos de desarmamento a partir de 1991. Seguiu-se a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e os estoques de armas nucleares se estabilizaram a partir de 2010. Sabe-se menos a respeito da evolu\u00e7\u00e3o dos estoques da extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. R\u00fassia e EUA teriam, em 2018, um arsenal um pouco superior a 6.500 ogivas cada (Arms Control Association, 2018).<\/p><h3><a name=\"_Toc2630855\"><\/a>2.\u00a0\u00a0\u00a0 Energia Nuclear para Gerar Eletricidade<\/h3><p>J\u00e1 no in\u00edcio dos anos sessenta, com o in\u00edcio do arrefecimento da grande corrida armamentista bipolar mundial houve mais espa\u00e7o para aplica\u00e7\u00f5es pac\u00edficas. Surgiram usinas nucleares incorporadas \u00e0 rede de distribui\u00e7\u00e3o. As primeiras parecem ser a de Obninsky APS-1 que em 1954 teria se conectado, com 5 MW, \u00e0 rede, a de Sellafield (Calder Hall) no Reino Unido, que iniciou seu funcionamento em 1956 com capacidade inicial de 50 MW, depois aumentada para cerca de 200 MW (European Nuclear Society), e que seria tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/uk\/2003\/mar\/21\/nuclear.world\">a primeira a ser descomissionada<\/a> \u00a0(Brawn, 2003) e a Shipping Port Atomic Power com 60 MWe da Duquesne Light Company \u00a0(Craddock III, 2016) nos Estados Unidos que, <a href=\"http:\/\/plantdecommissioning.com\/nuclear1\/reactor_list\/shippingport.htm\">de acordo com a <em>US Nuclear Regulatory Comission<\/em><\/a>, foi a primeira projetada para uso comercial, tornando-se operacional em 1957.<\/p><p>A partir de 1962, a tecnologia nuclear come\u00e7ou a ter sua utiliza\u00e7\u00e3o ampliada na gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e se iniciou um per\u00edodo de grande euforia, denominado por Weinberg como a \u201cprimeira era nuclear\u201d\u00a0(Alvin, 1997) onde inicialmente havia a utopia de que seria poss\u00edvel produzir grandes quantidades de energia el\u00e9trica a pre\u00e7os ridiculamente baixos com a fonte nuclear. No final da d\u00e9cada de 1960, iniciou-se a conscientiza\u00e7\u00e3o da realidade dos pre\u00e7os.<\/p><p>O incidente ocorrido na usina de <em>Three Mile Island<\/em>, dia 28 de Mar\u00e7o de 1979, em Harrisburg Pensilv\u00e2nia nos Estados Unidos, embora n\u00e3o tenha causado praticamente nenhum dano humano ou material, serviu de alerta para o que deveria ser aprimorado nos conceitos de opera\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a das usinas nucleares. Esse alerta provocou modifica\u00e7\u00f5es em todas as usinas nucleares que usavam reatores tipo PWR &#8211; <em>Pressurized Water Reactor<\/em>, aumentando sua seguran\u00e7a.<\/p><p>Entretanto j\u00e1 existiam outras usinas nucleares com reatores de tecnologia menos segura como os reatores RMBK de Chernobyl, Ucr\u00e2nia e tamb\u00e9m usinas em cuja instala\u00e7\u00e3o n\u00e3o haviam sido respeitadas as boas normas internacionais de seguran\u00e7a em sua localiza\u00e7\u00e3o, particularmente, na sua cota de posicionamento em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do mar como ocorreu em algumas das usinas BWR- Boiling Water Reactor , que foram constru\u00eddas na Central Nuclear de Fukushima, Jap\u00e3o. Uma descri\u00e7\u00e3o do ocorrido foi publicada pela AIEA (AIEA, 2015).<\/p><p>As usinas da Central Nuclear Fukushima foram constru\u00eddas em uma cota baixa relativa ao n\u00edvel do mar. A cota do protetor marinho foi fixada em 5,5 m a partir de avalia\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis na \u00e9poca. Uma reavalia\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o superior que cuida de terremotos no Jap\u00e3o, anterior aos eventos, modificou para cima o n\u00edvel de terremoto que poderia ser esperado na regi\u00e3o bem como a altura da onda do Tsunami. A <em>Tokyo Electric Power Company<\/em> &#8211; TEPCO, propriet\u00e1ria da Central, n\u00e3o mudou as especifica\u00e7\u00f5es das usinas nem foi for\u00e7ada a isto pelo \u00f3rg\u00e3o regulador nuclear japon\u00eas. Com isso, a cota da usina era inferior \u00e0 altura para resistir \u00e0 onda m\u00e1xima prevista na reavalia\u00e7\u00e3o. A previs\u00e3o dessa reavalia\u00e7\u00e3o estava pr\u00f3xima da que realmente atingiu a Central (cerca de 10m) .<\/p><p>As instala\u00e7\u00f5es diesel, geradoras de energia em emerg\u00eancia, existem em todas as usinas nucleares, para prover a energia el\u00e9trica necess\u00e1ria para operar o sistema de remo\u00e7\u00e3o do calor residual no combust\u00edvel dos reatores nucleares, ap\u00f3s o seu desligamento. Em Fukushima, em virtude de insuficiente altura em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do mar, estas instala\u00e7\u00f5es, auxiliares porem muito importantes, foram alagadas pela onda causada pelo tsunami e ficaram inoperantes.<\/p><p>O n\u00e3o funcionamento do sistema de remo\u00e7\u00e3o do calor residual levou a fus\u00e3o de alguns dos n\u00facleos dos reatores da Central. Todas as usinas nucleares s\u00e3o dotadas de sensores de vibra\u00e7\u00e3o e aceler\u00f4metros que provocam a interrup\u00e7\u00e3o do funcionamento e desligamento das usinas quando ocorrem terremotos mesmo de baixa intensidade.<\/p><p>A analise posterior da central de Fukushima indicou que suas usinas, sob o ponto da integridade das suas estruturas, tubula\u00e7\u00f5es e equipamentos resistiram bem ao terremoto que foi maior do que o terremoto com as caracter\u00edsticas para o quais foram projetadas. A Central Nuclear de Fukushima se encontra localizada a pouco mais de noventa milhas n\u00e1uticas do encontro de tr\u00eas placas tect\u00f4nicas que transforma aquela regi\u00e3o em um dos locais mais inst\u00e1veis sob o ponto de vista da sismologia e, por via de consequ\u00eancia, muito sujeita a grandes terremotos e tsunamis. O acidente evidenciou o posicionamento das instala\u00e7\u00f5es diesel geradoras de emerg\u00eancia em altura insuficiente em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do mar. N\u00e3o foram devidamente consideradas, no projeto, as peculiaridades locais causadas pela proximidade do encontro de placas tect\u00f4nicas.<\/p><p>\u00c0 inoper\u00e2ncia dos geradores de emerg\u00eancia \u00e1 diesel (s\u00f3 um, da unidade 6, n\u00e3o foi atingido) e das baterias de emerg\u00eancia, em 3 delas, provocaram os piores acidentes (derretimento do elemento combust\u00edvel e vazamento do vaso de conten\u00e7\u00e3o). Deve-se notar que n\u00e3o houve vazamento significativo de plut\u00f4nio como no caso do acidente de Chernobyl. Isso pode contribuir para tornar poss\u00edvel a recupera\u00e7\u00e3o, no m\u00e9dio prazo, de boa parte da \u00e1rea atingida.<\/p><h3><a name=\"_Toc2630856\"><\/a>3.\u00a0\u00a0\u00a0 Energia N\u00facleo El\u00e9trica no Brasil<\/h3><p>A decis\u00e3o brasileira, no inicio da d\u00e9cada 1970, de construir a Usina Nuclear Angra 1 e posteriormente a decis\u00e3o de assinar o Acordo Nuclear Brasil Alemanha em 1975, n\u00e3o foi bem assimilada pelo setor el\u00e9trico de ent\u00e3o que naturalmente tinha cultura fortemente hidrel\u00e9trica pelo fato desta fonte, at\u00e9 ent\u00e3o, atender perfeitamente \u00e0s necessidades de demanda de energia el\u00e9trica brasileiras.<\/p><p>Em decorr\u00eancia do Acordo Nuclear Brasil Alemanha, de 1975, foi programada a constru\u00e7\u00e3o de mais duas usinas em Angra dos Reis (2 e 3) e ainda a constru\u00e7\u00e3o de mais duas usinas no litoral sul do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p><p>Naquela \u00e9poca, a op\u00e7\u00e3o nuclear se constituiu numa decis\u00e3o de c\u00fapula em um regime de exce\u00e7\u00e3o, ainda inspirada na utopia de produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica a pre\u00e7os muito baixos. A influ\u00eancia de fatores ligados \u00e0 geopol\u00edtica foi tamb\u00e9m fator importante. A crise mundial causada pelo grande aumento do pre\u00e7o do petr\u00f3leo em 1973 foi utilizada como motivadora da decis\u00e3o.<\/p><h3><a name=\"_Toc2630857\"><\/a>4.\u00a0\u00a0\u00a0 A Tradi\u00e7\u00e3o Hidroel\u00e9trica<\/h3><p>A determina\u00e7\u00e3o governamental, na d\u00e9cada de 1970, de incorporar energia nuclear ao sistema el\u00e9trico foi imposta ao setor el\u00e9trico em paralelo com um grande programa de constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas j\u00e1 em curso. Este, embora contasse com a aprova\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico, teve seu dimensionamento decidido no mesmo regime verticalizado de decis\u00e3o. Esse programa hidroel\u00e9trico previa o aproveitamento de praticamente todas as possibilidades de constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas nos rios situados na regi\u00e3o que se estende do Vale do Rio S\u00e3o Francisco at\u00e9 Itaipu. Foram grandes os investimentos no setor el\u00e9trico nesta \u00e9poca, um dos setores que mais recebeu investimentos no Brasil. O grande crescimento anual do PIB &#8211; Produto Interno Bruto naquele per\u00edodo e a atratividade pol\u00edtico\/empresarial das obras foram estimuladores deste grande investimento setorial.<\/p><p>A regi\u00e3o acima mencionada era muito convidativa para constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas, pois \u00e9 geologicamente est\u00e1vel, localizada no meio de uma grande placa tect\u00f4nica, dotada de oportunidades de aproveitamentos hidrel\u00e9tricos em locais que j\u00e1 haviam sido desmatados em fun\u00e7\u00e3o de ciclos agr\u00edcolas e apresentava topografia que permitia a constru\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios com grande capacidade de armazenamento de \u00e1gua. Esta regi\u00e3o apresentava um conjunto de caracter\u00edsticas favor\u00e1veis \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas raramente encontradas em outros locais do nosso planeta.<\/p><p>Na d\u00e9cada anterior (de 1960) o sistema el\u00e9trico nacional havia sido padronizado em corrente alternada com sessenta ciclos por segundo. At\u00e9 ent\u00e3o, a regi\u00e3o de Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1 operavam com sessenta ciclos enquanto o Rio de Janeiro operava com cinquenta ciclos. A padroniza\u00e7\u00e3o da ciclagem facilitou a integra\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico nacional onde as maiores fontes geradoras, as hidrel\u00e9tricas, t\u00eam suas localiza\u00e7\u00f5es definidas pela natureza e n\u00e3o pelo homem.<\/p><p>Ao longo da d\u00e9cada de 1980, as hidrel\u00e9tricas atendiam plenamente a demanda de eletricidade. O estoque de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios dessas usinas complementava o fornecimento de \u00e1gua necess\u00e1rio ao funcionamento satisfat\u00f3rio das turbinas em todas as ocasi\u00f5es. Isso acontecia, tanto nos meses do ano em que as vaz\u00f5es dos rios eram menores do que a demanda de energia el\u00e9trica, como nos ciclos pluviom\u00e9tricos de seca na regi\u00e3o central do Brasil, onde est\u00e3o localizadas as nascentes, e os rios que alimentam grande parte do sistema hidrel\u00e9trico nacional.<\/p><p>Nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, as hidrel\u00e9tricas que haviam sido constru\u00eddas depois do racionamento na d\u00e9cada de 1960 continuaram satisfazendo \u00e0 demanda de eletricidade, mesmo nos anos mais secos dos ciclos pluviom\u00e9tricos plurianuais que, historicamente, parecem se repetir com a periodicidade de cerca de dez a doze anos aproximadamente.<\/p><p>A partir da segunda metade da d\u00e9cada de 1980, o sistema el\u00e9trico come\u00e7ou a apresentar problemas em termos administrativos e gerenciais. Havia inadimpl\u00eancia de uma estatal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 outra e muita interfer\u00eancia do setor pol\u00edtico. \u00c9 emblem\u00e1tico o desafio do Governador Orestes Qu\u00e9rcia de S\u00e3o Paulo ao Presidente de Furnas (e anteriormente Ministro) Dr. Camilo Pena: Face \u00e0 inadimpl\u00eancia por parte do Estado de S\u00e3o Paulo, o Governador tranquilamente desafiou o Presidente de Furnas sugerindo, ironicamente, \u201cdesligar S\u00e3o Paulo\u201d. O assunto foi afinal resolvido pela interfer\u00eancia de pessoas sensatas.<\/p><p>Em alguns Estados da Federa\u00e7\u00e3o havia empresas estatais estaduais que produziam, transmitiam e distribu\u00edam a energia el\u00e9trica e tamb\u00e9m recebiam energia das empresas estatais nacionais pertencentes \u00e0 ELETROBRAS. N\u00e3o havia a separa\u00e7\u00e3o administrativa empresarial entre a produ\u00e7\u00e3o de energia por atacado nas hidroel\u00e9tricas, a transmiss\u00e3o (o transporte a dist\u00e2ncia da energia) e a distribui\u00e7\u00e3o ao utilizador final, ou seja, o varejo. A influ\u00eancia pol\u00edtico partid\u00e1ria cresceu demais e passou a comprometer o funcionamento de todo o sistema.<\/p><h3><a name=\"_Toc2630858\"><\/a>5.\u00a0\u00a0\u00a0 A Reforma do Sistema El\u00e9trico dos Anos 1990<\/h3><p>Na d\u00e9cada de 1990, estava evidente a necessidade de reformata\u00e7\u00e3o administrativa gerencial do sistema el\u00e9trico nacional e a economia brasileira foi atingida por uma onda de liberalismo. Foi contratada ent\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o de uma empresa consultora do Reino Unido para tratar da reformula\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico nacional. O sistema el\u00e9trico Ingl\u00eas, ao qual os consultores estavam acostumados, era prevalentemente t\u00e9rmico e com caracter\u00edsticas completamente diferentes do sistema brasileiro. Na reestrutura\u00e7\u00e3o, p\u00f3s Margaret Thatcher, do sistema el\u00e9trico do Reino Unido em 1983 foi introduzido na regulamenta\u00e7\u00e3o o conceito de competi\u00e7\u00e3o e houve grande privatiza\u00e7\u00e3o das empresas participantes do fornecimento da energia el\u00e9trica produzida e distribu\u00edda no Reino Unido.<\/p><p>O sistema el\u00e9trico ingl\u00eas, nos anos noventa, era quase inteiramente termoel\u00e9trico e muito dependente da utiliza\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o que estava come\u00e7ando a ser substitu\u00eddo por g\u00e1s natural. O funcionamento das centrais que utilizam estes combust\u00edveis \u00e9 bastante independente de ciclos da natureza e praticamente sujeito somente ao planejamento e controle humano. A fonte h\u00eddrica representava apenas cerca de 2,5% do total da energia produzida naquele pa\u00eds.<\/p><p>O grupo de consultores ingleses tinha o \u201cDNA\u201d termoel\u00e9trico e era, logicamente, orientado pelas ideias de liberaliza\u00e7\u00e3o da economia, privatiza\u00e7\u00e3o e competi\u00e7\u00e3o. Esta \u201cescola de pensamento\u201d contribuiu para que este \u201cDNA\u201d da onda econ\u00f4mica p\u00f3s Margareth Thatcher fosse fortemente \u201cmiscigenado\u201d na formula\u00e7\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico brasileiro, majoritariamente hidrel\u00e9trico, que necessita compatibilizar o planejamento de sua opera\u00e7\u00e3o com as varia\u00e7\u00f5es do sistema pluviom\u00e9trico controlado pela natureza e n\u00e3o pelo homem como \u00e9 o sistema t\u00e9rmico do Reino Unido.<\/p><p>Um estudo adequado que fosse realizado por grupo competente e analisasse as caracter\u00edsticas e as peculiaridades do sistema el\u00e9trico brasileiro e se preocupasse, n\u00e3o somente, em seguir as regras de comercializa\u00e7\u00e3o da economia liberal, teria identificado que o estoque m\u00e1ximo de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas brasileiras havia se mantido constante desde a d\u00e9cada de 1980 enquanto o consumo de energia el\u00e9trica naturalmente continuou crescendo e isto certamente repercutiria no planejamento e na opera\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico brasileiro, predominantemente hidroel\u00e9trico. Ou seja, a reforma implantada nos anos 1990 n\u00e3o peca por seu car\u00e1ter liberal \u2013 cuja discuss\u00e3o \u00e9 importante, mas est\u00e1 em uma esfera mais ampla \u2013 mas por n\u00e3o haver levado devidamente em conta a natureza f\u00edsica do sistema el\u00e9trico existente.<\/p><p>Em 2001, o pa\u00eds vivia um per\u00edodo de pouca pluviosidade e os reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas se encontravam praticamente vazios. O Brasil foi ent\u00e3o \u201csurpreendido pelo obvio\u201d e tornou-se necess\u00e1rio o racionamento de energia el\u00e9trica que \u201ca m\u00eddia\u201d apelidou de \u201capag\u00e3o\u201d.<\/p><p>Na realidade o \u201capag\u00e3o el\u00e9trico\u201d havia sido precedido de um \u201capag\u00e3o de compet\u00eancia\u201d ao n\u00e3o se entender, por quase uma d\u00e9cada, que o aumento e a transforma\u00e7\u00e3o do consumo implicariam em modifica\u00e7\u00f5es compat\u00edveis na produ\u00e7\u00e3o e na transmiss\u00e3o de eletricidade no Brasil.<\/p><p>A Usina Nuclear Angra 1 havia sido fornecida pela Westinghouse e iniciou seu funcionamento comercial em dezembro de 1984. Infelizmente, principalmente por falhas t\u00e9cnicas de projeto, apresentou baixo n\u00edvel de desempenho ao longo das d\u00e9cadas de 1980 e 1990. Raz\u00f5es financeiras fizeram com que a Usina Nuclear Angra 2 tivesse desacelerada sua constru\u00e7\u00e3o e o in\u00edcio da sua opera\u00e7\u00e3o comercial somente ocorresse em fevereiro de 2001. Estes fatos contribu\u00edram para a descren\u00e7a dos executivos do sistema el\u00e9trico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 op\u00e7\u00e3o nuclear. At\u00e9 o inicio do funcionamento comercial da Usina Nuclear Angra 2 o \u201csistema el\u00e9trico\u201d associava energia nuclear unicamente a grandes investimentos e baixo desempenho.<\/p><p>Esse mesmo \u201csistema el\u00e9trico\u201d reconheceu, no entanto, que sem a entrada em funcionamento comercial da Usina Termonuclear Angra 2 com 1300 MW de pot\u00eancia el\u00e9trica, no in\u00edcio de 2001, o \u201capag\u00e3o el\u00e9trico\u201d teria sido ainda maior.<\/p><p>Em consequ\u00eancia do \u201capag\u00e3o\u201d, imediatamente foi decidida a constru\u00e7\u00e3o de termoel\u00e9tricas que usam como combust\u00edvel \u00f3leo ou g\u00e1s e que apresentavam menor investimento inicial e menor prazo de constru\u00e7\u00e3o.<\/p><p>As termel\u00e9tricas que foram constru\u00eddas a partir do \u201capag\u00e3o\u201d t\u00eam contribu\u00eddo para garantir a continuidade no fornecimento de eletricidade independentemente das varia\u00e7\u00f5es do regime pluviom\u00e9trico, mas provocam excessivo aumento do pre\u00e7o m\u00e9dio da eletricidade ofertada ao consumidor, sobretudo porque, ao menos substancial parcela delas tem sido operada continuamente (na base de carga). Desconsidera-se tamb\u00e9m o aumento da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, ignorando compromissos assumidos internacionalmente pelo Pa\u00eds.<\/p><p>A experi\u00eancia internacional demonstra que termoel\u00e9tricas para funcionarem continuamente \u201cna base de carga\u201d devem ser preferencialmente termoel\u00e9tricas convencionais, usando carv\u00e3o como combust\u00edvel, ou usinas nucleares. As usinas convencionais a carv\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis por 38% da energia el\u00e9trica produzida no mundo, as t\u00e9rmicas a g\u00e1s natural representam 23% e o \u00f3leo combust\u00edvel apenas 3%. A contribui\u00e7\u00e3o mundial total das usinas hidrel\u00e9tricas \u00e9 da mesma ordem de grandeza (16 %) da contribui\u00e7\u00e3o da fonte nuclear (10 %) e a das fontes renov\u00e1veis (8%).<\/p><p>A Figura 2 ilustra a enorme diferen\u00e7a da distribui\u00e7\u00e3o das fontes energ\u00e9ticas usadas na gera\u00e7\u00e3o de energia que, por sua natureza completamente diversa da m\u00e9dia mundial, tem que ser administrado de uma maneira tamb\u00e9m diferente.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3109\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/figura2.png\" alt=\"\" width=\"629\" height=\"432\" data-wp-pid=\"3109\" srcset=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/figura2.png 629w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/figura2-300x206.png 300w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/figura2-600x412.png 600w\" sizes=\"(max-width: 629px) 100vw, 629px\" \/><\/p><table width=\"100%\"><tbody><tr><td width=\"11%\">\u00a0<\/td><td width=\"9%\"><p>\u00d3leo<\/p><\/td><td width=\"12%\"><p>G\u00e1s Natural<\/p><\/td><td width=\"12%\"><p>Carv\u00e3o<\/p><\/td><td width=\"12%\"><p>Nuclear<\/p><\/td><td width=\"9%\"><p>Hidro<\/p><\/td><td width=\"11%\"><p>Reno-v\u00e1veis<\/p><\/td><td width=\"20%\"><p>Outros<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"11%\"><p>Brasil<\/p><\/td><td width=\"9%\"><p>3%<\/p><\/td><td width=\"12%\"><p>11%<\/p><\/td><td width=\"12%\"><p>4%<\/p><\/td><td width=\"12%\"><p>3%<\/p><\/td><td width=\"9%\"><p>63%<\/p><\/td><td width=\"11%\"><p>17%<\/p><\/td><td width=\"20%\"><p>0%<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"11%\"><p>Mundo<\/p><\/td><td width=\"9%\"><p>3%<\/p><\/td><td width=\"12%\"><p>23%<\/p><\/td><td width=\"12%\"><p>38%<\/p><\/td><td width=\"12%\"><p>10%<\/p><\/td><td width=\"9%\"><p>16%<\/p><\/td><td width=\"11%\"><p>8%<\/p><\/td><td width=\"20%\"><p>1%<\/p><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>Fonte: BP stats-review-2018-all-data (dados referentes a 2017) (BP, 2018)<\/p><p style=\"text-align: center;\">Figura 2: Compara\u00e7\u00e3o das estruturas de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade no Brasil e no mundo mostrando a peculiar estrutura brasileira,<\/p><p>Embora ainda muito menor do que faz acreditar sua divulga\u00e7\u00e3o, tem sido crescente a contribui\u00e7\u00e3o da energia renov\u00e1vel, principalmente e\u00f3lica, mas tamb\u00e9m solar na produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica no Brasil e no mundo. A energia e\u00f3lica mais a solar representaram em 2017 8% no mundo e 7,3% no Brasil. \u00c9 destaque no Brasil a participa\u00e7\u00e3o da biomassa que representa cerca de 9% da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica (na Figura 2, inclu\u00edda entre as renov\u00e1veis).<\/p><p>O desenvolvimento da tecnologia, com o uso de redes el\u00e9tricas inteligentes, indica a tend\u00eancia ao crescimento na utiliza\u00e7\u00e3o da energia e\u00f3lica e tamb\u00e9m da energia solar na produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica brasileira, respeitando, evidentemente, suas caracter\u00edsticas de fontes intermitentes e, portanto, dependentes de complementa\u00e7\u00e3o.<\/p><h3><a name=\"_Toc2630859\"><\/a>6.\u00a0\u00a0\u00a0 Repensando o Sistema El\u00e9trico<\/h3><p>Parece necess\u00e1rio repensar e reestruturar o sistema el\u00e9trico brasileiro, fundamentado em pr\u00e1ticas comerciais n\u00e3o condizentes com as peculiaridades brasileiras, que atualmente mant\u00e9m quase as mesmas bases estabelecidas na d\u00e9cada de 1990. A revis\u00e3o do planejamento do sistema el\u00e9trico certamente tender\u00e1 incorporar os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e a maior utiliza\u00e7\u00e3o das redes inteligentes.<\/p><p>Na reestrutura\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico brasileiro, as necess\u00e1rias modifica\u00e7\u00f5es na opera\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o devem ser compatibilizadas com as caracter\u00edsticas das fontes prim\u00e1rias nacionais de produ\u00e7\u00e3o de eletricidade e tamb\u00e9m com o tipo de distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e peculiaridades da demanda de energia.<\/p><p>O varejo, ou seja, a distribui\u00e7\u00e3o final da energia el\u00e9trica em m\u00e9dia e baixa tens\u00e3o ao consumidor, ap\u00f3s as subesta\u00e7\u00f5es rebaixadoras de tens\u00e3o, \u00e9 praticamente independente da fonte produtora de energia. Trata-se de atividade administrativa e gerencial muito din\u00e2mica normalmente melhor executada por empresas privadas em regime de concess\u00e3o. Esta atividade pode ser fracionada para evitar grande concentra\u00e7\u00e3o de poder em uma \u00fanica empresa distribuidora em grande \u00e1rea do territ\u00f3rio nacional.<\/p><p>A l\u00f3gica pode indicar que as empresas privadas, \u201crespons\u00e1veis pelo varejo\u201d, ou seja, pela entrega da energia el\u00e9trica ao consumidor final, tenham a sua sede no munic\u00edpio embora possam ter como acionistas majorit\u00e1rios empresas \u201cholding\u201d que n\u00e3o tenham sede no munic\u00edpio. \u00c9 desej\u00e1vel que nas empresas distribuidoras municipais de energia uma pequena percentagem de suas a\u00e7\u00f5es seja de propriedade de moradores no munic\u00edpio e que comprariam e tamb\u00e9m venderiam suas a\u00e7\u00f5es ao \u201cpre\u00e7o de face das a\u00e7\u00f5es\u201d. \u00c9 importante que o representante deste grupo minorit\u00e1rio fa\u00e7a parte do conselho administrativo da empresa municipal. Em caso de \u201cholding\u201d controladora, obrigatoriamente um dos membros do conselho de administra\u00e7\u00e3o, deveria pertencer a secretaria de energia do estado. A proximidade do entregador da energia com o cliente tende a aprimorar esse atendimento. Um bom exemplo de funcionamento deste sistema \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.belmontlight.com\/about\/governance\/\">Munic\u00edpio de Belmont no Estado de Massachusetts, Estados Unidos<\/a>.<\/p><p>A distribui\u00e7\u00e3o final da energia por companhia com a sede situada no munic\u00edpio contribui para aumentar a renda municipal e diminuir a \u201cexporta\u00e7\u00e3o\u201d de capital da comunidade utilizadora final de energia para outros lugares.<\/p><p>A prioridade do sistema el\u00e9trico nacional certamente dever\u00e1 ser a garantia e seguran\u00e7a do fornecimento de eletricidade, buscando o menor pre\u00e7o m\u00e9dio do Megawatt-hora (MWh) e a minimiza\u00e7\u00e3o do impacto ambiental.<\/p><p>No planejamento do sistema el\u00e9trico \u00e9 importante considerar que, ressalvada sua grande import\u00e2ncia, este setor se constitui um segmento da matriz energ\u00e9tica nacional que em seu planejamento dever\u00e1 levar em considera\u00e7\u00e3o a efici\u00eancia e economicidade de utiliza\u00e7\u00e3o dos insumos energ\u00e9ticos.<\/p><p>O bi\u00eanio fundamental dos cursos de engenharia inclui\u00a0 cursos de termodin\u00e2mica que nos ensinam que a transforma\u00e7\u00e3o de energia qu\u00edmica ou t\u00e9rmica em energia mec\u00e2nica apresenta sempre modesta efici\u00eancia. A utiliza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s e derivados de petr\u00f3leo em aplica\u00e7\u00f5es \u201cmais nobres\u201d como s\u00e3o os meios de transporte, por sua portabilidade, na petroqu\u00edmica, por serem praticamente insubstitu\u00edveis, ou no aquecimento direto industrial e domiciliar onde a termodin\u00e2mica mostra que a efici\u00eancia da transforma\u00e7\u00e3o da energia qu\u00edmica em energia t\u00e9rmica \u00e9 muito alta.<\/p><p>No planejamento da matriz energ\u00e9tica nacional parece l\u00f3gico priorizar os combust\u00edveis encontrados no territ\u00f3rio brasileiro e utilizar nas usinas termoel\u00e9tricas que operam em regime continuo sempre que poss\u00edvel ur\u00e2nio ou at\u00e9 mesmo carv\u00e3o procurando sempre minimizar o uso de g\u00e1s e derivados de petr\u00f3leo para garantir seu emprego em suas aplica\u00e7\u00f5es mais nobres ou at\u00e9 mesmo na exporta\u00e7\u00e3o.<\/p><h3><a name=\"_Toc2630860\"><\/a>7.\u00a0\u00a0\u00a0 Os tr\u00eas Brasis<\/h3><p>\u00c9 muito importante que haja o entendimento que o Brasil, do ponto de vista do consumo de eletricidade, \u00e9 um pa\u00eds com 214 milh\u00f5es de habitantes e dimens\u00f5es continentais com diferentes regi\u00f5es clim\u00e1ticas onde convivem na mesma \u00e1rea geogr\u00e1fica total \u201ctr\u00eas Brasis\u201d com caracter\u00edsticas diferentes:<\/p><p>O \u201cprimeiro Brasil\u201d \u00e9 composto de um arquip\u00e9lago de \u201cilhas de concentra\u00e7\u00e3o habitacional e denso consumo de eletricidade\u201d, constitu\u00eddo de (dados de 2017):<\/p><ul><li>Duas grandes metr\u00f3poles formadas por S\u00e3o Paulo (12 milh\u00f5es de habitantes e mais 9 milh\u00f5es com os munic\u00edpios pr\u00f3ximos e vizinhos) e Rio de Janeiro (6,7 milh\u00f5es de habitantes e mais 2,5 milh\u00f5es considerando as adjac\u00eancias).<\/li><li>Cinco cidades com mais de dois milh\u00f5es de habitantes (Salvador &#8211; 2,9 milh\u00f5es, Bras\u00edlia &#8211; 2,85 milh\u00f5es, Fortaleza 2,57 milh\u00f5es, Belo Horizonte &#8211; 2,94 milh\u00f5es e Manaus &#8211; 2,2 milh\u00f5es).<\/li><li>Dez cidades com mais de um milh\u00e3o de habitantes (Curitiba -1,86 milh\u00f5es, Recife &#8211; 1,6 milh\u00f5es, Porto Alegre &#8211; 1,47 milh\u00f5es, Bel\u00e9m &#8211; 1,43 milh\u00f5es, Goi\u00e2nia &#8211; 1,41 milh\u00f5es, Guarulhos &#8211; 1,31 milh\u00f5es, Campinas &#8211; 1,15 milh\u00f5es, S\u00e3o Luiz &#8211; 1,06 milh\u00f5es, S\u00e3o Gon\u00e7alo &#8211; 1,0 milh\u00e3o e Macei\u00f3 &#8211; 1,0milh\u00e3o).<\/li><li>Vinte e cinco cidades com mais de quinhentos mil habitantes.<\/li><\/ul><p>Este grande \u201carquip\u00e9lago brasileiro de centros de denso consumo de eletricidade\u201d demanda \u201cgrandes blocos de fornecimento de energia el\u00e9trica\u201d que normalmente s\u00e3o produzidos por fontes de alta densidade de produ\u00e7\u00e3o de energia que s\u00e3o as hidrel\u00e9tricas, as termoel\u00e9tricas convencionais e as t\u00e9rmicas nucleares. Uma boa ilustra\u00e7\u00e3o desse arquip\u00e9lago \u00e9 a vis\u00e3o noturna por sat\u00e9lite mostrada na Figura 3. Nela fica clara (embora literalmente escura) a baixa densidade de consumo de grande parte do territ\u00f3rio nacional e a desigualdade de distribui\u00e7\u00e3o do consumo el\u00e9trico. Pode-se, inclusive, localizar praticamente todas as \u201cilhas\u201d acima mencionadas.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3110\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/americadosul.png\" alt=\"\" width=\"794\" height=\"648\" data-wp-pid=\"3110\" srcset=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/americadosul.png 794w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/americadosul-300x245.png 300w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/americadosul-768x627.png 768w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/americadosul-600x490.png 600w\" sizes=\"(max-width: 767px) 89vw, (max-width: 1000px) 54vw, (max-width: 1071px) 543px, 580px\" \/><\/p><p>Figura 3: Vis\u00e3o noturna mostrando as \u201cilhas\u201d de ilumina\u00e7\u00e3o existentes no Brasil e vizinhan\u00e7as, podendo-se perceber a faixa iluminada ao longo do tr\u00f3pico de Capric\u00f3rnio (S\u00e3o Paulo, Rio) e a da costa nordestina http:\/\/tecnaula.blogspot.com\/2011\/02\/mais-uma-da-serie-um-satelite.html.<\/p><p>Dentro desses grandes centros urbanos de consumo com grande concentra\u00e7\u00e3o populacional, \u00e9 poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o apenas complementar da fonte solar (dependendo da insola\u00e7\u00e3o do local) considerando que, por sua baixa densidade de produ\u00e7\u00e3o e intermit\u00eancia, ser\u00e1 sempre uma contribui\u00e7\u00e3o percentualmente muito pequena em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 demanda total de eletricidade destes centros de consumo.<\/p><p>As grandes concentra\u00e7\u00f5es populacionais da Zona Franca de Manaus, Santar\u00e9m e Bel\u00e9m do Par\u00e1, embora situadas na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, s\u00e3o servidas pelo sistema el\u00e9trico principal e consideradas como pertencentes ao \u201cprimeiro Brasil\u201d.<\/p><p>O \u201csegundo Brasil\u201d \u00e9 constitu\u00eddo pelas cidades m\u00e9dias e pequenas e \u00e1reas adjacentes. Este segundo Brasil, embora seja uma \u201ccolcha de retalhos\u201d formada de \u00e1reas de \u201cmedia densidade de consumo\u201d, em seu total, consome muita eletricidade. Com menor dificuldade podem aumentar a produ\u00e7\u00e3o e o consumo das energias alternativas e\u00f3licas e solar (dependendo sempre do mapa de ventos e da insola\u00e7\u00e3o) pois as redes el\u00e9tricas existentes s\u00e3o bastante ramificadas e apresentam menor dificuldade de expans\u00e3o.<\/p><p>O \u201cterceiro Brasil\u201d \u00e9 composto de grandes \u00e1reas, com baixa ou muit\u00edssimo baixa densidade de consumo de eletricidade, situadas nas regi\u00f5es do sert\u00e3o do Nordeste e Amaz\u00f4nia. Estas \u00e1reas exigem an\u00e1lise e tratamento espec\u00edfico para cada micro regi\u00e3o.<\/p><p>As fontes prim\u00e1rias renov\u00e1veis, e\u00f3lica e solar, s\u00e3o de baixa densidade na sua \u201cprodu\u00e7\u00e3o\u201d e variam a quantidade de energia produzida durante as vinte quatro horas do dia e com a as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, mas t\u00eam grande potencial de aplica\u00e7\u00e3o no \u201cterceiro Brasil\u201d embora necessitem utilizar o auxilio de estocagem da energia como garantia para assegurar o fornecimento cont\u00ednuo da energia ao usu\u00e1rio. Quando baterias s\u00e3o utilizadas para estocagem de energia devemos esperar aumento no valor do investimento e tamb\u00e9m que o descarte das baterias apresente o potencial de grande impacto ambiental.<\/p><p>A regi\u00e3o da Bacia Amaz\u00f4nica pode ser interpretada como a composi\u00e7\u00e3o de \u00e1reas com diferentes caracter\u00edsticas: a primeira delas \u00e9 a \u00e1rea quase plana vizinha da calha principal do Rio Amazonas e tamb\u00e9m as \u00e1reas quase planas pr\u00f3ximas onde correm o ter\u00e7o final dos rios afluentes. Nessas \u00e1reas planas \u00e9 pouco pratic\u00e1vel o aproveitamento hidrel\u00e9trico para suprimento de energia el\u00e9trica aos pequenos grupamentos humanos existentes. Cada um desses grupamentos humanos nesta \u00e1rea plana, muito sujeita a alagamentos, exige um tratamento espec\u00edfico. Em sua maioria s\u00e3o grupamentos humanos ribeirinhos, mas sem possibilidade econ\u00f4mica de aproveitamentos hidroel\u00e9tricos locais.<\/p><p>As \u00e1reas n\u00e3o planas da Amaz\u00f4nia onde se encontram os dois ter\u00e7os iniciais do comprimento dos rios tribut\u00e1rios contando a partir de suas nascentes, podem ser denominadas de regi\u00f5es inclinadas\/serranas: a primeira regi\u00e3o inclinada\/serrana est\u00e1 localizada a oeste e noroeste da calha principal plana do Rio Amazonas englobando as a \u00e1reas pr\u00f3ximas as fronteiras da Bol\u00edvia, Peru e Col\u00f4mbia; a segunda \u00e1rea inclinada\/serrana \u00e9 denominada Regi\u00e3o Norte da Bacia Amaz\u00f4nica onde correm os rios pr\u00f3ximos as divisas da Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa e seus afluentes; a terceira regi\u00e3o inclinada\/serrana localizada ao sul \u00e9 pr\u00f3xima ao planalto central brasileiro. As \u00e1reas montanhosas constituem a \u201cborda da bacia amaz\u00f4nica\u201d.<\/p><p>As tr\u00eas grandes \u00e1reas inclinadas\/serranas juntas compreendem a maior percentagem da \u00e1rea da Amaz\u00f4nia Brasileira. Estas tr\u00eas grandes \u00e1reas (Figura 4)<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> apresentam grandes oportunidades de aproveitamentos hidroel\u00e9tricos principalmente \u201ca fio d\u2019\u00e1gua\u201c que n\u00e3o provocam grandes alagamentos ou desmatamentos e podem com relativa facilidade suprir as necessidades de eletricidade dos pequenos assentamentos humanos existentes e atividades extrativistas.<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3114\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa1b.png\" alt=\"\" width=\"594\" height=\"343\" data-wp-pid=\"3114\" srcset=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa1b.png 594w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa1b-300x173.png 300w\" sizes=\"(max-width: 594px) 100vw, 594px\" \/><\/p><p><a href=\"http:\/\/eletrobras.com\/pt\/AreasdeAtuacao\/geracao\/sipot\/MapaSipot-Dezembro2017.pdf\">Mapa Potencial El\u00e9trico, mostrando as bacias, &#8211; Eletrobras<\/a>\u00a0(Eletrobras, 2017)<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3113\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa2.png\" alt=\"\" width=\"597\" height=\"344\" data-wp-pid=\"3113\" srcset=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa2.png 597w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa2-300x173.png 300w\" sizes=\"(max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><\/p><p><a href=\"http:\/\/pt-br.topographic-map.com\/places\/Brasil-3559915\/\">Mapa das Eleva\u00e7\u00f5es do Brasil<\/a> (topographic.mapa.com)<\/p><p>Figura 4: Mapas dos rios (ao alto), e de eleva\u00e7\u00f5es (abaixo) assinalando regi\u00f5es onde \u00e9 mais vi\u00e1vel o aproveitamento hidroel\u00e9trico na Amaz\u00f4nia.<\/p><p>Na regi\u00e3o semi\u00e1rida do \u201cTerceiro Brasil\u201d situada no Nordeste Brasileiro a utiliza\u00e7\u00e3o racional da energia solar e e\u00f3lica pode muito contribuir para a melhora econ\u00f4mica da regi\u00e3o. Ver Mapa da Figura 5 (CEPEL Eletrobras, 2001).<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3115\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa3.png\" alt=\"\" width=\"592\" height=\"617\" data-wp-pid=\"3115\" srcset=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa3.png 592w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa3-288x300.png 288w\" sizes=\"(max-width: 592px) 100vw, 592px\" \/><\/p><table style=\"height: 77px;\" width=\"537\"><tbody><tr><td><p>Figura 5: <a href=\"http:\/\/www.cresesb.cepel.br\/index.php?section=publicacoes&amp;task=livro&amp;cid=1\">Atlas do Potencial E\u00f3lico Brasileiro<\/a><br \/>CEPEL\/MME<\/p><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>Para os grupamentos humanos isolados, onde economicamente n\u00e3o for vi\u00e1vel o \u201cback-up\u201d por redes el\u00e9tricas do sistema el\u00e9trico, ser\u00e1 necess\u00e1ria a estocagem de energia em baterias ou a utiliza\u00e7\u00e3o de geradores diesel para garantia do suprimento de energia el\u00e9trica.<\/p><p>Os grupamentos humanos do \u201cTerceiro Brasil\u201d onde ocasionalmente houver a interliga\u00e7\u00e3o com as redes do Sistema Integrado Nacional poder\u00e3o, al\u00e9m do uso das fontes renov\u00e1veis, utilizar o regime de exporta\u00e7\u00e3o\/importa\u00e7\u00e3o de energia atrav\u00e9s de redes inteligentes e utilizando indiretamente o estoque regulat\u00f3rio de \u00e1gua dos reservat\u00f3rios das hidroel\u00e9tricas, tornando praticamente desnecess\u00e1ria a estocagem local de energia em baterias para garantir a regularidade do fornecimento de energia el\u00e9trica.<\/p><p>Denomina-se \u201cSistema Integrado Nacional &#8211; SIN\u201d o servido pelas grandes linhas de transmiss\u00e3o (Figura 6), as redes de distribui\u00e7\u00e3o e seus ramais que atendem ao \u201cPrimeiro Brasil\u201d, \u201dao Segundo Brasil\u201d e aos centros de consumo por ventura interligados do \u201cTerceiro Brasil\u201d. O SIN tem nas hidroel\u00e9tricas sua fonte principal de produ\u00e7\u00e3o de energia. Nota-se na Figura 6 que grande parte do territ\u00f3rio brasileiro integra esse \u201cTerceiro Brasil\u201d onde o SIN n\u00e3o est\u00e1 presente.<\/p><p>O maior potencial hidrel\u00e9trico a ser explorado pelo Brasil se concentra nas \u00e1reas da Bacia do Amazonas que n\u00e3o apresentam grandes eleva\u00e7\u00f5es nem s\u00e3o prop\u00edcias a reservat\u00f3rios de grande capacidade. Na concep\u00e7\u00e3o atual de desenvolvimento brasileiro, essas usinas se destinam \u00e0 \u201cexporta\u00e7\u00e3o\u201d para a regi\u00e3o Sudeste-Centro-Oeste SE-CO como j\u00e1 acontece com as usinas instaladas do Rio Madeira e, em grande parte, com a pr\u00f3pria energia de Itaipu. Essas usinas chegaram a ser consideradas, para fins de planejamento do SIN, como integrantes da regi\u00e3o SE-CO.<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3116\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa4.png\" alt=\"\" width=\"583\" height=\"461\" data-wp-pid=\"3116\" srcset=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa4.png 583w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mapa4-300x237.png 300w\" sizes=\"(max-width: 583px) 100vw, 583px\" \/><\/p><p><a href=\"http:\/\/www.ons.org.br\/paginas\/sobre-o-sin\/mapas\">Figura 6: Sistema Integrado Nacional \u2013 SIN Mapa das Linhas de Transmiss\u00e3o da ONS<\/a> (ONS)<\/p><p>A introdu\u00e7\u00e3o de usinas a fio d\u2019\u00e1gua \u00e9 um grande problema n\u00e3o suficientemente explicitado no nosso planejamento el\u00e9trico. No in\u00edcio de 2005, ele foi claramente exposto no artigo \u201c<a href=\"http:\/\/ecen.com\/eee49\/eee49p\/porto_destino_sist_eletr.htm\">Um Porto de Destino para o Sistema El\u00e9trico Brasileiro<\/a>\u201d na revista E&amp;E \u2116 49. Na Figura 7, (retirada desse artigo)<span style=\"text-decoration: line-through;\">,<\/span> mostram-se as curvas de energia natural afluente &#8211; ENA para as diversas regi\u00f5es do Brasil que comp\u00f5em o SIN. \u00a0A solu\u00e7\u00e3o desse problema n\u00e3o \u00e9 trivial. A regula\u00e7\u00e3o sazonal n\u00e3o poder\u00e1 ser feita com os reservat\u00f3rios j\u00e1 existentes e o custo da nova energia, com cinco meses do ano com cerca de 10% da capacidade m\u00e1xima, dever\u00e1 obrigatoriamente incluir o da energia complementar para o per\u00edodo seco. Esta j\u00e1 \u00e9, ali\u00e1s, a realidade que enfrenta o consumidor que j\u00e1 est\u00e1 pagando um pre\u00e7o diferenciado para cobrir o custo das usinas t\u00e9rmicas que atualmente utilizam \u00f3leo ou g\u00e1s combust\u00edvel.<\/p><p>Energia Natural Afluente nas Regi\u00f5es do SIN<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3119\" src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ena3.png\" alt=\"\" width=\"572\" height=\"391\" data-wp-pid=\"3119\" srcset=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ena3.png 572w, https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/ena3-300x205.png 300w\" sizes=\"(max-width: 572px) 100vw, 572px\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\">Figura 7: A energia natural afluente \u00e9 governada pela vaz\u00e3o dos rios, na medida que se amplie a participa\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Norte, com usinas sem reservat\u00f3rios, a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica passar\u00e1 a ter forte sazonalidade. \u00a0<\/p><p>Soma-se, agora, a oscila\u00e7\u00e3o ao longo do dia da energia e\u00f3lica (atualmente) e futuramente da solar, defasadas da curva di\u00e1ria de consumo. Isso exige das hidroel\u00e9tricas um excesso de capacidade instalada que encarece seus custos e obriga o uso do estoque regulador.<\/p><p>\u00c9 primordial a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de considerar a \u00e1gua existente nos reservat\u00f3rios como estoque regulador de energia. Isso nos conduzir\u00e1 a utilizar o SIN priorizando a utiliza\u00e7\u00e3o da energia proveniente da regi\u00e3o norte nos meses que houver grande caudal e, na medida do poss\u00edvel, estocar \u00e1gua nas hidrel\u00e9tricas das outras regi\u00f5es que tenham\u00a0 capacidade de estocar.<\/p><p>O caudal (vaz\u00e3o) dos rios que alimentam as hidrel\u00e9tricas (volume de \u00e1gua por segundo) varia ao longo das esta\u00e7\u00f5es do ano e tamb\u00e9m com as varia\u00e7\u00f5es plurianuais dos ciclos hidrol\u00f3gicos. O funcionamento das termoel\u00e9tricas que consomem biomassa tamb\u00e9m est\u00e1 sujeito a varia\u00e7\u00f5es anuais e plurianuais. Torna-se, portanto evidente o conceito de adotar um \u201cestoque regulador de energia\u201d para compensar os per\u00edodos em que a energia disponibilizada pelo baixo caudal dos rios e a biomassa dispon\u00edvel seja insuficiente para atender a demanda. O \u201cestoque regulador de energia\u201d \u00e9 a soma dos estoques de \u00e1gua existentes nos reservat\u00f3rios das hidroel\u00e9tricas.<\/p><p>N\u00e3o existe melhor estoque regulador de energia do que a \u00e1gua nos reservat\u00f3rios das hidroel\u00e9tricas. Tal estoque regulador de energia permite atender com simplicidade e presteza as varia\u00e7\u00f5es na demanda de eletricidade<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p><p>\u00c9 desej\u00e1vel tamb\u00e9m a ado\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia de priorizar no despacho as usinas hidrel\u00e9tricas \u00e0 fio d\u2019\u00e1gua e com pequena capacidade de estocar \u00e1gua objetivando sempre maximizar o \u201cestoque regulador de energia\u201d depositado em \u00e1gua nos reservat\u00f3rios.<\/p><p>As usinas nucleares, se existirem em quantidade suficiente, permitir\u00e3o ao operador nacional do sistema el\u00e9trico gerenciar o sistema de forma que haja sempre o \u201cestoque m\u00ednimo necess\u00e1rio regulador de energia\u201d que permita atender as flutua\u00e7\u00f5es na demanda de eletricidade mantendo razo\u00e1vel o custo da produ\u00e7\u00e3o da eletricidade e o baixo impacto ambiental, mesmo nos per\u00edodos de baixa pluviosidade. Sabe-se, no entanto, por simula\u00e7\u00f5es, que o \u201ccobertor\u201d do estoque nos reservat\u00f3rios existentes e os poss\u00edveis de construir ser\u00e1 curto e as t\u00e9rmicas convencionais (\u00f3leo, g\u00e1s natural ou biomassa) dever\u00e3o ser acionadas para absorver o d\u00e9ficit sazonal ou d\u00e9ficits de chuva plurianuais. \u00a0<\/p><p>Parece obvio que a modelagem do sistema el\u00e9trico brasileiro para produ\u00e7\u00e3o, transporte e distribui\u00e7\u00e3o de energia e sua comercializa\u00e7\u00e3o deve ser decidida com base nas peculiaridades brasileiras e n\u00e3o na utiliza\u00e7\u00e3o, sem a devida adapta\u00e7\u00e3o, de conceitos \u201cimportados\u201d do Reino Unido. \u00a0A ideologia de liberaliza\u00e7\u00e3o vem, historicamente, experimentando altos e baixos na economia brasileira. Mesmo respeitando a ideologia liberal (atualmente em alta), \u00e9 necess\u00e1rio o entendimento do sistema brasileiro e n\u00e3o simplesmente arremedar as pr\u00e1ticas comerciais de outro pa\u00eds.<\/p><p>Na composi\u00e7\u00e3o atual do Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico participam representantes das empresas geradoras; o ONS pode, portanto, sofrer grande influ\u00eancia dessas empresas em detrimento do melhor interesse dos consumidores. Seria melhor que fosse um \u00f3rg\u00e3o de governo composto de funcion\u00e1rios de carreira trabalhando em sistema aberto tipo bolsa de valores com pain\u00e9is que demonstrassem suas decis\u00f5es em plen\u00e1rio onde os representantes das empresas pudessem estar presentes, o que agregaria maior transpar\u00eancia ao sistema.<\/p><p>Os leil\u00f5es da ANEEL &#8211; Agencia Nacional de Energia El\u00e9trica, deveriam ser realizados entre os produtores de energia da mesma fonte energ\u00e9tica de produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma competi\u00e7\u00e3o geral entre fontes diferentes como no sistema atual, de inspira\u00e7\u00e3o importada. Para cada fonte prim\u00e1ria de produ\u00e7\u00e3o de energia seriam alocadas cotas de fornecimento de energia que comporiam o \u201cmix\u201d, estrategicamente planejado, para garantir o suprimento de eletricidade ao menor pre\u00e7o m\u00e9dio poss\u00edvel e minimizando o impacto ambiental.<\/p><p>Uma \u201cfrase de impacto\u201d de um influente assessor governamental \u00e0 \u00e9poca da implanta\u00e7\u00e3o do sistema administrativo gerencial econ\u00f4mico do setor el\u00e9trico nacional, que havia participado da elabora\u00e7\u00e3o do Programa Computacional <em>New Wave<\/em> para auxilio nas decis\u00f5es para opera\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico, resume, deste modo, a l\u00f3gica de prioridade no \u201cdespacho\u201d das usinas (fontes) produtoras de eletricidade: \u201cn\u00e3o interessa se trata &#8211; se de combust\u00edvel de coc\u00f4 de galinha ou fus\u00e3o nuclear o que interessa \u00e9 o pre\u00e7o da energia\u201d. Esta frase revela a mentalidade financeira e vis\u00e3o curta de quem entende muito pouco de planejamento energ\u00e9tico particularmente em se tratando de um sistema el\u00e9trico com as caracter\u00edsticas do Sistema Integrado Nacional. Ela sintetiza a miopia de um gerenciamento focando exclusivamente o aspecto cont\u00e1bil em curto prazo e n\u00e3o o comportamento anual e plurianual do sistema objetivando a seguran\u00e7a do fornecimento e o menor pre\u00e7o m\u00e9dio da energia.<\/p><p>No Brasil, a produ\u00e7\u00e3o de energia para o atendimento continuo da \u201cbase de carga\u201d pode ser entendida como sendo a energia produzida pelas hidroel\u00e9tricas, usando a m\u00e9dia anual do caudal m\u00ednimo dos rios que as alimentam, adicionando tamb\u00e9m a m\u00e9dia m\u00ednima da energia produzida pelas fontes e\u00f3lica e solar acrescida pela energia produzida pelas usinas termo- el\u00e9tricas de menor pre\u00e7o (nucleares e a carv\u00e3o) operando em produ\u00e7\u00e3o anual continua . Os picos di\u00e1rios de demanda, ou seja, o \u201csegmento de carga\u201d deve ser prioritariamente atendido com o estoque regulador de energia constitu\u00eddo pela \u00e1gua dos reservat\u00f3rios. As hidroel\u00e9tricas t\u00eam a capacidade de \u201cseguir a carga\u201d com mais facilidade e economicidade do que as usinas t\u00e9rmicas.<\/p><p>As usinas termoel\u00e9tricas a g\u00e1s e \u00f3leo s\u00e3o constru\u00eddas com menor valor de investimento, mas funcionam com o combust\u00edvel de maior pre\u00e7o resultando em alto pre\u00e7o na energia el\u00e9trica produzida. N\u00e3o \u00e9 aconselh\u00e1vel que essas usinas operem continuamente ao longo do ano. Quando n\u00e3o est\u00e3o produzindo energia s\u00e3o remuneradas pelo retorno do investimento acrescido do custo operacional nesta condi\u00e7\u00e3o e lucro. Quando solicitadas a operar pelo Operador Nacional do Sistema recebem o adicional pela energia efetivamente produzida. \u00c9 assim, mas isto \u00e9 vantajoso para quem?<\/p><p>Para funcionar produzindo grandes \u201cblocos de energia\u201d em regime continuo na \u201cbase de carga\u201d as usinas t\u00e9rmicas que produzem energia a menor pre\u00e7o por Megawatt-hora s\u00e3o as usinas nucleares e as usinas convencionais que usam carv\u00e3o como combust\u00edvel.<\/p><p>O Brasil \u00e9 prodigo em reservas de ur\u00e2nio e det\u00e9m a tecnologia de todas as etapas do ciclo combust\u00edvel nuclear desde a minera\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do <em>Yellow Cake<\/em> at\u00e9 a finaliza\u00e7\u00e3o do elemento combust\u00edvel para ser usado nos reatores, passando assim por todas as etapas do ciclo do combust\u00edvel nuclear. Nosso Pa\u00eds consta da pequena lista de pa\u00edses que dominam a tecnologia de enriquecimento de ur\u00e2nio e disp\u00f5e de grandes reservas de ur\u00e2nio. Somente os Estados Unidos, R\u00fassia e Brasil fazem parte desta pequena lista. Todos os demais pa\u00edses ou disp\u00f5em da tecnologia do ciclo do combust\u00edvel nuclear ou s\u00e3o detentoras de reservas de ur\u00e2nio ou nenhuma das duas condi\u00e7\u00f5es e pagam por isso quando \u00e9 compensador.<\/p><p>Pa\u00edses sem grandes fontes de combust\u00edvel como o Jap\u00e3o e a Fran\u00e7a dificilmente poder\u00e3o prescindir da utiliza\u00e7\u00e3o da energia nuclear que pode proporcionar estoque plurianual de combust\u00edvel a pre\u00e7os competitivos e pequeno volume de armazenamento.<\/p><p>Quando for feita a reformula\u00e7\u00e3o correta e competente do sistema el\u00e9trico brasileiro ficar\u00e1 evidente a necessidade utiliza\u00e7\u00e3o continua em base de carga das usinas n\u00facleo-el\u00e9tricas ficando para uso apenas ocasional (quando houver necessidade) as usinas termo el\u00e9tricas convencionais a \u00f3leo e g\u00e1s para completar a produ\u00e7\u00e3o de energia em poucos meses do ano. Em virtude do grande investimento necess\u00e1rio, o ritmo de constru\u00e7\u00e3o das usinas nucleares deve ser compatibilizado com as necessidades de fornecimento de energia em base de carga que assegure a exist\u00eancia do estoque regulador de energia adequado.<\/p><p>O completo entendimento do conceito de utilizar o volume de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas no sistema el\u00e9trico como \u201cestoque regulador de energia\u201d permitir\u00e1 minimizar o pre\u00e7o m\u00e9dio da energia el\u00e9trica, o impacto ambiental e maximizar o uso das fontes energia renov\u00e1veis menos poluentes.<\/p><h3><a name=\"_Toc2630861\"><\/a>8.\u00a0\u00a0\u00a0 O Futuro da Energia Nuclear no Brasil<\/h3><p>Deve-se ter em vista que o consumo de eletricidade continuar\u00e1 crescendo e que a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 uma \u00fanica exce\u00e7\u00e3o (em 50 anos) em que repetimos em 2018 o consumo de 2014. O estoque m\u00e1ximo de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios se manteve constante desde o inicio na d\u00e9cada de 1990. A melhor forma de garantir o estoque regulador de \u00e1gua \u00e9 considerar como energia de \u201cBase de Carga Hidroel\u00e9trica\u201d o caudal m\u00ednimo anual dos rios e usar usinas nucleares que s\u00e3o as termoel\u00e9tricas de menor pre\u00e7o da energia (comparando-se com as demais termoel\u00e9tricas) para compor a \u201cbase de carga de energia el\u00e9trica\u201d. As grandes reservas nacionais de ur\u00e2nio estimulam a ado\u00e7\u00e3o desta op\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A Eletronuclear desenvolveu em parceria com a COPPE, Coordenadoria de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro com a \u00f3tica da \u201csegunda era nuclear\u201d um importante estudo de localiza\u00e7\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o de centrais nucleares no Brasil. As conclus\u00f5es desse estudo foram divulgadas sob a forma de palestras pela Empresa. Tal estudo iniciou-se pela sele\u00e7\u00e3o dos locais para constru\u00e7\u00e3o que atendem a uma extensa lista de requisitos (mais de dois mil) priorizando a seguran\u00e7a nuclear. Foram selecionadas quarenta op\u00e7\u00f5es de localiza\u00e7\u00e3o que atendem a todos os requisitos.<\/p><p>Cada central n\u00facleoel\u00e9trica planejada neste estudo, ao final de sua constru\u00e7\u00e3o, teria capacidade para comportar seis usinas nucleares tipo PWR com cerca de 1200 Megawatts que seriam constru\u00eddas sequencial e paulatinamente. \u00c9 recomend\u00e1vel que o inicio da constru\u00e7\u00e3o de cada usina da mesma central seria defasado de cerca de um ano e meio do inicio da constru\u00e7\u00e3o da usina anterior para otimizar a utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra e minimizar o pre\u00e7o total da constru\u00e7\u00e3o de cada central.<\/p><p>Considera-se aqui que a decis\u00e3o sobre a poss\u00edvel implanta\u00e7\u00e3o dessas centrais seria tomada no planejamento energ\u00e9tico global, mas os poss\u00edveis locais j\u00e1 estariam determinados.<\/p><p>Naquele estudo, foi feita a op\u00e7\u00e3o por usinas dotadas reatores PWR modernos com sistema de seguran\u00e7a passiva aprimorada que n\u00e3o necessitam de energia externa para remo\u00e7\u00e3o do calor residual produzido pelos n\u00facleos dos reatores ap\u00f3s o desligamento com a interrup\u00e7\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o nuclear em cadeia.<\/p><p>O conceito de seguran\u00e7a passiva aprimorada prev\u00ea que o calor residual de um reator nuclear depois do desligamento s\u00fabito, que no primeiro momento, se constitui em cerca de 2,3% da energia que o reator vinha produzindo antes da interrup\u00e7\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o nuclear em cadeia e decresce rapidamente ao longo de quarenta e oito horas para valores m\u00ednimos seja absorvido sem a necessidade de existir um sistema independente de remo\u00e7\u00e3o de calor que utilize energia el\u00e9trica como ocorre na maior parte das usinas nucleares atualmente existentes.<\/p><p>\u00a0Os modernos reatores PWR s\u00e3o projetados para que a dissipa\u00e7\u00e3o desta energia residual produzida pelo n\u00facleo do reator seja realizada por circula\u00e7\u00e3o natural por convec\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no circuito prim\u00e1rio da usina tornando-se desnecess\u00e1ria a utiliza\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica de fonte n\u00e3o nuclear externa para assegurar a remo\u00e7\u00e3o do calor residual.<\/p><p>Ao t\u00e9rmino da constru\u00e7\u00e3o, cada Central Nuclear composta de seis usinas teria a pot\u00eancia total instalada de sete mil e duzentos megawatts e podendo operar com o fator de capacidade de 0,9. Cada uma dessas centrais nucleares, quando dotadas das seis usinas, produziria mais energia do que a soma das energias produzidas pelas hidrel\u00e9tricas da empresa Furnas ou da empresa CHESF- Centrais Hidrel\u00e9tricas do S\u00e3o Francisco ou a metade da energia anual gerada pela usina de Itaipu.<\/p><p>A retomada do crescimento econ\u00f4mico brasileiro implicar\u00e1 necessariamente em aumento do consumo de eletricidade e tornar\u00e1 ainda mais evidente a necessidade de aumentar utiliza\u00e7\u00e3o de termoel\u00e9tricas nucleares na \u201dbase de carga\u201d produzindo \u201cgrandes blocos de energia\u201d. Caso seja mantida a atual intensa utiliza\u00e7\u00e3o de usinas termoel\u00e9tricas convencionais a \u00f3leo e g\u00e1s o alto pre\u00e7o da eletricidade atualmente praticado tender\u00e1 a aumentar.<\/p><p>Qualquer nova usina nuclear, prevista para ser constru\u00edda, dever\u00e1 ser planejada com a \u00f3tica da \u201csegunda era nuclear\u201d que prioriza a seguran\u00e7a e entende a energia nuclear n\u00e3o como sendo \u201ca solu\u00e7\u00e3o\u201d para produ\u00e7\u00e3o de eletricidade e sim com uma fonte complementar prim\u00e1ria de produ\u00e7\u00e3o de energia com seguran\u00e7a que n\u00e3o pode deixar de participar de um \u201cmix\u201d de fontes produtoras para assegurar a garantia no fornecimento de eletricidade com economicidade e minimizando os impactos ambientais.<\/p><p>O planejamento da gera\u00e7\u00e3o nuclear tem que ser parte do programa de longo prazo de gera\u00e7\u00e3o de energia para o Brasil. A periodicidade atual (planos decenais) \u00e9 inadequada para isso. Em termos de planejamento energ\u00e9tico nacional, dez anos constituem um prazo curto. O ciclo de planejamento e constru\u00e7\u00e3o de uma instala\u00e7\u00e3o de grande porte produtora de energia e linha de transmiss\u00e3o associada \u00e9 da ordem de dez anos de acordo a pratica internacional e frequentemente um empreendimento de porte escapa ao ciclo de dez anos. O lan\u00e7amento do plano de longo prazo vem sendo sucessivamente adiado pelo Governo Federal.<\/p><p>Para o importante setor nuclear torna-se necess\u00e1rio:<\/p><ol><li>Terminar a constru\u00e7\u00e3o da Usina Nuclear Angra 3 da Central Nuclear \u00c1lvaro Alberto em Angra do Reis.<\/li><li>Decidir o local da constru\u00e7\u00e3o de uma ou at\u00e9 mesmo duas centrais nucleares, com a poss\u00edvel brevidade, selecionando sua localiza\u00e7\u00e3o entre as quarenta localiza\u00e7\u00f5es recomendadas nos estudos realizados pela COPPE e a Eletronuclear que sejam mais convenientes para atender as necessidades do Sistema Integrado Nacional. Com isto, n\u00e3o se perderia o conhecimento acumulado na \u00e1rea por t\u00e9cnicos altamente especializados.<\/li><li>Decidir, a programa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o das usinas dentro de um planejamento global, idealmente, com o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o da primeira central at\u00e9 2022. \u00c9 poss\u00edvel custear, ao menos parcialmente, a constru\u00e7\u00e3o das usinas nucleares com a \u201cvenda futura de energia\u201d garantida por acordos de governo, por\u00e9m mantendo a propriedade e responsabilidade da estatal brasileira pela propriedade, opera\u00e7\u00e3o e descomissionamento das usinas nucleares<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><strong>. <\/strong><\/li><li>Construir a instala\u00e7\u00e3o de armazenamento intermediaria de rejeitos da Central Nuclear \u00c1lvaro Alberto e o m\u00f3dulo de demonstra\u00e7\u00e3o experimental da Instala\u00e7\u00e3o para estocagem, em longo prazo, de combust\u00edvel nuclear queimado. Este novo conceito de estocagem concebido na Eletronuclear permite estocar por mais de quinhentos anos todo o combust\u00edvel nuclear utilizado em todas as centrais nucleares brasileiras com total seguran\u00e7a e baixo pre\u00e7o, usando a remo\u00e7\u00e3o do calor residual por circula\u00e7\u00e3o natural e permitindo monitoramento seguro, simples, constante e de baixo custo. Esta solu\u00e7\u00e3o \u00e9 tecnologicamente muito mais avan\u00e7ada do que o antigo conceito de deposi\u00e7\u00e3o dos rejeitos nucleares em grandes profundidades em locais teoricamente considerados est\u00e1veis que foi preconizado durante a \u201cprimeira era nuclear\u201d e que na realidade significa \u201ccolocar o lixo debaixo do tapete\u201d, embora essa concep\u00e7\u00e3o ainda conte com grande n\u00famero de adeptos.<\/li><li>Aprimorar a opera\u00e7\u00e3o e ampliar as instala\u00e7\u00f5es da INB &#8211; Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil de forma que em um prazo m\u00e1ximo de dez anos sejam atendidas as necessidades de combust\u00edvel nuclear para alimentar as usinas nucleares que estiverem em funcionamento no Pa\u00eds.<\/li><li>Ampliar a responsabilidade da INB para ser encarregada do transporte e armazenamento do combust\u00edvel nuclear queimado dos reatores e posteriormente, quando for economicamente recomend\u00e1vel para o Brasil, reprocessar o combust\u00edvel nuclear queimado<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>, e manter a estocagem monitorada dos rejeitos usando o provavelmente as mesmas instala\u00e7\u00f5es constru\u00eddas em regi\u00e3o adequada para o armazenamento intermedi\u00e1rio, no longo prazo, do combust\u00edvel nuclear queimado.<\/li><li>A CNEN &#8211; Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear completar\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o do RMB &#8211; Reator de Multiprop\u00f3sito Brasileiro em Iper\u00f3, S\u00e3o Paulo, para atender as necessidades nacionais de radiois\u00f3topos, testes de materiais e combust\u00edveis e experi\u00eancias conjuntas com centros de pesquisa e universidades.<\/li><li>Ampliar a prospec\u00e7\u00e3o de Ur\u00e2nio em territ\u00f3rio nacional.<\/li><li>Incluir nas responsabilidades da INB a comercializa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do estoque de ur\u00e2nio para atender as necessidades nacionais. A INB passaria a ter a atribui\u00e7\u00e3o de adquirir no Brasil a pre\u00e7os do mercado internacional em longo prazo o <em>Yellow Cake<\/em> que as mineradoras que operam no pa\u00eds decidirem produzir a partir do conte\u00fado de ur\u00e2nio nos min\u00e9rios que exportam.<\/li><li>Dar prosseguimento ao programa de submarinos com propuls\u00e3o nuclear e, consequentemente, a todas as atividades em desenvolvimento em Aramar.<\/li><\/ol><h1><a name=\"_Toc2630862\"><\/a>Bibliografia<\/h1><p><strong>AIEA. 2015.<\/strong> <em>The Fukushima Daiichi Accident &#8211; Report by Director General . <\/em>Viena\u00a0: AIEA, 2015.<\/p><p><strong>Alvin, Weinberg M. 1997.<\/strong> <em>The First Nuclear Era: The Life and Times of a Technological Fixer Hardcover. <\/em>s.l.\u00a0: American Institute of Physics; 1994 edition , 1997. ISBN-13: 978-15639635.<\/p><p><strong>Arms Control Association. 2018.<\/strong> Nuclear Weapons: Who Has What at a Glance. [Online] june de 2018. https:\/\/www.armscontrol.org\/factsheets\/Nuclearweaponswhohaswhat.<\/p><p><strong>Atomic Archive.<\/strong> Timeline of the Nuclear Age. <em>Nuclear Pathways. <\/em>[Online] http:\/\/www.atomicarchive.com\/Timeline\/Time1930.shtml.<\/p><ol start=\"2018\"><li><strong> 2018.<\/strong> <em>BP Satistical Review of World Energy, 67th Edition. <\/em>s.l.\u00a0: BP, 2018.<\/li><\/ol><p><strong>Brawn, Paul. 2003.<\/strong> First nuclear power plant to close. <em>The Guardian. <\/em>[Online] Mar de 2003. https:\/\/www.theguardian.com\/uk\/2003\/mar\/21\/nuclear.world.<\/p><p><strong>CEPEL Eletrobras. 2001.<\/strong> Atlas do Potencial E\u00f3lico Brasileiro (2001). <em>CRESESB. <\/em>[Online] 2001. http:\/\/www.cresesb.cepel.br\/index.php?section=publicacoes&amp;task=livro&amp;cid=1.<\/p><p><strong>Craddock III, Jack. 2016.<\/strong> <em>The Shippingport Atomic Power Station. <\/em>[Online] 2016. http:\/\/large.stanford.edu\/courses\/2016\/ph241\/craddock1\/.<\/p><p><strong>Eletrobras. 2017.<\/strong> MapaSipot-Dezembro2017. [Online] dez de 2017. http:\/\/eletrobras.com\/pt\/AreasdeAtuacao\/geracao\/sipot\/MapaSipot-Dezembro2017.pdf.<\/p><p><strong>European Nuclear Society.<\/strong> Nuclear power plants, world-wide. <em>euronuclear. <\/em>[Online]<\/p><p><strong>ONS.<\/strong> Mapa Din\u00e2mico do SIN. <em>Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico. <\/em>[Online] http:\/\/www.ons.org.br\/paginas\/sobre-o-sin\/mapas.<\/p><p><strong>topographic.mapa.com.<\/strong> Brasil . <em>topographei.mapa.com. <\/em>[Online] http:\/\/pt-br.topographic-map.com\/places\/Brasil-3559915\/.<\/p><ol start=\"1971\"><li><strong> 1971.<\/strong> United Nations, General Assembly &#8211; Twenty-sixth Session. <em>Restoration of the lawful rights of the Peoples&#8217;s Republic of China in United Nations. <\/em>[Online] 25 de October de 1971. http:\/\/www.un.org\/en\/ga\/search\/view_doc.asp?symbol=A\/RES\/2758(XXVI).<\/li><\/ol><p>____________________<\/p><p><strong>Notas:<\/strong><\/p><p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> 1938 (Dezembro) Fermi recebe o pr\u00eamio Nobel pela descoberta de \u201celementos transur\u00e2nicos\u201d, na verdade fiss\u00e3o de ur\u00e2nio e parte para os EUA. (22 deDezembro ) Otto Hahn envia texto para Lise Meiner com resultados experimentais que s\u00e3o interpretados por Meiner e seu sobrinho Otto Frish como fiss\u00e3o nuclear. \u00a0<br \/>1939 (6 de janeiro) Hahn e seu assistente Fritz Strassmann publicam seus resultados; (11 de Fevereiro)\u00a0 Meitner and Frisch publicam a interpreta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica dos resultados de Hahn-Strassmann como fiss\u00e3o nuclear .<\/p><p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica 1949, Reino Unido 1952, Fran\u00e7a 1960 e China em 1964.<\/p><p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cerca de 14.570 ogivas sendo que 13.400 em poder de R\u00fassia e EUA, conforme avalia\u00e7\u00e3o da Arms Control Association <a href=\"https:\/\/www.armscontrol.org\/factsheets\/Nuclearweaponswhohaswhat\">https:\/\/www.armscontrol.org\/factsheets\/Nuclearweaponswhohaswhat<\/a><\/p><p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Nota: Vale a pena acessar os mapas mostrados na Figura 3. Os mapas permitem o zoom para examinar detalhes. \u00c9 poss\u00edvel, no segundo mapa, ler a altitude do famoso encontro das \u00e1guas dos rios Negro e Solim\u00f5es, perto de Manaus. Onde a altitude \u00e9 de 7m em rela\u00e7\u00e3o ao mar. Isto faz com que o aproveitamento hidroel\u00e9trico do Rio Amazonas propriamente dito, formado deste encontro das \u00e1guas, seja praticamente invi\u00e1vel para centrais de porte.<\/p><p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Em alguns pa\u00edses do mundo s\u00e3o usadas usinas revers\u00edveis, sendo a \u00e1gua de um reservat\u00f3rio bombeada para reservat\u00f3rios a montante para armazenar energia excedente de outras usinas. Isto exige um consider\u00e1vel investimento que mesmo assim pode ser vi\u00e1vel. Im consider\u00e1vel investimento que o Brasil ainda consegue evitar, mas pode ser uma alternativa \u00e0s baterias para \u201carmazenar vento\u201d ou energia fotovoltaica.<\/p><p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Na B\u00e9lgica, em uma mesma central existem usinas de diferentes propriet\u00e1rios o que nos sugere diferentes financiadores compradores de blocos de energia futura a ser produzida em uma mesma central nuclear brasileira. O financiamento da constru\u00e7\u00e3o de usinas nucleares com o pagamento com a energia a ser produzida implicar\u00e1 na ado\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o que garanta a compra, o pre\u00e7o futuro da energia, sua corre\u00e7\u00e3o inflacionaria e garantia cambial.<\/p><p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Essa posi\u00e7\u00e3o coincide com a adotada pela Pol\u00edtica Nuclear Brasileira (Decreto N\u00ba 9600 de 05\/12\/2018) e tem o significado de que o Brasil considera a energia contida no combust\u00edvel utilizado aproveit\u00e1vel no futuro e baliza a defini\u00e7\u00e3o do tipo de armazenamento a ser adotado que \u00e9 muito importante na fase atual.<\/p><p><b style=\"color: #808080; font-size: 1rem;\"><strong>Economia e Energia \u2013 E&amp;E\u00a0 N\u00ba 102,\u00a0 janeiro a mar\u00e7o de 2018<\/strong><\/b><\/p><p><strong>| <\/strong><a href=\"http:\/\/eee.org.br\">E&amp;E\u00a0 Principal<\/a> <strong>| <\/strong><a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=3138\">E&amp;E 102<\/a> |<a href=\"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=3202\">Editorial<\/a> <strong>|<\/strong> <a href=\"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=3188\">Sistema El\u00e9trico e Energia Nuclea<\/a><a href=\"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=3188\">r <\/a><strong>\u00a0|<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/eee.org.br\/?page_id=3138\">Toda E&amp;E 102<\/a> <strong>|<\/strong><\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economia e Energia \u2013 Ano XXIII&nbsp; N\u00ba 102, Janeiro a Mar\u00e7o de 2019 ISSN 1518-2932&nbsp; &nbsp; Dispon\u00edvel em: http:\/\/ecen.com.br e http:\/\/ecen.com Opini\u00e3o: SISTEMA EL\u00c9TRICO E&nbsp;ENERGIA NUCLEAR NO BRASIL Othon Pinheiro da Silva,Olga Mafra e Carlos Feu Alvim Resumo A energia nuclear \u00e9 a mais recente das fontes energ\u00e9ticas que utiliza a humanidade e est\u00e1 completando &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/?page_id=3188\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Sistema El\u00e9trico e Energia Nuclear&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3110,"parent":3400,"menu_order":2,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/3188"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3188"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/3188\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4914,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/3188\/revisions\/4914"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/3400"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ecen.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3188"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}