{"id":2637,"date":"2018-10-25T18:25:34","date_gmt":"2018-10-25T20:25:34","guid":{"rendered":"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=2637"},"modified":"2019-09-18T16:44:32","modified_gmt":"2019-09-18T19:44:32","slug":"toda-ee-100","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ecen.com.br\/?page_id=2637","title":{"rendered":"Toda E&#038;E 100"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"2637\" class=\"elementor elementor-2637\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-section-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-1709cad3 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"1709cad3\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-2dac03e8\" data-id=\"2dac03e8\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3127af56 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3127af56\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n\t\t\t\t<p><img src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eee.jpg\" \/><br \/><b><strong>Economia e Energia \u2013 E&amp;E\u00a0 \u00a0<\/strong><\/b><b><strong>N\u00ba 100,\u00a0 julho a setembro de 2018<br \/><\/strong><\/b>ISSN 1518-2932<\/p><h1><a name=\"_Toc528074953\"><\/a><strong>\u00c9 CEM<\/strong><\/h1><p>Este \u00e9 o cent\u00e9simo exemplar da revista Economia e Energia &#8211; E&amp;E. Em dezembro de 1996, lan\u00e7amos na internet nosso <a href=\"http:\/\/ecen.com\/eee0\/eeezero.pdf\">n\u00famero zero<\/a><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> da fase internet que foi transcrita na forma impressa posteriormente adotada. Nossa proposta foi \u201ctrazer para o debate dos temas vinculados a seu t\u00edtulo (Economia e Energia) uma vis\u00e3o de m\u00e9dio prazo, ancorada no comportamento hist\u00f3rico de vari\u00e1veis, mas atenta \u00e0s novas tend\u00eancias globais. Ousaremos apresentar, a cada n\u00famero, proje\u00e7\u00f5es sobre o comportamento futuro de algumas vari\u00e1veis\u201d. Isto \u00e9, basicamente, o que continuamos a fazer.<\/p><p>Nosso <a href=\"http:\/\/ecen.com\/content\/eee1\/frprinci.htm\">primeiro n\u00famero<\/a> apresentava os seguintes temas e autores: Apresenta\u00e7\u00e3o: e&amp;e o que \u00e9 e a que veio, A Produtividade do Capital: <em>Carlos Feu Alvim<\/em>; \u00a0Brasil e a Mudan\u00e7a do Clima: <em>Jos\u00e9 D. G. Miguez<\/em>; Exaust\u00e3o do Petr\u00f3leo: <em>Omar Campos Ferreira; <\/em>Equil\u00edbrio Inst\u00e1vel: <em>Genserico Encarna\u00e7\u00e3o Jr;<\/em> O Capital Nacional: <em>Carlos Feu Alvim<\/em>.<\/p><p><a href=\"http:\/\/ecen.com\/eee88\/eee88p\/omar.htm\">Omar Campos Ferreira<\/a> (1931-2013) e Frida Eidelman (1941-2016), j\u00e1 nos deixaram e deram uma preciosa contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 Revista que, no que se refere a artigos, est\u00e1 preservada em sua \u00edntegra na internet.<\/p><p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/FRIDA.png\" alt=\"\" width=\"385\" height=\"539\" data-wp-pid=\"2595\" \/>\u00a0Nossa colega e amiga Frida Eidelman que integrou a equipe desde o in\u00edcio, possibilitou a publica\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas de todos os artigos durante muitos anos. Na ocasi\u00e3o de seu falecimento, est\u00e1vamos no \u00fanico per\u00edodo em que foi interrompida a edi\u00e7\u00e3o da Revista. Reflexo, em parte, da falta que ela j\u00e1 estava fazendo. Com isso ficamos devendo a ela uma homenagem a exemplo da que pudemos fazer com o Omar.<\/p><p>Frida Eidelman aliava um profundo conhecimento de humanidades, que inclu\u00eda um apurado conhecimento de l\u00ednguas, a uma forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida em matem\u00e1tica e em ci\u00eancias nucleares. Foi exemplo para n\u00f3s de atitude construtiva e de cordialidade, qualidades que contribu\u00edram muito para cativar toda a equipe.<\/p><p>Nos \u00faltimos anos, foi exemplo de coragem e otimismo frente a terr\u00edveis dificuldades de sa\u00fade. Depois de uma complicada cirurgia, que permitiu a consci\u00eancia da gravidade do seu caso, encontrou \u00e2nimo para ainda viajar ao exterior com um grupo de amigos que ela sempre soube cultivar. \u00a0Amigos que soube manter, em v\u00e1rias partes do mundo.<\/p><p>Levava muito a s\u00e9rio os assuntos religiosos, mas era capaz de conversar e compreender as posi\u00e7\u00f5es de outras religi\u00f5es e dos que n\u00e3o as tinham. Conseguiu com isso, certamente contando com a reciprocidade da toler\u00e2ncia que ela inspirava, sendo israelita, ter afilhado crist\u00e3o.<\/p><p>Neste n\u00famero cem, prestamos a ela essa singela homenagem. Sua natureza radiante, cotidianamente relembrada, segue iluminando sua falta.<\/p><p><em><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> N\u00famero Zero: <a href=\"http:\/\/ecen.com\/eee0\/eeezero.pdf\">http:\/\/ecen.com\/eee0\/eeezero.pdf<\/a><br \/>N\u00famero Um: http:\/\/ecen.com\/content\/eee1\/frprinci.htm<\/em><\/p><p>Sum\u00e1rio<\/p><p><a href=\"#_Toc528074953\"><strong>\u00c9 CEM<\/strong>&#8230; 1<\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc528074954\"><strong>EFEITO ESTUFA: PERSISTEM D\u00daVIDAS SOBRE O PAPEL DO METANO<\/strong>\u00a0 \u00a0<\/a><br \/><a href=\"#_Toc528074955\"><em>Resumo<\/em>\u00a0<\/a><br \/><a href=\"#_Toc528074956\"><em>Palavras Chave<\/em>\u00a0<\/a><\/p><ol><li><a href=\"#_Toc528074957\"> Introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/li><li><a href=\"#_Toc528074958\"> Mais uma vez, o Comportamento Hist\u00f3rico da Concentra\u00e7\u00e3o de<br \/>Metano na Atmosfera<\/a><\/li><li><a href=\"#_Toc528074959\"> O Fator de Equival\u00eancia do Metano ao CO2<\/a><\/li><li><a href=\"#_Toc528074960\"> A Posi\u00e7\u00e3o dos Cientistas frente ao Efeito Estufa<\/a><br \/><a style=\"font-size: 1rem;\" href=\"#_Toc528074961\">Bibliografia. 26<\/a><\/li><\/ol><p><a href=\"#_Toc528074962\"><strong>CONDI\u00c7\u00d5ES DE CONTORNO PARA PARCERIAS NO SETOR NUCLEAR BRASILEIRO<\/strong>\u00a0 \u00a0<\/a><br \/><a href=\"#_Toc528074963\"><em>Resumo<\/em><\/a><br \/><a href=\"#_Toc528074964\"><em>Palavras Chave<\/em><\/a><\/p><p>1.\u00a0<a href=\"#_Toc528074965\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/p><p>2.\u00a0<a href=\"#_Toc528074966\">O Car\u00e1ter Estrat\u00e9gico da Energia Nuclear<\/a><br \/><a style=\"font-size: 1rem;\" href=\"#_Toc528074967\">2.1 Macro-objetivos Nacionais Ligados ao Setor Nuclear\u00a0<\/a><br \/><a style=\"font-size: 1rem;\" href=\"#_Toc528074968\">2.2\u00a0 Nuclear sendo Estrat\u00e9gico: \u00c9 Necess\u00e1ria a Presen\u00e7a do Estado?<\/a><br \/><a style=\"font-size: 1rem;\" href=\"#_Toc528074969\">2.3 Estatizar \u00e9 sempre Bom para a Autonomia Tecn\u00f3gica?<\/a><\/p><p><a style=\"font-size: 1rem;\" href=\"#_Toc528074970\">3. As Parcerias Poss\u00edveis<\/a><br \/><a href=\"#_Toc528074971\">3.1 Parcerias no Objetivo um:\u00a0 Desenvolvimento Nuclear e Submarino<\/a><br \/><a href=\"#_Toc528074972\">3.2\u00a0 Parcerias no Objetivo dois:\u00a0 Constru\u00e7\u00e3o e Opera\u00e7\u00e3o de Usinas Nucleares (Gera\u00e7\u00e3o de Eletricidade)\u00a0<\/a><br \/><a href=\"#_Toc528074973\">3.3 Parcerias no Objetivo:\u00a0 Uso de Radiois\u00f3topos<\/a><\/p><p>4.\u00a0<a href=\"#_Toc528074974\">As novas regras das Contas Nacionais e do Balan\u00e7o de Pagamentos<\/a><\/p><p>5.\u00a0<a href=\"#_Toc528074975\">A Possibilidade de Autofinanciamento de Angra 3<\/a><\/p><p><a style=\"font-size: 1rem;\" href=\"#_Toc528074976\">6. Conclus\u00e3o<\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc528074977\">Bibliografia. <\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc528074978\"><strong>PARA ONDE VAI O D\u00d3LAR<\/strong><\/a><br \/><a href=\"#_Toc528074979\"><em>Resumo:<\/em><\/a><br \/><a href=\"#_Toc528074980\"><em>Palavras chave:<\/em>\u00a0<\/a><\/p><p><a href=\"#_Toc528074981\">Conforme Antecip\u00e1vamos, ou\u00a0 a Tend\u00eancia para o D\u00f3lar de Equil\u00edbrio<\/a><\/p><p><em>___________________________\u00a0<\/em><\/p><p><em>\u00a0<\/em><\/p><p><em><img src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eee.jpg\" \/><br \/><b><strong>Economia e Energia \u2013 E&amp;E\u00a0 \u00a0<\/strong><\/b><b><strong>N\u00ba 100,\u00a0 julho a setembro de 2018<br \/><\/strong><\/b>ISSN 1518-2932<\/em><\/p><p><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>Artigo:\u00a0<\/strong><\/span><em><br \/><\/em><\/p><h1><a name=\"_Toc528074954\"><\/a><strong>EFEITO ESTUFA: PERSISTEM D\u00daVIDAS SOBRE O PAPEL DO METANO<\/strong><\/h1><p style=\"text-align: right;\"><em>Carlos Feu Alvim e Olga Mafra<br \/>\u00a0 <\/em><a href=\"mailto:carlos.feu@ecen.com\"><em>carlos.feu@ecen.com<\/em><\/a><em>, olga@ecen.com<\/em><\/p><h3><a name=\"_Toc528074955\"><\/a><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Resumo:<\/span><\/strong><\/h3><p>Os teores do g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2) e do metano (CH4) na atmosfera est\u00e3o acima dos recordes hist\u00f3ricos e pr\u00e9-hist\u00f3ricos. Ao contr\u00e1rio do g\u00e1s carb\u00f4nico, entretanto, o crescimento do metano mostra sinais de desacelera\u00e7\u00e3o desde os anos setenta. Por ser uma subst\u00e2ncia basicamente exot\u00e9rmica (libera energia quando \u00e9 oxidado) o metano tem menor vida m\u00e9dia que o CO2. Enquanto a concentra\u00e7\u00e3o do g\u00e1s carb\u00f4nico continua no processo regular de crescimento de sua concentra\u00e7\u00e3o na atmosfera, o metano mostra um comportamento hist\u00f3rico de estabiliza\u00e7\u00e3o, examinado com a modelagem log\u00edstica de Volterra, aplicada extensamente por Cesare Marchetti e Jos\u00e9 Israel Vargas.<\/p><p>Doze anos ap\u00f3s a primeira an\u00e1lise aqui publicada (2006), a concentra\u00e7\u00e3o de metano continua seguindo a rota prevista (E&amp;E \u2116 55), ao contr\u00e1rio do que indicava a maioria dos modelos adotados na \u00e9poca pelo IPCC. Durante quase uma d\u00e9cada, a concentra\u00e7\u00e3o de metano praticamente estacionou.<\/p><p>Ao inv\u00e9s de se focar no comportamento inesperado da concentra\u00e7\u00e3o de metano, a discuss\u00e3o sobre o assunto tem se concentrado na equival\u00eancia a ser usada com o g\u00e1s carb\u00f4nico. A diverg\u00eancia entre os coeficientes de equival\u00eancia entre o metano e o CO2, apresenta um fator pr\u00f3ximo a dez.<\/p><p>Tudo isto indica que a incerteza cient\u00edfica sobre o comportamento do metano aconselha prud\u00eancia na realiza\u00e7\u00e3o de investimentos para reduzir sua emiss\u00e3o. Prop\u00f5e-se limitar as medida \u00e0quelas que forem justific\u00e1veis, usando-se o \u00edndice GTP (<em>Global Temperature Change Potential<\/em>).<\/p><h3><a name=\"_Toc528074956\"><\/a>Palavras Chave<\/h3><p>Metano, gases de efeito estufa, GWP, GTP, modelagem log\u00edstica.<\/p><p>________________________________<\/p><h2><a name=\"_Toc528074957\"><\/a>1.\u00a0\u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2><p>A mitiga\u00e7\u00e3o de metano (CH4) tem sido um dos principais alvos de medidas incentivadas visando a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa. Este g\u00e1s, se coletado na origem e suficientemente concentrado, \u00e9 inflam\u00e1vel e sua energia aproveit\u00e1vel. O protocolo de Kyoto estabeleceu uma equival\u00eancia de 21, relativa \u00e0 igual massa de CO2. Nas orienta\u00e7\u00f5es do IPCC para as declara\u00e7\u00f5es nacionais este valor vem crescendo, chegando a 28, no valor adotado no Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o 5 \u2013 AR5 do IPCC.<\/p><p>Dois fatos t\u00eam, no entanto, colocado em d\u00favida a validade da mitiga\u00e7\u00e3o do efeito estufa no que \u00e9 atribu\u00eddo ao metano. O primeiro deles, \u00e9 que o coeficiente usado n\u00e3o leva em conta o efeito dele esperado sobre a temperatura, que \u00e9 o objetivo primordial da mitiga\u00e7\u00e3o. De fato, quando levado em conta, o coeficiente cai de 28 para 4. O segundo fato, \u00e9 que a concentra\u00e7\u00e3o do metano n\u00e3o est\u00e1 crescendo como previsto, supondo-se mesmo que j\u00e1 poderia estar sobre controle da Natureza.<\/p><p>Com efeito, a maioria das proje\u00e7\u00f5es para o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de metano, usadas no Terceiro Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do IPCC (TAR), falhou redondamente na previs\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o futura de metano na atmosfera nas duas d\u00e9cadas seguintes.<\/p><p>Sobre este assunto, foi mostrado na revista E&amp;E \u2116 55 que um tratamento estat\u00edstico dos dados da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera j\u00e1 apresentava sinais de desacelera\u00e7\u00e3o desde os anos setenta e que sua tend\u00eancia indicava uma satura\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima a 2 ppm<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[1]<\/a> ou 2000 ppb, que \u00e9 a unidade usual para medida deste g\u00e1s na atmosfera. Na primeira d\u00e9cada desde s\u00e9culo, a quantidade de metano apresentou-se praticamente est\u00e1vel. Isto levou a comunidade de cientistas que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o ao IPCC a investigar seriamente a causa desse fen\u00f4meno inesperado, que ocorreu justamente nos anos posteriores \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio que havia procurado refor\u00e7ar, frente \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica, a certeza sobre a realidade do efeito estufa. Do ponto de vista pol\u00edtico, n\u00e3o houve cr\u00edticas exacerbadas sobre o erro das proje\u00e7\u00f5es. Na verdade, houve um sil\u00eancio respeitoso. Nos programas de mitiga\u00e7\u00e3o o metano continuou desfrutando do coeficiente que o tornava atraente em projetos como os do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo &#8211; MDL.<\/p><p>Nos primeiros anos desta d\u00e9cada, constatou-se uma ligeira retomada no crescimento do metano que tem sido bastante real\u00e7ada, sobretudo, em artigos que comparam o comportamento citado nas duas d\u00e9cadas. Embora real, esta an\u00e1lise \u00e9 claramente tendenciosa quando se limita a comparar s\u00f3 duas d\u00e9cadas.<\/p><p>Este artigo examina estes dois assuntos. Foram constatadas in\u00fameras incertezas sobre a concentra\u00e7\u00e3o de metano e sua equival\u00eancia ao CO2 para fins de efeito estufa. Face a essas incertezas, prop\u00f5e-se que as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o de metano, principalmente as que exigem maior concentra\u00e7\u00e3o de recursos e que mais onerem a produ\u00e7\u00e3o devem ser submetidas \u00e0 criteriosa an\u00e1lise de custo-benef\u00edcio. Devem-se limitar as a\u00e7\u00f5es incentivadas aos projetos vi\u00e1veis, em termos da equival\u00eancia que tomam por base o efeito estimado sobre a temperatura global.<\/p><p>No Brasil, o metano \u00e9 respons\u00e1vel por pelo menos 36% dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e por 32% dos resultados, de acordo com o Segundo Relat\u00f3rio de Atualiza\u00e7\u00e3o Bienal do Brasil \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o &#8211; Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u00a0(Brasil MRE\/MCTIC, 2017).<\/p><p>Deve-se lembrar que as medidas de conten\u00e7\u00e3o do efeito estufa (mitiga\u00e7\u00e3o) exigem consider\u00e1veis investimentos cujo sacrif\u00edcio \u00e9 tanto maior quando o pa\u00eds \u00e9 ainda de baixa renda m\u00e9dia, agravada por uma m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do Brasil.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074958\"><\/a>2.\u00a0\u00a0 Mais uma vez, o Comportamento Hist\u00f3rico da Concentra\u00e7\u00e3o de Metano na Atmosfera.<\/h2><p>O metano no Brasil \u00e9 o g\u00e1s considerado como o de maior contribui\u00e7\u00e3o para as emiss\u00f5es brasileiras, quando se excluem as emiss\u00f5es do uso da terra. \u00a0<\/p><p>Em 2006, na edi\u00e7\u00e3o de \u2116 55\u00a0(Feu Alvim, et al., 2006) desta revista usou-se essa mesma metodologia que j\u00e1 foi bastante testada para projetar vari\u00e1veis de comportamento complexo como \u00e9 o teor de metano na atmosfera terrestre. No caso do metano, existe uma raz\u00e3o a mais para aplicar a metodologia porque, na explica\u00e7\u00e3o mais simples, ainda correntemente adotada, este g\u00e1s desaparece com uma vida m\u00e9dia de 12 anos e a elimina\u00e7\u00e3o do metano na atmosfera seria proporcional a sua concentra\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[2]<\/sup><\/a><sub>. <\/sub>Na revista <a href=\"http:\/\/ecen.com\/eee65\/eee65p\/revisitando%20a%20concentracao%20do%20metano%20na%20atmosfera.htm\">E&amp;E N\u00b0 65<\/a> as previs\u00f5es j\u00e1 sofreram uma \u201crevisita\u201d, onde foi real\u00e7ada a diverg\u00eancia entre as previs\u00f5es sobre a evolu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de metano e as proje\u00e7\u00f5es correntes. Na maioria dos modelos avaliados pelo IPCC, a vida m\u00e9dia do metano seria aumentada pela redu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de OH na atmosfera o que n\u00e3o ocorreu.<\/p><p>Fazendo uma digress\u00e3o a respeito: Previs\u00f5es de longo prazo s\u00e3o as mais confort\u00e1veis de se fazer porque dificilmente s\u00e3o cobradas de seus autores. Nesse caso, os autores t\u00eam a oportunidade de, 12 anos ap\u00f3s a primeira publica\u00e7\u00e3o, voltar ao assunto, certamente motivados pelo acerto e, com o est\u00edmulo extra, das falhas nas previs\u00f5es do grande consenso cient\u00edfico representado pelo IPCC.<\/p><p>As proje\u00e7\u00f5es anteriormente apresentadas basearam-se nos dados de 1900 a 1996 mostrados na Figura 1.<\/p><p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig1_metano.png\" alt=\"\" width=\"713\" height=\"450\" data-wp-pid=\"2537\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 1: Valores da concentra\u00e7\u00e3o de metano na regi\u00e3o do Polo Sul, baseados em amostras de gelo datadas e em medidas atmosf\u00e9ricas modernas e respectivos ajustes.<\/em><\/p><p>O que se observa neste gr\u00e1fico \u00e9 que a varia\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera vem subindo ao longo do tempo. A Figura se concentra nos anos posteriores a 1940. Na an\u00e1lise anterior foi mostrado que concentra\u00e7\u00e3o passou de cerca de 850 ppb (partes por bilh\u00e3o em massa) em 1900 e atingiu cerca de 1700 ppb em meados da d\u00e9cada de noventa. Os mesmos dados permitem obter a varia\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual que teriam passado por um m\u00e1ximo na d\u00e9cada de setenta. A linha de cor magenta, representa a varia\u00e7\u00e3o anual da concentra\u00e7\u00e3o (geralmente acr\u00e9scimo e assim denominada no gr\u00e1fico) e \u00e9 lida na escala \u00e0 direita. Os dados dispon\u00edveis atingiam um per\u00edodo muito mais longo, mas o comportamento dos acr\u00e9scimos sugeria concentrar a an\u00e1lise nos dados a partir de 1940 que apresentam uma din\u00e2mica diferente dos anos anteriores. Nas atividades humanas, supostas causadoras do aumento da concentra\u00e7\u00e3o de metano, a Segunda Guerra Mundial e o desenvolvimento do p\u00f3s-guerra s\u00e3o, seguramente, marcos importante para demarcar o per\u00edodo da an\u00e1lise.<\/p><p>Os valores em magenta na Figura 1 (varia\u00e7\u00f5es anuais da concentra\u00e7\u00e3o) servem para determinar o ponto de inflex\u00e3o da curva de concentra\u00e7\u00f5es (ano de 1975) e para estimar a concentra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima a ser atingida (1890 ppb).<\/p><p>A representa\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o acumulada (a partir de 1940) na escala Fisher-Pry, mostrada na Figura 2, permitiu o ajuste dos dados existentes por uma reta cuja extrapola\u00e7\u00e3o serve para projetar os valores futuros, mostrados na Figura 1 tanto para a curva de acr\u00e9scimos como para a integral.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig2_metano.png\" alt=\"\" width=\"709\" height=\"452\" data-wp-pid=\"2538\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 2: Ajuste da Curva Fisher-Pry aos valores da concentra\u00e7\u00e3o de Metano na Atmosfera.<\/em><\/p><p>Nesta representa\u00e7\u00e3o usa-se o tempo como vari\u00e1vel na horizontal, e, na vertical log[f\/(1-f)]. Nesse caso, definiu-se o valor de base como sendo 954 ppb que \u00e9 a m\u00e9dia dos anos anteriores a 1940 da amostra (1900 a 1938). O valor de f \u00e9 o valor do ano, subtra\u00eddo da base, dividido pelo valor m\u00e1ximo, tamb\u00e9m subtra\u00eddo da base. Esse ajuste, em escala natural, foi tamb\u00e9m representado nos dados de concentra\u00e7\u00e3o mostrados na Figura 1.<\/p><p>Resumindo, baseando-se no comportamento hist\u00f3rico da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera at\u00e9 1996, uma curva log\u00edstica (E&amp;E 55) foi ajustada aos dados. Pelo ajuste, a concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera se estabilizaria bo n\u00edvel de 1890 ppb. Tal mudan\u00e7a ocorreria em um tempo de 69 anos entre o in\u00edcio do processo (10%) a sua satura\u00e7\u00e3o (90%). Havendo o atual ciclo se iniciado em 1940, haveria atingido um valor pr\u00f3ximo \u00e0 satura\u00e7\u00e3o em 2010.\u00a0 Os detalhes desta metodologia de ajuste est\u00e3o na refer\u00eancia E&amp;E 55.<\/p><p>Os valores, projetados naquela ocasi\u00e3o, podem hoje ser confrontados com os valores reais verificados ao longo de mais de 20 anos. Isto \u00e9 feito na Figura 3 com dados m\u00e9dios na atmosfera terrestre. Para comparar os dados m\u00e9dios \u00e9 preciso levar em conta a diferen\u00e7a, verificada nas amostras ao longo dos s\u00e9culos, na concentra\u00e7\u00e3o de metano entre o polo Sul e a m\u00e9dia mundial que continua existindo nas medidas atuais.<\/p><p>Para compara\u00e7\u00e3o, os dados do Polo Sul e os dados m\u00e9dios para o mundo foram renormalizados para a m\u00e9dia dos anos 1994 e 1995 para as duas s\u00e9ries de medidas. Encontrou-se um valor de renormaliza\u00e7\u00e3o de 67 ppb que foi subtra\u00eddo dos valores m\u00e9dios mundiais para comparar com o comportamento indicado. Esta diferen\u00e7a \u00e9 cerca de 4% da concentra\u00e7\u00e3o do Polo Sul. Os resultados s\u00e3o mostrados na Figura 3.<\/p><p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig3_metano.png\" alt=\"\" width=\"721\" height=\"451\" data-wp-pid=\"2548\" \/><\/p><p>Figura 3: Comportamento das concentra\u00e7\u00f5es de metano na atmosfera no Polo Sul; proje\u00e7\u00f5es do ajuste e compara\u00e7\u00e3o com o comportamento de dados dispon\u00edveis at\u00e9 1996 com os novos dados at\u00e9 2017.<\/p><p>Um atrativo ao estudo dessa quest\u00e3o dos gases de efeito estufa \u00e9 que as medidas realizadas para compreender sua emiss\u00e3o e dispers\u00e3o propuseram desafios, que est\u00e3o provocando interessante atividade de pesquisa com coleta de dados e sua an\u00e1lise por diferentes grupos. Para algumas quest\u00f5es, ainda n\u00e3o existem explica\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias e, para outras, existem explica\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias.<\/p><p>\u00c9 o caso da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera nas diferentes latitudes no globo como tamb\u00e9m sua varia\u00e7\u00e3o desde a superf\u00edcie at\u00e9 as altas camadas da atmosfera. A emiss\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o do metano obedecem a v\u00e1rios processos e os modelos existentes tem se revelado imprecisos no m\u00e9dio prazo para explicar o comportamento de sua concentra\u00e7\u00e3o.<\/p><p>De acordo com a literatura, a vida m\u00e9dia do metano n\u00e3o seria constante. Por ocasi\u00e3o da Publica\u00e7\u00e3o do TAR Base Cient\u00edfica\u00a0(IPCC, 2001) (cap. 4, fig. 4.14 pag. 276 vers\u00e3o inglesa), havia modelos prevendo sua queda ao longo deste s\u00e9culo e a maioria prognosticando seu aumento em virtude da redu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de OH provocada pela pr\u00f3pria rea\u00e7\u00e3o com o metano, da varia\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de oz\u00f4nio (O3) e de mon\u00f3xido de carbono (CO) na atmosfera, que tamb\u00e9m interferem na absor\u00e7\u00e3o de metano.<\/p><p>Um balan\u00e7o equilibrado do metano \u00e9 mostrado na Tabela 1 (Weele, 2006) podendo-se ver a diversidade de processos de emiss\u00e3o tanto naturais como associados \u00e0 atividade humana e sua absor\u00e7\u00e3o dominada pela presen\u00e7a de OH na troposfera. \u00c9 assinalada a d\u00favida existente sobre o papel das florestas na emiss\u00e3o de metano.<\/p><p>Tabela 1: Fontes Antropog\u00eanicas, Naturais e Absorventes do CH4<\/p><table><tbody><tr><td width=\"158\"><p>Fontes Antropog\u00eanicas<br \/>(em Tg\/ano)<\/p><\/td><td width=\"123\"><p>Fontes\u00a0\u00a0Naturais<br \/>(em Tg\/ano)<\/p><\/td><td width=\"132\"><p>Absorventes<br \/><span style=\"font-family: inherit; font-size: inherit;\">(em Tg\/ano)<\/span><\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"158\"><p>Fosseis\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0102<br \/><span style=\"font-family: inherit; font-size: inherit;\">(carv\u00e3o\/petr\u00f3leo\/g\u00e1s)<\/span><\/p><p>Planta\u00e7\u00f5es de Arroz\u00a0 80<\/p><p>Queimadas\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a045<\/p><p>Animais\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 98<\/p><p>Lixo\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 70<\/p><\/td><td width=\"123\"><p>P\u00e2ntanos\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 145<\/p><p>Termitas\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 20<\/p><p>Oceanos\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a015 Geol\u00f3gicas\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 18<\/p><p>Plantas\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ?<\/p><\/td><td width=\"132\"><p>OH\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0523<br \/>Troposf\u00e9rico<\/p><p>Solos\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a030<\/p><p>Estratosfera\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a040<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"158\">Totais\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 395<\/td><td width=\"123\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 198<\/td><td width=\"132\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 593<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>As proje\u00e7\u00f5es para o Terceiro Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o (TAR) do IPCC, feitas pelos t\u00e9cnicos que assessoram o IPCC, resultaram inteiramente dissonantes do verificado nos \u00faltimos anos, mesmo tendo sido feitas com dados posteriores aos utilizados pela revista E&amp;E.<\/p><p>A grande maioria dos cen\u00e1rios considerados no Terceiro Relat\u00f3rio de Assessoramento \u2013 TAR (IPCC, 2001) apontava, para os anos seguintes ao da sua publica\u00e7\u00e3o (2001), crescimento significativo da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera, ilustrado na Figura 4.<\/p><p>Os diferentes cen\u00e1rios do IPCC para o TAR representam hip\u00f3teses de evolu\u00e7\u00e3o sem quaisquer medidas de mitiga\u00e7\u00e3o. Desses cen\u00e1rios <em>(Special Report on Emissions Scenarios &#8211; SRES<\/em>)<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[3]<\/a>, s\u00f3 um cen\u00e1rio (B1), previa a revers\u00e3o do crescimento da concentra\u00e7\u00e3o de metano. Esta revers\u00e3o s\u00f3 seria alcan\u00e7ada, no entanto, por volta de 2030.<\/p><p>A Figura 4 compara os diferentes cen\u00e1rios do IPCC com o ajuste do artigo da E&amp;E de 2006 e mostra que os resultados eram bastante diferentes. A confronta\u00e7\u00e3o com a realidade mostrou uma redu\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da esperada pelo ajuste, e pelos modelos do IPCC.<\/p><p>A aparente retomada do crescimento da concentra\u00e7\u00e3o do metano, observada no comportamento das curvas da concentra\u00e7\u00e3o e de sua varia\u00e7\u00e3o na Figura 3, enquadram-se ainda no comportamento hist\u00f3rico de varia\u00e7\u00f5es ao longo da tend\u00eancia. O in\u00edcio de um novo ciclo de crescimento, no entanto, n\u00e3o pode ainda ser descartado.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig-4a_metano.png\" alt=\"\" width=\"723\" height=\"439\" data-wp-pid=\"2539\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig4b_metano.png\" alt=\"\" width=\"717\" height=\"439\" data-wp-pid=\"2540\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 4: Compara\u00e7\u00e3o do ajuste E&amp;E e a proje\u00e7\u00f5es dos modelos IPCC, o gr\u00e1fico de baixo apresenta uma amplia\u00e7\u00e3o de escala<\/em><\/p><p>No ajuste utilizado, \u00e9 bom notar que o m\u00e1ximo de varia\u00e7\u00e3o teria acontecido na metade da d\u00e9cada se setenta quando a humanidade ainda n\u00e3o havia tomado consci\u00eancia do aumento do efeito estufa nem dos poss\u00edveis efeitos sobre a temperatura global e consequentemente n\u00e3o havia medidas de conten\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. Ou seja, a revers\u00e3o j\u00e1 se iniciara muito antes das preocupa\u00e7\u00f5es da sociedade com o tema e n\u00e3o deve ser atribu\u00edda a medidas tomadas ainda no s\u00e9culo anterior.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074959\"><\/a>3.\u00a0\u00a0 O Fator de Equival\u00eancia do Metano ao CO2<\/h2><p>Al\u00e9m do problema nas previs\u00f5es da concentra\u00e7\u00e3o do metano, existe outra quest\u00e3o de grande import\u00e2ncia que \u00e9 a equival\u00eancia do metano ao CO2 quando se avalia seu efeito sobre a atmosfera.<\/p><p>A grande maioria dos que trabalham na \u00e1rea concorda que \u00e9 real a participa\u00e7\u00e3o da atividade humana no aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera. Quanto \u00e0 repercuss\u00e3o do efeito desses gases no aumento da temperatura, h\u00e1 um quase consenso sobre seu efeito qualitativo (h\u00e1 um aumento da temperatura), mas muita discrep\u00e2ncia quantitativa sobre seu valor (quantos graus a temperatura vai subir) e maior ainda sobre os efeitos indiretos que este aumento provocar\u00e1.<\/p><p>Entre os gases de efeito estufa dois se destacam: o g\u00e1s carb\u00f4nico ou CO2 e o metano ou CH4. Ambos funcionam como filtros da radia\u00e7\u00e3o da Terra para a estratosfera, retendo calor. O efeito dos dois gases como filtro \u00e9 diferente. Em fun\u00e7\u00e3o disto, cada tonelada de metano \u00e9 considerada 25 vezes mais poluente, do ponto de vista de efeito estufa, que a tonelada de g\u00e1s carb\u00f4nico.\u00a0 Acontece que o tempo de perman\u00eancia na atmosfera do metano \u00e9 muito menor que o do g\u00e1s carb\u00f4nico e, em fun\u00e7\u00e3o disto, seu efeito cumulativo sobre o poder da irradia\u00e7\u00e3o do Planeta (<em>Radiative Force RF<\/em>) \u00e9 menor do que quando \u00e9 emitido. Isto \u00e9 levado em conta no c\u00e1lculo do GWP (<em>Global Warming Potencial)<\/em> estabelecido a partir do efeito m\u00e9dio em 100 anos na radia\u00e7\u00e3o. O valor sugerido para a equival\u00eancia ao CO2 tem variado ao longo do tempo. Por ocasi\u00e3o do Protocolo de Kyoto era 21, no Terceiro Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o (conhecido por TAR da sigla em ingl\u00eas) era 25 e no Quinto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o \u2013 AR5 do IPCC est\u00e1 em 28.<\/p><p>O terceiro componente emitido, com os quais se completa 99% do total em equivalente, \u00e9 a oxido nitroso, N2O. Tamb\u00e9m ele apresenta um poder de radia\u00e7\u00e3o bem superior ao do CO2 sendo sua equival\u00eancia considerada como sendo 289 no TAR. Sua vida m\u00e9dia \u00e9 avaliada em 121 anos o que o torna menos sujeito \u00e0s varia\u00e7\u00f5es com o per\u00edodo de integra\u00e7\u00e3o usado para estabelecer a equival\u00eancia. Pode-se ver na Tabela 2 que sua varia\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena mudando-se de GWP para GTP (<em>Global Temperature change Potential<\/em>) ou usando-se diferentes tempos de integra\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Tabela 2: Vidas M\u00e9dias e Fator de equival\u00eancia a CO2*<\/p><table><tbody><tr><td width=\"70\">G\u00e1s<\/td><td width=\"76\">Vida M\u00e9dia<br \/>(anos)<\/td><td width=\"72\"><p>GWP<\/p><p>100 anos<\/p><\/td><td width=\"71\"><p>GTP<\/p><p>20 anos<\/p><\/td><td width=\"71\"><p>GTP<\/p><p>50 anos<\/p><\/td><td width=\"71\"><p>GTP<\/p><p>100 anos<\/p><\/td><\/tr><tr><td width=\"70\">CO2<\/td><td width=\"76\">Maior que 20.000<\/td><td width=\"72\">1<\/td><td width=\"71\">1<\/td><td width=\"71\">1<\/td><td width=\"71\">1<\/td><\/tr><tr><td width=\"70\">CH4<\/td><td width=\"76\">12,4<\/td><td width=\"72\">28<\/td><td width=\"71\">67<\/td><td width=\"71\">14<\/td><td width=\"71\">4<\/td><\/tr><tr><td width=\"70\">N2O<\/td><td width=\"76\">121<\/td><td width=\"72\">265<\/td><td width=\"71\">277<\/td><td width=\"71\">282<\/td><td width=\"71\">234<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>*Dados da Ref. (EFCTC, 2016) adotando os valores GWP para o AR5 do IPCC.\u00a0<\/p><p>O que mais interessaria do ponto de vista de aumento da temperatura global seria justamente esse poder de elev\u00e1-la quando comparado ao do CO2. Ao longo dos mesmos 100 anos, a equival\u00eancia de CH4 em CO2 teria um valor 4. Essa incerteza \u201cdesaparece\u201d para fins comerciais quando se adota um fator de equival\u00eancia, como foi feito no Protocolo de Kyoto, para negociar cr\u00e9ditos de carbono. Melhor seria que essa incerteza fosse claramente indicada para evitar desperd\u00edcios com medidas de efic\u00e1cia desconhecida.<\/p><p>Esses valores, que correspondem \u00e0 resposta a um pulso do g\u00e1s ao longo do tempo, est\u00e3o mostrados na Tabela 2. Um bom e did\u00e1tico resumo sobre os convenientes e inconvenientes de usar um ou outro indicador na compara\u00e7\u00e3o dos gases \u00e9 apresentado na Ref. (EFCTC, 2016). A raz\u00e3o alegada nesse artigo para adotar o GWP \u00e9 que ele \u00e9 menos sujeito a altera\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, por varia\u00e7\u00f5es na metodologia. As incertezas metodol\u00f3gicas sobre os valores de GWP s\u00e3o estimadas em 26%, associadas ao efeito do CO2 tendo em vista os diferentes processos para sua absor\u00e7\u00e3o ao longo de 100 anos. Esta incerteza afeta igualmente o GWP e o GTP. As incertezas relativas ao metano s\u00e3o ainda maiores, porque o tempo de absor\u00e7\u00e3o do CH4 ainda \u00e9 indeterminado e parece depender do ambiente em que ele \u00e9 lan\u00e7ado. O principal mecanismo de seu desaparecimento seria atrav\u00e9s de rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica com o radical OH:<\/p><p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0OH+CH4 \u2192 CH3+H2O<\/p><p>podendo se constatar valores diferentes de vidas m\u00e9dias dependendo da abund\u00e2ncia desse radical na atmosfera que \u00e9 vari\u00e1vel por localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Ademais existem outros mecanismos de absor\u00e7\u00e3o com din\u00e2mica pr\u00f3pria que tornam a proje\u00e7\u00e3o da vida m\u00e9dia do metano complexa. A a\u00e7\u00e3o humana se d\u00e1 em paralelo com a a\u00e7\u00e3o pr\u00e9-existente da Natureza como foi mostrado na Tabela 1.<\/p><p>A alega\u00e7\u00e3o para n\u00e3o usar o GTP \u00e9 que a combina\u00e7\u00e3o das duas incertezas (CO2 e CH4) resultaria em uma incerteza de \u00b1 96% no valor do GTP do equivalente do metano em CO2. Isso tornaria inconveniente usar a equival\u00eancia baseada no efeito sobre a temperatura (GTP) ao inv\u00e9s do GWP, baseado no poder de radia\u00e7\u00e3o que apresenta menor incerteza. A diplomacia e os \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos brasileiros defendem a ado\u00e7\u00e3o dos valores do GTP como equival\u00eancia. A posi\u00e7\u00e3o parece sensata porque, ainda que os valores estejam sujeito a erros, eles medem o que realmente interessa: o efeito sobre a temperatura.\u00a0<\/p><p>Esta diferen\u00e7a de posi\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses e sua poss\u00edvel motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 discutida na referencia (Chang-ke, et al., 2013). As emiss\u00f5es brasileiras, entre 1990 e 2005, seriam 42% menores usando-se, ao inv\u00e9s da equival\u00eancia GWP a GTP. Para os EUA, essa varia\u00e7\u00e3o seria de 9%, para o Jap\u00e3o 5%, para a Uni\u00e3o Europeia \u2013 UE 11% e para a China 19%. O uso do GTP em lugar do GWP \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 China, \u00cdndia, Brasil, Austr\u00e1lia e R\u00fassia, mas desfavor\u00e1vel para UE, EUA, Jap\u00e3o, Canad\u00e1, e \u00c1frica do Sul.<\/p><p>\u00a0Note-se que os par\u00e2metros usados por estes autores s\u00e3o diferentes dos mostrados na Tabela 2 para equival\u00eancia em CO2 do metano: 18 para o GWP e <strong>0,26 <\/strong>para o GTP. Isto faz parte da diversidade de par\u00e2metros usados, tendo em vista as incertezas existentes. A conclus\u00e3o importante \u00e9 que existe um fator pol\u00edtico atribu\u00eddo \u00e0 op\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses por uma ou outra equival\u00eancia.<\/p><p>A Figura 5, usando as equival\u00eancias da Tabela 2, compara, para o ano de 2012, os valores de emiss\u00f5es do Brasil e do Mundo, em equivalente a CO2, utilizando GWP e GTP.<\/p><p>A participa\u00e7\u00e3o do metano muda consideravelmente quando se passa de uma equival\u00eancia a outra; no valor global, h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de 17% para o valor mundial e, de 40%, para o caso do Brasil. Notar tamb\u00e9m que a contribui\u00e7\u00e3o do metano para as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa na equival\u00eancia GTP \u00e9 de apenas 3% o que a torna pouco relevante no quadro global.<\/p><p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig5a_metano.png\" alt=\"\" width=\"730\" height=\"362\" data-wp-pid=\"2541\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig5a_metano.png\" alt=\"\" width=\"730\" height=\"362\" data-wp-pid=\"2541\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 5: As emiss\u00f5es mundiais s\u00e3o menos alteradas quando se passa da equival\u00eancia do GWP para o GTP caindo 17%, j\u00e1 as do Brasil caem 40%; nos dois casos, cai muito a import\u00e2ncia relativa das emiss\u00f5es de meta.no<\/em><\/p><p>Como a equival\u00eancia adotada internacionalmente \u00e9 a GWP, isto se reflete na concentra\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o brasileiro em reduzir as emiss\u00f5es para a \u00e1rea de pecu\u00e1ria, maior respons\u00e1vel pela emiss\u00e3o de metano. Muitas das medidas propostas pelo Brasil no Quadro das \u201cContribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas\u201d \u2013 CND seriam alcan\u00e7adas com o aumento de produtividade e teriam talvez uma justificativa econ\u00f4mica, mesmo sem considerar as emiss\u00f5es. Entretanto, mesmo esse tipo de mitiga\u00e7\u00e3o, exige investimentos que elevariam o custo do produto e cujo retorno ainda n\u00e3o foi comprovado. Tamb\u00e9m o esfor\u00e7o na \u00e1rea do desmatamento, n\u00e3o foi inclu\u00eddo nesse levantamento, baseado no Banco de Dados do Banco Mundial. O metano \u00e9 o g\u00e1s, que maior contribui\u00e7\u00e3o tem nas emiss\u00f5es brasileiras (exceto uso da terra) o que \u00e9 absolutamente at\u00edpico nos grandes pa\u00edses.<\/p><p>Com tantas incertezas sobre a real efetividade das medidas propostas, quarenta por cento dos nossos problemas de emiss\u00e3o, n\u00e3o provenientes do uso da terra, podem ser \u201c<em>fake<\/em>\u201d. Assim, parece mais sensato dedicar os esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o para \u00e1reas mais promissoras e de menor incerteza.<\/p><p>Como tudo tem seu lado econ\u00f4mico, que vai al\u00e9m do efeito estufa, o car\u00e1ter extensivo de nossa pecu\u00e1ria diminui sua produtividade f\u00edsica (menos gado por unidade de \u00e1rea de pasto). A pr\u00e1tica da cria\u00e7\u00e3o extensiva se deve a abund\u00e2ncia de terras, consequentemente de seu baixo pre\u00e7o no Brasil, especialmente em regi\u00f5es de fronteira agr\u00edcola. Essa modalidade de explora\u00e7\u00e3o de gado de corte exige maior tempo de engorda e, por consequ\u00eancia, gera maior quantidade de metano por kg de carne. Na cria\u00e7\u00e3o intensiva de gado que predomina nos pa\u00edses desenvolvidos, o tempo de abate \u00e9 menor e a emiss\u00e3o direta \u00e9 menor por kg de carne produzida.<\/p><p>Se essa cria\u00e7\u00e3o extensiva consegue predominar sobre a intensiva em boa parte do territ\u00f3rio nacional, deve existir uma racionalidade econ\u00f4mica que a torne competitiva, e que deve ser tamb\u00e9m uma das causas da competitividade brasileira no mercado internacional.<\/p><p>Outro ponto que deve ser considerado, \u00e9 que esse tipo de cria\u00e7\u00e3o \u00e9, usualmente, a primeira ocupa\u00e7\u00e3o permanente em \u00e1reas desmatadas. Isto faz com que a cria\u00e7\u00e3o de gado seja muitas vezes vista como fator indutor do desmatamento. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 contestada pelo Setor Agropecu\u00e1rio que v\u00ea essa primeira ocupa\u00e7\u00e3o como consequ\u00eancia desse desmatamento mais do que ser sua real indutora. De qualquer forma, o Brasil, como exportador de carne, est\u00e1 abrindo um flanco a nossos produtos que podem passar a ser discriminados por serem menos ecol\u00f3gicos que a carne criada com m\u00e9todos modernos.<\/p><p>Muito provavelmente, se o metano emitido for convertido em CO2 pela equival\u00eancia GTP, a cria\u00e7\u00e3o extensiva pode at\u00e9 significar um conte\u00fado resultante de carbono menor que da cria\u00e7\u00e3o intensiva. Com efeito, na cria\u00e7\u00e3o intensiva o gado \u00e9 alimentado com uso de insumos (fertilizantes, combust\u00edveis, equipamentos) com teor impl\u00edcito de CO2 maior que os usados na cria\u00e7\u00e3o extensiva conforme ocorre no Brasil que poderia ser considerada \u201corg\u00e2nica\u201d. Deve-se lembrar, que na contram\u00e3o do que seria melhor para diminuir as emiss\u00f5es do gado, h\u00e1 um movimento mundial para evitar o sofrimento das aves confinadas na produ\u00e7\u00e3o de ovos<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[4]<\/a>. Se aplicado ao gado de corte, essa preocupa\u00e7\u00e3o favoreceria a cria\u00e7\u00e3o extensiva.<\/p><p>As metas de contribui\u00e7\u00e3o do Brasil anunciadas em Paris, trar\u00e3o \u00f4nus extra para o Setor Agropecu\u00e1rio que \u00e9 respons\u00e1vel por atender por uma das partes mais cr\u00edticas da contribui\u00e7\u00e3o brasileira para o Acordo de Paris. Com efeito, recai sobre o Setor a responsabilidade de reduzir suas emiss\u00f5es, relativas de 2005, a praticamente \u00e0 metade em 2025\u00a0(Feu Alvim, et al., 2017). N\u00e3o faltam ainda vegetarianos e outras tend\u00eancias que encontram nas emiss\u00f5es de metano mais uma raz\u00e3o para suas causas. Isso vai atingir os interesses dos produtores e ajudar a discriminar a carne produzida por processos mais extensivos (e naturais). Estudos do conte\u00fado de carbono equivalente por produto devem ser feitos com os dois \u00edndices para apurar o risco de se estar aplicando medidas contraproducentes do ponto de vista do controle do aumento de temperatura.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074960\"><\/a>4.\u00a0\u00a0 A Posi\u00e7\u00e3o dos Cientistas frente ao Efeito Estufa<\/h2><p>A quest\u00e3o do efeito estufa colocou os cientistas em uma inc\u00f4moda situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. De repente, o cientista se v\u00ea na posi\u00e7\u00e3o de defensor de uma causa: convencer popula\u00e7\u00e3o e governos de que o efeito estufa existe e devem ser tomadas medidas a respeito.<\/p><p>\u00c9 normal que o cientista, que tamb\u00e9m \u00e9 um cidad\u00e3o do mundo, use suas convic\u00e7\u00f5es cient\u00edficas para orientar sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O que \u00e9 absolutamente inconveniente \u00e9 que essas convic\u00e7\u00f5es passem a orientar sua atua\u00e7\u00e3o no campo da ci\u00eancia onde a atitude cr\u00edtica \u00e9 metodologicamente indispens\u00e1vel. Os cientistas sabem que essa interfer\u00eancia tende a existir, mas se escudam na metodologia para identific\u00e1-la e evit\u00e1-la. Nessa quest\u00e3o espec\u00edfica das Mudan\u00e7as do Clima, eles enfrentam outra quest\u00e3o importante: a ONU lhes deu a miss\u00e3o de aconselhar a atua\u00e7\u00e3o da sociedade mundial e de seus pa\u00edses frente ao problema.<\/p><p>Quanto \u00e0 maneira de enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, existem duas op\u00e7\u00f5es fundamentais: tentar evit\u00e1-la (mitiga\u00e7\u00e3o) e\/ou adaptar-se a seus efeitos (adapta\u00e7\u00e3o). A adapta\u00e7\u00e3o, na \u00e1rea de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 talvez a op\u00e7\u00e3o de maior relev\u00e2ncia para um pa\u00eds em desenvolvimento como o Brasil. Fundamentalmente, considera-se que o aumento da temperatura \u00e9 inevit\u00e1vel e que dever\u00edamos usar nossos parcos recursos em adapta\u00e7\u00e3o. Pesa em favor dessa posi\u00e7\u00e3o o fato de nossa responsabilidade hist\u00f3rica sobre o aumento de gases de efeito estufa na atmosfera ser pequena.<\/p><p>H\u00e1 um consenso, ali\u00e1s, que os pa\u00edses mais pobres ser\u00e3o os que mais sofrer\u00e3o os efeitos do aumento da temperatura global. Isto nos levaria a concluir que devemos chegar a este futuro longe da pobreza que j\u00e1 \u00e9 catastr\u00f3fica no Pa\u00eds, especialmente nas regi\u00f5es que mais seriam atingidas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas (Norte e Nordeste).<\/p><p>Este fato refor\u00e7a a posi\u00e7\u00e3o aqui exposta que o Brasil deve rever suas metas \u00e0 luz da contabilidade das emiss\u00f5es com base no GTP. Medidas que s\u00e3o positivas na contabilidade GWP podem se revelar negativas, do ponto de vista do aquecimento global. Deve-se considerar a incerteza dos modelos relativos \u00e0 vida m\u00e9dia do metano e \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o de seu conte\u00fado na atmosfera para o qual parece n\u00e3o existir ainda um m\u00ednimo de consenso. Enquanto isso, seria interessante que as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o de metano se limitassem as que se revelem positivas na equival\u00eancia GTP.<\/p><p>Notas:<\/p><p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[1]<\/a> ppm, parte por milh\u00e3o e ppb, parte por bilh\u00e3o (em massa).<\/p><p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[2]<\/a> Matematicamente, isto significa que\u00a0 dN\/dt = N*k onde k seria uma constante e N* a concentra\u00e7\u00e3o inicial.<\/p><p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[3]<\/a> The IPCC SRES (Nakic\u00b4enovic\u00b4 et al., 2000) developed 40 future scenarios that are characterized by distinctly different levels of population, economic, and technological development. Six of these scenarios were identified as illustrative scenarios and these were used for the analyses presented in this chapter. The SRES scenarios define only the changes in anthropogenic emissions and not the concurrent changes in natural emissions due either to direct human activities such as land-use change or to the indirect impacts of climate change.<\/p><p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[4]<\/a> BRF deixar\u00e1 de usar ovos de galinhas confinadas em gaiolas at\u00e9 2025 https:\/\/www.worldanimalprotection.org.br\/not%C3%ADcia\/brf-deixara-de-usar-ovos-de-galinhas-confinadas-em-gaiolas-ate-2025<\/p><h1><a name=\"_Toc528074961\"><\/a>Bibliografia<\/h1><p><strong>Brasil MRE\/MCTIC. 2017.<\/strong> Segundo Relat\u00f3rio de Atualiza\u00e7\u00e3o Bienal do Brasil \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o-Quadro da ONU sobre Mudan\u00e7as do Clima. <em>SIRENE.MCTIC. <\/em>[Online] 2017. http:\/\/sirene.mcti.gov.br\/documents\/1686653\/2091005\/BUR2-PORT-02032017_final.pdf\/91e855c5-0e73-41e0-9df2-1fc0b723a51d.<\/p><p><strong>Chang-ke, Wang, Xin-Zheng, Luo and Hua, Zhang. 2013.<\/strong> Shares Differences of Greenhouse Gas Emissions Calculated with GTP and GWP for Major Countries. <em>Adv. Clim. Change Res. <\/em>2013, Vol. 4, 2.<\/p><p><strong>de Souza Filho, Paulo C. and Serra, Osvaldo A. 2014.<\/strong> TERRAS RARAS NO BRASIL: HIST\u00d3RICO, PRODU\u00c7\u00c3O E PERSPECTIVAS. <em>Quim. Nova. <\/em>N\u00b0 4, 2014, Vol. 37, pp. 753-760.<\/p><p><strong>EFCTC. 2016.<\/strong> Global Temperature change Potential compared to Global Warming Potential. <em>European Fluocarbons Technical Committee. <\/em>[Online] EFCTC, january 2016. https:\/\/www.fluorocarbons.org\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/EFCTC_Learn_about_GTP_versus_GWP.pdf.<\/p><p><strong>Feu Alvim, Carlos and Mafra, Olga. 2017.<\/strong> Economia e Energia. <em>As metas brasileiras para as emiss\u00f5es. <\/em>[Online] Ecen Consultoria, junho 2017. http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=515.<\/p><p><strong>Feu Alvim, Carlos, Ferreira, Omar Campos and Vargas, Jos\u00e9 Israel. 2006.<\/strong> Evolu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera. <em>Economia e Energia &#8211; E&amp;E. <\/em>[Online] E&amp;E, Maio 2006. http:\/\/ecen.com\/eee55\/eee55p\/metano_na_atmosfera.htm.<\/p><p><strong>IPCC. 2001.<\/strong> Climate Change 2001: The Scientific Basis. <em>IPCC. <\/em>[Online] IPCC Work Group 1, 2001. https:\/\/www.ipcc.ch\/ipccreports\/tar\/wg1\/pdf\/WGI_TAR_full_report.pdf.<\/p><p><strong>Vargas J. I e Gorgozinho, P. M. 2012.<\/strong> ecen.com.br. <em>eee 86. <\/em>[Online] ecen consultoria, julho a setembro 2012. [Cited: setembro 03, 2018.] http:\/\/ecen.com\/eee86\/eee86p\/desmatamento_amazonia.htm.<\/p><p><strong>Weele, Michiel van. 2006.<\/strong> Assessing methane emissions from global spaceborne observations. <em>KYMN. <\/em>[Online] https:\/\/www.knmi.nl\/kennis-en-datacentrum\/achtergrond\/assessing-methane, 2006. https:\/\/www.knmi.nl\/kennis-en-datacentrum\/achtergrond\/assessing-methane-emissions-from-global-spaceborne-observations.<\/p><p>ANEXO: Valores projetados pelo Terceiro Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do IPCC para concentra\u00e7\u00e3o dos principais gases de efeito estufa, meia vida do metano e concentra\u00e7\u00e3o de OH.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/FigA1_metano.png\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"599\" data-wp-pid=\"2543\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura A1<strong>:<\/strong> Proje\u00e7\u00e3o de concentra\u00e7\u00e3o dos principais gases de efeito estufa para os diversos cen\u00e1rios para o Terceiro Relat\u00f3rio (TAR) do IPCC\u00a0 <\/em><br \/><em>[Baseado nas Figuras 3.12 e 4.14 do original].\u00a0Os gr\u00e1ficos mostram que as incertezas sobre o metano s\u00e3o maiores que as sobre a de outros gases<\/em><\/p><p>Amplia\u00e7\u00e3o da Figura A1, sobreposta a valores reais m\u00e9dios observados<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/figA2_metanp.png\" alt=\"\" width=\"884\" height=\"539\" data-wp-pid=\"2544\" \/><br \/><em>Figura A.2: Uma superposi\u00e7\u00e3o do comportamento observado para o CO2 e as concentra\u00e7\u00f5es realmente verificadas mostra a confiabilidade das previs\u00f5es para o TAR, ao contr\u00e1rio do que ocorreu com as de CH4<\/em><\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/figA3_metano.png\" alt=\"\" width=\"724\" height=\"321\" data-wp-pid=\"2545\" \/><\/p><p><em>Figura A3: Proje\u00e7\u00f5es para o tempo de vida correspondente \u00e0s hip\u00f3teses para o metano (\u00e0 esquerda) e concentra\u00e7\u00f5es de OH correspondentes (\u00e0 direita) que apresentam comportamentos inversos ao longo do tempo.<\/em><\/p><p>_____________________________<\/p><p><em><img src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eee.jpg\" \/><br \/><b><strong>Economia e Energia \u2013 E&amp;E\u00a0 \u00a0<\/strong><\/b><b><strong>N\u00ba 100,\u00a0 julho a setembro de 2018<br \/><\/strong><\/b>ISSN 1518-2932<\/em><\/p><p><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Artigo:\u00a0<\/span><\/strong><\/p><h1><a name=\"_Toc528074962\"><\/a><strong>CONDI\u00c7\u00d5ES DE CONTORNO PARA<br \/>PARCERIAS NO SETOR NUCLEAR BRASILEIRO<\/strong><\/h1><p><em>Carlos Feu Alvim e Olga Mafra<br \/><\/em><em>feu@ecen.com e olga@ecen.com<\/em><\/p><h3><a name=\"_Toc523132354\"><\/a><strong><span style=\"color: #0000ff;\">Resumo:<\/span><\/strong><\/h3><p>A maior participa\u00e7\u00e3o do capital privado na \u00e1rea nuclear se inscreve dentro da tentativa geral de levantar os obst\u00e1culos para o desenvolvimento na \u00e1rea.<\/p><p>Como se trata de uma \u00e1rea reconhecidamente estrat\u00e9gica, por raz\u00f5es que s\u00e3o enumeradas no trabalho, tem-se que definir os limites do que \u00e9 estrat\u00e9gico e at\u00e9 onde vai a participa\u00e7\u00e3o do Estado<\/p><h3><a name=\"_Toc528074964\"><\/a><a name=\"_Toc523132355\"><\/a>Palavras Chave<\/h3><p>Angra 3, balan\u00e7o de pagamento, contas nacionais, monop\u00f3lio nuclear, parcerias,\u00a0 RMB, radiof\u00e1rmacos, setor nuclear, \u00e1rea estrat\u00e9gica.<\/p><p>_______________________________<\/p><p><em>\u00a0<\/em><\/p><p><em>\u00a0<\/em><a name=\"_Toc523132356\"><\/a><a name=\"_Toc528074965\"><\/a>1.\u00a0\u00a0 Introdu\u00e7\u00e3o<\/p><p>O tema Modelos de Parcerias no Setor Nuclear Brasileiro foi sugerido aos autores pelos organizadores do SIEN 2018<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[1]<\/sup><\/a> onde foi feita uma apresenta\u00e7\u00e3o a respeito. A proposta deste artigo foi abordar o assunto atrav\u00e9s das condi\u00e7\u00f5es de contorno existentes para essas parcerias no Brasil atual.<\/p><p>As parcerias surgem como uma maneira de renovar o ambiente institucional, no quadro atualmente existente no Brasil, onde existe o monop\u00f3lio estatal sobre a maior parte das atividades nucleares. Esse monop\u00f3lio pode ser, desde j\u00e1, considerado uma das condi\u00e7\u00f5es de contorno a ser discutida.<\/p><p>A considera\u00e7\u00e3o inicial que se faz \u00e9 que essa abertura a parcerias pode ser encarada positivamente como uma oportunidade de suavizar o monop\u00f3lio para mant\u00ea-lo em seus aspectos essenciais ou, negativamente, como uma forma de enfraquecer o monop\u00f3lio e at\u00e9 mesmo para eliminar o uso energ\u00e9tico nuclear no Pa\u00eds como j\u00e1 fizeram alguns pa\u00edses.<\/p><p>Parte-se aqui do princ\u00edpio de que o dom\u00ednio da tecnologia nuclear tem um car\u00e1ter estrat\u00e9gico e \u00e9 prop\u00f3sito nacional manter a atividade existente e preservar os desenvolvimentos j\u00e1 alcan\u00e7ados. Para que um pa\u00eds alcance sucesso, em qualquer atividade de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica de longo prazo, \u00e9 necess\u00e1rio uma Pol\u00edtica de Estado.<\/p><p>Na \u00e1rea nuclear, isto \u00e9 evidente porque os projetos nucleares de qualquer natureza for\u00e7osamente ultrapassam os per\u00edodos de um ou dois mandatos presidenciais. S\u00e3o exemplos a constru\u00e7\u00e3o de reatores para gera\u00e7\u00e3o de energia, constru\u00e7\u00e3o de submarinos nucleares, constru\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es de qualquer etapa do ciclo do combust\u00edvel nuclear e a constru\u00e7\u00e3o de reator de teste de materiais e produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos.<\/p><p>Uma Pol\u00edtica Nuclear precisa ter durabilidade e isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se ela for um reflexo da vontade nacional, portanto ela necessita de um consenso nacional o que significa uma aprova\u00e7\u00e3o ampla, embora n\u00e3o obrigatoriamente uma unanimidade. Um significativo progresso foi realizado, no final desse governo atrav\u00e9s do Comit\u00ea de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro &#8211; CDPNB\u00a0(Brasil, GSI\/PR, 2018) que aprovou uma Pol\u00edtica Nuclear Brasileira que esta \u00e0 espera de aprova\u00e7\u00e3o do Presidente da Rep\u00fablica.<\/p><p>No Brasil, a presen\u00e7a do Estado nas atividades nucleares \u00e9 indispens\u00e1vel pela pr\u00f3pria natureza dessas atividades. Tomando o caso mais evidente, seria imposs\u00edvel de se imaginar, por exemplo, transferir instala\u00e7\u00f5es de enriquecimento usando um processo de privatiza\u00e7\u00e3o por licita\u00e7\u00e3o, por mais que existam interessados.<\/p><p>N\u00e3o que isso n\u00e3o seja poss\u00edvel em outras sociedades; os EUA optaram por ter instala\u00e7\u00f5es de enriquecimento por ultra -centrifuga\u00e7\u00e3o, constru\u00eddas atrav\u00e9s de capitais externos, em seu territ\u00f3rio. L\u00e1 isto \u00e9 poss\u00edvel pelo amplo Dom\u00ednio do Estado sobre toda a atividade privada na \u00e1rea.<\/p><p>No Brasil Isto significaria transmitir para particulares uma tecnologia cujo derivativo pode estar associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de uma arma nuclear. No caso da venda para outros pa\u00edses isso significaria abrir m\u00e3o do esfor\u00e7o realizado para vencer dificuldades, dos mais variados tipos, para desenvolver o ciclo do combust\u00edvel nuclear. Vale lembrar que a transfer\u00eancia de tecnologia nessa \u00e1rea nos foi vetada e o esfor\u00e7o teve que ser realizado com tecnologia pr\u00f3pria.<\/p><p>Um progresso na \u00e1rea de desestatiza\u00e7\u00e3o ocorreu atrav\u00e9s da Emenda Constitucional n\u00ba 49, de 2006\u00a0(Brasil , 2016) que autorizou a iniciativa privada, sob o regime de permiss\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos de meia-vida igual ou inferior a duas horas para uso m\u00e9dico.<\/p><p>Est\u00e1 em discuss\u00e3o, entre outros assuntos, no \u00e2mbito da CDPNB a maior flexibiliza\u00e7\u00e3o da comercializa\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos de maior vida m\u00e9dia em pesquisa e usos m\u00e9dicos, agr\u00edcolas e industriais (Anexo 1).<\/p><p>Portanto, dependendo da \u00e1rea do setor nuclear em quest\u00e3o, pode haver ou n\u00e3o, interesse do Pa\u00eds em estabelecer parcerias internas ou externas com empresas ou institui\u00e7\u00f5es, publicas ou privadas, sempre que mantido o controle e supervis\u00e3o governamental.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074966\"><\/a>2.\u00a0\u00a0 O Car\u00e1ter Estrat\u00e9gico da Energia Nuclear<\/h2><p>A quest\u00e3o nuclear lida com macro-objetivos nacionais. Por essa raz\u00e3o, esse assunto \u00e9 considerado como estrat\u00e9gico no Brasil e em todos os grandes pa\u00edses do mundo sem exce\u00e7\u00e3o. Ou seja, a primeira \u201ccondi\u00e7\u00e3o de contorno\u201d da quest\u00e3o nuclear \u00e9 que este \u00e9 um assunto estreitamente ligado aos macro-objetivos nacionais.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074967\"><\/a>2.1 Macro-objetivos Nacionais Ligados ao Setor Nuclear<\/h3><p>Deve-se lembrar, primeiramente, que os objetivos que levaram ao Monop\u00f3lio Nuclear (no in\u00edcio da d\u00e9cada de 60 e que aos poucos foi sendo modificado) n\u00e3o s\u00e3o mais os mesmos da \u00e9poca do estabelecimento do monop\u00f3lio. (Artigo 177 da Constitui\u00e7\u00e3o de 88 e Art. 21 Compet\u00eancia).<\/p><p>Na \u00e9poca, o Brasil ainda n\u00e3o renunciara \u00e0 posse de explosivos nucleares b\u00e9licos o que s\u00f3 veio a fazer por dispositivo constitucional de 1988. Tamb\u00e9m somente em 1992, com o Acordo Bilateral com a Argentina, os pa\u00edses renunciaram de uma forma abrangente aos explosivos nucleares, mesmo pac\u00edficos, aceitando, em seguida, atrav\u00e9s do Acordo Quadripartito, as inspe\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica em conjunto com a ABACC.<\/p><p>Por outro lado, a defesa do pa\u00eds frente a uma amea\u00e7a de agress\u00e3o nuclear segue sendo premissa de todas as na\u00e7\u00f5es, mas ela s\u00f3 se efetiva formalmente quando claramente configurada a amea\u00e7a. Defesa nuclear pr\u00f3pria ou atrav\u00e9s de aliados s\u00e3o os recursos genericamente utilizados nas regi\u00f5es onde a amea\u00e7a \u00e9 bem definida. H\u00e1 um consenso muito amplo de que nossa regi\u00e3o (Am\u00e9rica Latina e Caribe) n\u00e3o esteve nem est\u00e1 diretamente amea\u00e7ada por armas nucleares. A estrat\u00e9gia regional para manter afastada a amea\u00e7a nuclear, \u00e9 n\u00e3o desenvolver nem admitir a presen\u00e7a de armas nucleares na Zona Livre de Armas Nucleares, estabelecida pelo Tratado de Talatelolco.<\/p><p>Explicitando, Nuclear \u00e9 estrat\u00e9gico por duas raz\u00f5es principais: ser fonte de energia usada para fins de defesa e ser importante na autodetermina\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e tecnol\u00f3gica.<\/p><p>O Brasil optou por n\u00e3o desenvolver armas nucleares, mas considera necess\u00e1rio desenvolver a propuls\u00e3o nuclear e us\u00e1-la em embarca\u00e7\u00f5es militares, como o facultam todos os tratados at\u00e9 aqui firmados pelo Pa\u00eds. Acertadamente, nossa Pol\u00edtica de Defesa inclui como tecnologias estrat\u00e9gicas a nuclear, a espacial e a cibern\u00e9tica.<\/p><p>N\u00e3o se pode tamb\u00e9m esquecer que existem restri\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas em v\u00e1rias \u00e1reas, com motiva\u00e7\u00e3o alegadamente de prolifera\u00e7\u00e3o nuclear, que terminam por atingir muitas outras atividades econ\u00f4micas. Grupos como o NSG (sigla em ingl\u00eas para Grupo dos Supridores Nucleares) denominam essas tecnologias como \u201cduais\u201d e controlam o acesso a elas. A \u00fanica maneira efetiva de se livrar definitivamente dessas restri\u00e7\u00f5es \u00e9 ter essas tecnologias dispon\u00edveis no Pa\u00eds. Isso \u00e9 muitas vezes necess\u00e1rio at\u00e9 para n\u00e3o us\u00e1-la em uma atividade e adquirir os equipamentos do exterior. A autodetermina\u00e7\u00e3o exige, portanto, a posse de v\u00e1rias tecnologias nucleares ou de tecnologias a elas relacionadas.<\/p><p>As discuss\u00f5es sobre parcerias dependem do posicionamento da sociedade sobre esses itens, porque implicam em atrair capitais privados para os empreendimentos, o que pressup\u00f5e exist\u00eancia de seguran\u00e7a jur\u00eddica e institucional.<\/p><p>Pode-se assinalar as principais linhas de a\u00e7\u00e3o relacionada a tr\u00eas Macro-objetivos, assinalados nos par\u00eanteses:<\/p><p>1. Desenvolvimento Nuclear (Defesa Nacional)<\/p><ul><li>Acompanhar o desenvolvimento da tecnologia nuclear;<\/li><li>Desenvolver e construir um submarino com propuls\u00e3o nuclear;<\/li><li>Alcan\u00e7ar independ\u00eancia em todas as fases do ciclo nuclear na fabrica\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis;<\/li><li>Desenvolver o Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro, RMB para teste de materiais, produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos e para desenvolvimento cient\u00edfico;<\/li><li>Alcan\u00e7ar o dom\u00ednio de tecnologias que possam impedir outras aplica\u00e7\u00f5es pac\u00edficas.<\/li><\/ul><p>2. Gera\u00e7\u00e3o de eletricidade (Seguran\u00e7a Energ\u00e9tica e Ambiental)<\/p><ul><li>Desenvolver a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade e ser capaz de participar da ind\u00fastria nuclear;<\/li><li>Terminar Angra 3 e definir um programa de centrais el\u00e9tricas para atender parte da necessidade de energia firme no Pa\u00eds e para limitar a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa.<\/li><\/ul><p>3. Maior uso de radiois\u00f3topos, sobretudo na Medicina (Seguran\u00e7a na Sa\u00fade)<\/p><ul><li>Maior disponibilidade de radiois\u00f3topos, principalmente para usos medicinais;<\/li><li>Reator Multiprop\u00f3sito.<\/li><\/ul><p>No que se refere ao Macro-objetivo de Seguran\u00e7a Institucional e Jur\u00eddica existem tamb\u00e9m provid\u00eancias a serem tomadas na \u00e1rea nuclear, no entanto, as linhas de a\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e3o definidas e devem se subordinar \u00e0 Pol\u00edtica Nacional Nuclear que foi aprovada pelo CDPNB e aguarda ser oficializada. Elas n\u00e3o envolvem diretamente o tema parcerias, mas s\u00e3o importantes para criar o ambiente adequado para que se desenvolvam.<\/p><p>Dentro desse macro-objetivo, \u00e9 importante definir uma estrutura de comando do Setor Nuclear, ligada ao mais alto n\u00edvel do Governo. A ativa\u00e7\u00e3o do CDPNB com sua Secretaria Executiva localizada no Gabinete de Seguran\u00e7a da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica &#8211; GSI-PR \u00e9 parte disto. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio equacionar a fun\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria, levando em conta as caracter\u00edsticas de cada um dos macro-objetivos. Isso j\u00e1 foi feito para o caso do submarino nuclear com cria\u00e7\u00e3o de ag\u00eancia espec\u00edfica para licenciamento do submarino nuclear\u00a0(Marinha do Brasil, 2018) a Ag\u00eancia Naval de Seguran\u00e7a Nuclear e Qualidade.<\/p><p>Igualmente, para a produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos, uma estrutura mais \u00e1gil e descentralizada \u00e9 necess\u00e1ria para a regula\u00e7\u00e3o. Finalmente, as fun\u00e7\u00f5es executiva e regulat\u00f3ria da CNEN devem ser feitas por entidades distintas. O licenciamento de grandes instala\u00e7\u00f5es precisa ter um processo unificado, de prefer\u00eancia de uma \u00fanica ag\u00eancia, certamente que com consulta \u00e0s demais. Atualmente, existem posi\u00e7\u00f5es divergentes das ag\u00eancias que chegam a impor exig\u00eancias contradit\u00f3rias. H\u00e1 pa\u00edses que progrediram na unifica\u00e7\u00e3o do processo decis\u00f3rio e isso \u00e9 crucial para grandes empreendimentos.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074968\"><\/a>2.2 \u00a0Nuclear sendo Estrat\u00e9gico: \u00c9 Necess\u00e1ria a Presen\u00e7a do Estado? \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/h3><p>Admitindo-se que o Setor Nuclear \u00e9 estrat\u00e9gico, ainda resta a quest\u00e3o se \u00e9 necess\u00e1rio um efetivo controle do Estado sobre suas atividades. Um forte indicador disto \u00e9 aquilo que \u00e9 feito, na maioria dos grandes pa\u00edses. Eles exercem o monop\u00f3lio sobre o Setor. Pode ser um monop\u00f3lio direto, como o da Fran\u00e7a, Coreia do Sul, R\u00fassia, China e Argentina ou um forte dom\u00ednio do Estado sobre o Setor como exercem os EUA atrav\u00e9s do Departamento de Energia e dos Laborat\u00f3rios Nacionais e o Jap\u00e3o pela simbiose existente Governo\/Ind\u00fastria. Isto para ficar nos atores importantes na ind\u00fastria nuclear mundial e em nossa vizinha Argentina, muito ativa na ind\u00fastria de reatores de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Deve-se notar que mesmo em pa\u00edses que renunciaram ao uso energ\u00e9tico nuclear na \u00e1rea civil, como a It\u00e1lia, ou est\u00e3o renunciando, como a Alemanha, a decis\u00e3o foi de Estado. Assim como o foi a decis\u00e3o de, contraditoriamente, continuar compartilhando (com os EUA, via OTAN) armas nucleares de destrui\u00e7\u00e3o em massa, estacionadas em seu territ\u00f3rio.<\/p><p>No Brasil, a decis\u00e3o pelo uso somente pac\u00edfico da energia nuclear \u00e9 uma decis\u00e3o constitucional, portanto estrat\u00e9gica, assim como o \u00e9 a de estatizar grande parte da atividade nuclear. Trata-se, portanto, de decis\u00f5es tomadas no maior n\u00edvel hier\u00e1rquico do Pa\u00eds cuja ess\u00eancia deve, em princ\u00edpio, ser mantida.<\/p><p>O que a Constitui\u00e7\u00e3o estabelece para o monop\u00f3lio \u00e9 resumido abaixo referido ao Artigo 177 da Constitui\u00e7\u00e3o de 88 sobre o Monop\u00f3lio da Uni\u00e3o e Art. 21 da Compet\u00eancia:<\/p><p>Art. 177 \u00a7 V \u201cExplorar os servi\u00e7os e instala\u00e7\u00f5es nucleares de qualquer natureza e exercer monop\u00f3lio estatal sobre: pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrializa\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio de min\u00e9rios e minerais nucleares e seus derivados\u201d, com exce\u00e7\u00e3o dos radiois\u00f3topos cuja produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ser autorizadas, sob-regime de permiss\u00e3o, conforme as al\u00edneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21 desta Constitui\u00e7\u00e3o Federal.\u201d (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional \u2116 49, de 2006). Sob Permiss\u00e3o s\u00e3o autorizadas: Comercializa\u00e7\u00e3o e a utiliza\u00e7\u00e3o de pesquisas e usos m\u00e9dicos, agr\u00edcolas e industriais de radiois\u00f3topos (de modo geral), bem como, produzir is\u00f3topos meia vida igual ou superior a 2 horas.\u00a0<\/p><p>Ao se pensar em parcerias, pensa-se, logicamente em participa\u00e7\u00e3o da iniciativa privada nas atividades ainda sujeitas ao monop\u00f3lio. Como ponto de partida, \u00e9 bom lembrar que o monop\u00f3lio n\u00e3o exclui automaticamente essa participa\u00e7\u00e3o. Existem v\u00e1rios exemplos hist\u00f3ricos de participa\u00e7\u00e3o de empresas, inclusive estrangeiras, em plena vig\u00eancia do monop\u00f3lio, anteriores, no entanto, \u00e0 atual formula\u00e7\u00e3o constitucional. \u00c9 preciso levar em conta que permanecem v\u00e1lidas as raz\u00f5es maiores que determinaram a atual reda\u00e7\u00e3o constitucional: o uso da energia nuclear \u00e9 para fins pac\u00edficos e objeto de decis\u00f5es de Estado. As modifica\u00e7\u00f5es, se necess\u00e1rias, devem preservar esses princ\u00edpios inscritos na Lei Magna.<\/p><p>A seguir, procura-se especificar dentro dos tr\u00eas macro objetivos identificados, porque s\u00e3o necess\u00e1rias parcerias, dando destaque \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, preocupa\u00e7\u00e3o maior do assunto parcerias no momento atual.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074969\"><\/a>2.3 Estatizar \u00e9 sempre Bom para a Autonomia Tecn\u00f3gica?<\/h3><p>Na contram\u00e3o dos que consideram que somente entidades estatais podem atuar em \u00e1reas estrat\u00e9gicas, h\u00e1 o exemplo da atua\u00e7\u00e3o da Orquima S. A. da \u00e9poca de Krumholz na \u00e1rea de terras raras (de Souza Filho, et al., 2014). Nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, por meio da iniciativa privada (ORQUIMA S.A.), sob lideran\u00e7a de Pawel Krumholz, o pa\u00eds dominou o processo de extra\u00e7\u00e3o, separa\u00e7\u00e3o e obten\u00e7\u00e3o de \u00f3xidos de terras raras de elevada pureza (chegando a 99,99%).<\/p><p>A empresa processava cerca de duas mil toneladas de monazita por ano, chegando, por exemplo, a fornecer Eu2O3 para a fabrica\u00e7\u00e3o de barras met\u00e1licas destinadas ao controle, por absor\u00e7\u00e3o de n\u00eautrons, do reator do primeiro submarino nuclear do mundo, o Nautilus. Em 1962, juntamente com Krumholz, o Brasil chegou a produzir cerca de 10 g de Lu2O3 de alta pureza<br \/>(&gt; 99,9%); era a maior quantidade desse composto j\u00e1 produzida no mundo.<\/p><p>Neste caso, a estatiza\u00e7\u00e3o da Orquima, atrav\u00e9s da Nuclemon (subsidi\u00e1ria da Nuclebras) n\u00e3o resultou em progresso na \u00e1rea e o Brasil passou a mero exportador de mat\u00e9ria prima deixando de produzir e exportar terras raras. \u00c9 verdade tamb\u00e9m que decorreu da atividade da Orquima, um reconhecido passivo ambiental, consubstanciado na chamada &#8220;<a href=\"http:\/\/quimicanova.sbq.org.br\/detalhe_artigo.asp?id=89\">torta II<\/a>&#8221; um &#8220;rejeito&#8221; rico em t\u00f3rio, mas tamb\u00e9m contendo seus descendentes radioativos que ficou nas m\u00e3os da INB.<\/p><p>Como conclus\u00e3o, as parcerias do capital privado na energia nuclear podem ser \u00fateis na ajuda do financiamento daquelas \u00e1reas que j\u00e1 s\u00e3o economicamente vi\u00e1veis como aconteceu com as aplica\u00e7\u00f5es de radiof\u00e1rmacos de vida curta na medicina nuclear.<\/p><p>Sobre a participa\u00e7\u00e3o do capital externo, no entanto, sempre se deve ter em conta em que medida a poss\u00edvel desnacionaliza\u00e7\u00e3o estaria na contram\u00e3o do reconhecido car\u00e1ter estrat\u00e9gico da atividade e se isso n\u00e3o fragiliza a pr\u00f3pria seguran\u00e7a energ\u00e9tica. Feita esta an\u00e1lise, n\u00e3o h\u00e1 porque se rejeitar essa participa\u00e7\u00e3o, se submetida \u00e0s raz\u00f5es de Estado.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074970\"><\/a>3.\u00a0\u00a0 As Parcerias Poss\u00edveis<\/h2><h3><a name=\"_Toc528074971\"><\/a>3.1 Parcerias no Objetivo um:<br \/>Desenvolvimento Nuclear e Submarino<\/h3><p>No Objetivo Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico e Submarino busca-se parceria com quem est\u00e1 disposto a colaborar com a fabrica\u00e7\u00e3o de submarinos, mantida a independ\u00eancia nas atividades tecnol\u00f3gicas relacionadas ao ciclo do combust\u00edvel nuclear. Conforme j\u00e1 foi citado, a transfer\u00eancias de tecnologia externa \u00e9, de modo geral, bem-vinda, mas existem limita\u00e7\u00f5es s que temos que superar com nossos pr\u00f3prios recursos.<\/p><p>No que concerne \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da parte convencional de submarinos foi criada a Itagua\u00ed Constru\u00e7\u00f5es Navais, parceria da estatal francesa <em>Naval Group<\/em> com a Odebrecht (<em>goldenshare<\/em> Marinha atrav\u00e9s de Emgepron) na constru\u00e7\u00e3o de submarinos e que prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de quatro submarinos convencionais e um submarino nuclear sendo a parte nuclear de desenvolvimento pr\u00f3prio. Essa associa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma prova cabal de que \u00e9 poss\u00edvel uma parceria, inclusive com praticamente o total das a\u00e7\u00f5es privadas e com forte participa\u00e7\u00e3o externa\u00a0(Poder Naval, 2009).<\/p><p>A parceria interna entre o setor civil e militar deveria ser refor\u00e7ada no Pa\u00eds e \u00e9 uma oportunidade importante de desenvolvimento do ciclo do combust\u00edvel e no aproveitamento de seus <em>spin-offs<\/em>. A Parceria entre a Marinha e a CNEN foi muito prof\u00edcua no passado, com destaque na participa\u00e7\u00e3o do Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares &#8211; IPEN. Seria desej\u00e1vel que essa parceria interna do setor civil e militar fosse mantida de uma maneira institucional. O IPEN-SP disp\u00f5e j\u00e1 atualmente de toda a tecnologia para fabrica\u00e7\u00e3o de elementos combust\u00edveis tanto do reator IEAR1 como da cr\u00edtica MB01, e do Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro, mas quem disp\u00f5e da etapa de enriquecimento a 19,99% e est\u00e1 desenvolvendo a etapa de convers\u00e3o em escala semi- industrial \u00e9 o Laborat\u00f3rio de Aramar que pertence \u00e0 Marinha.<\/p><p>No projeto do Reator Multiprop\u00f3sito a cargo do IPEN\/CNEN, que ser\u00e1 localizado no munic\u00edpio de Iper\u00f3 no Estado de S\u00e3o Paulo, existem as parcerias com a INVAP, empresa Argentina, e com a Amaz\u00f4nia Azul Tecnologias de Defesa S. A. \u2013 AMAZUL. Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos, o RMB tamb\u00e9m tem como fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas a realiza\u00e7\u00e3o de testes de irradia\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis nucleares e materiais estruturais utilizados em reatores de pot\u00eancia, bem como a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas cient\u00edficas com feixes de n\u00eautrons. Para este fim ser\u00e3o necess\u00e1rias parcerias com universidades e centros de pesquisa que ora j\u00e1 se iniciam.<\/p><p>A amplia\u00e7\u00e3o da Usina de Enriquecimento Isot\u00f3pico de Ur\u00e2nio na INB, para produ\u00e7\u00e3o de material que ser\u00e1 utilizado nos reatores de potencia continua sendo feita em coopera\u00e7\u00e3o com a Marinha do Brasil e esse desenvolvimento se d\u00e1 com tecnologia aut\u00f4noma.<\/p><p>Por sua vez, as parcerias com empresas privadas para o fornecimento de componentes dos elementos combust\u00edveis devem ser facilitadas e desburocratizadas.<\/p><p>Existe a possibilidade de uma poss\u00edvel abertura no caso particular da minera\u00e7\u00e3o. Na \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a forma\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias e isto j\u00e1 ocorreu no passado dentro do monop\u00f3lio. A Nuclam era uma companhia mista formada na \u00e9poca com 51% da Nuclebras e 49% da Urangeselschaft, com compra de min\u00e9rio associado e compra de servi\u00e7o de minera\u00e7\u00e3o.<\/p><p>A flexibiliza\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio pode ser ben\u00e9fica na \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o e beneficiamento de ur\u00e2nio, mantendo-se a comercializa\u00e7\u00e3o no monop\u00f3lio. Um ponto muito importante a ser considerado \u00e9 que um estoque estrat\u00e9gico para atender usinas nucleares nacionais (atuais e futuras), os reatores de pesquisa e o submarino deveria estar sob ativa supervis\u00e3o estatal.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074972\"><\/a>3.2 \u00a0Parcerias no Objetivo dois:<br \/>Constru\u00e7\u00e3o e Opera\u00e7\u00e3o de Usinas Nucleares (Gera\u00e7\u00e3o de Eletricidade)<\/h3><p>Vale lembrar que dentro do monop\u00f3lio, n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de terceiros, em uma ampla faixa de atividades, como ilustram os exemplos:<\/p><ul><li>Angra 1 praticamente \u201cchave na m\u00e3o\u201d, teve a supervis\u00e3o da NUCON (empresa do grupo Nuclebras), sendo a propriet\u00e1ria Furnas;<\/li><li>Existe a participa\u00e7\u00e3o tradicional de empresas privadas (nacionais e estrangeiras) na constru\u00e7\u00e3o, montagem e fabrica\u00e7\u00e3o de alguns componentes das usinas nucleares;<\/li><li>Durante a \u00e9poca da vig\u00eancia do Programa Nuclear com a Alemanha, empresas mistas, muitas vezes com predom\u00ednio t\u00e9cnico dos alem\u00e3es, participavam nas diversas etapas do ciclo nuclear.<\/li><\/ul><p>Outros tipos de participa\u00e7\u00e3o s\u00e3o ainda poss\u00edveis dentro do atual monop\u00f3lio:<\/p><ul><li>Parceria na opera\u00e7\u00e3o da NUCLEP, \u00e1rea n\u00e3o sujeita ao monop\u00f3lio;<\/li><li>Fornecimento de grandes equipamentos e servi\u00e7os;<\/li><li>Participa\u00e7\u00e3o financeira externa na Eletronuclear, sempre com car\u00e1ter acion\u00e1rio minorit\u00e1rio.<\/li><\/ul><p>Ou seja, a participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria na Eletronuclear, chave no processo de parcerias, n\u00e3o \u00e9 impedida pela Constitui\u00e7\u00e3o. No estabelecimento das condi\u00e7\u00f5es de funcionamento dessa parceria podem surgir obst\u00e1culos legais que podem vir a necessitar de ajustes legislativos e, eventualmente, modifica\u00e7\u00f5es constitucionais pontuais que preservem os princ\u00edpios nela consagrados.<\/p><p>Do ponto de vista do cumprimento dos objetivos, \u00e9 essencial que se observem tr\u00eas pontos essenciais:<\/p><ul><li>Transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica deve ser determinante na escolha do parceiro;<\/li><li>Devem ser consideradas as limita\u00e7\u00f5es de endividamento externo, essas considera\u00e7\u00f5es s\u00e3o ainda mais importantes em \u00e1reas onde possa ser rompido o monop\u00f3lio.<\/li><\/ul><p>Sobre a quest\u00e3o do endividamento, ou de maneira mais abrangente, do passivo externo considera-se necess\u00e1rio destacar alguns pontos que ser\u00e3o abordados no item quatro. S\u00e3o quest\u00f5es fundamentais tamb\u00e9m na abordagem das privatiza\u00e7\u00f5es a defini\u00e7\u00e3o e o significado de empresas \u201cn\u00e3o residentes\u201d e \u201cresidentes\u201d.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074973\"><\/a>3.3 Parcerias no Objetivo tr\u00eas:<br \/>Uso de Radiois\u00f3topos<\/h3><p>Desde a d\u00e9cada de 60, a CNEN, por meio dos seus Institutos de Pesquisa, evoluiu dos trabalhos pioneiros feitos no IPEN, para uma verdadeira ind\u00fastria, fornecendo rotineiramente 38 produtos a muitos hospitais, cl\u00ednicas e ind\u00fastrias. Esses radiois\u00f3topos s\u00e3o tanto produzidos em reatores nucleares de pesquisa quanto em c\u00edclotrons, e essenciais ao abastecimento das atividades de aplica\u00e7\u00f5es de radiois\u00f3topos no pa\u00eds.<\/p><p>Com a flexibiliza\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio (Emenda Constitucional &#8211; EC, \u2116 49\/2006), que alterou dispositivos da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, esse panorama foi modificado e \u00e9 crescente a presen\u00e7a de empresas privadas na \u00e1rea de aplica\u00e7\u00f5es de radiois\u00f3topos na medicina e diagn\u00f3sticos, o que mostra o acerto da medida. O setor privado teve permiss\u00e3o de investir nessa atividade (fabrica\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e uso), podendo produzir radiof\u00e1rmacos com meia-vida de at\u00e9 duas horas, como \u00e9 o caso da fluordesoxiglicose (18F-FDG), radiof\u00e1rmaco amplamente utilizado em diagn\u00f3sticos.<\/p><p>Ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o dessa Emenda, o n\u00famero de c\u00edclotrons produtores do 18F-FDG e, consequentemente, a quantidade de cl\u00ednicas de medicina nuclear que os utilizam cresceram muito.<\/p><p>Na \u00e1rea de meias vidas mais longas, a comercializa\u00e7\u00e3o e uso se d\u00e3o mediante permiss\u00e3o. Deve-se considerar que a maior parte do uso de radiois\u00f3topos nessa \u00e1rea se d\u00e1 com Molibd\u00eanio importado, gerando Tecn\u00e9cio. O gerador de Tecn\u00e9cio \u00e9 feito no Brasil unicamente no IPEN, por constituir monop\u00f3lio da uni\u00e3o uma vez que seu precursor (Molibd\u00eanio-99) \u00e9 subproduto da fiss\u00e3o de \u201cmin\u00e9rio nuclear\u201d.<\/p><p>A separa\u00e7\u00e3o \u00e9 simples por passagem de um solvente, n\u00e3o deveria ser considerada \u201cfabrica\u00e7\u00e3o\u201d e poderia ser feita por empresas particulares. A limita\u00e7\u00e3o a uma maior participa\u00e7\u00e3o da iniciativa privada est\u00e1 vinculada \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do termo fabrica\u00e7\u00e3o que est\u00e1 inclu\u00eddo no monop\u00f3lio. O grupo de trabalho GT-3 criado pelo GSI\/PR esteve tratando do assunto j\u00e1 emitiu uma primeira proposta de a\u00e7\u00f5es.<\/p><p>Deve-se assinalar que a produ\u00e7\u00e3o de Mo-99 a partir da fiss\u00e3o, envolve irradia\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio, separa\u00e7\u00e3o de produtos de fiss\u00e3o, portanto \u00e9 tecnologia sens\u00edvel, pr\u00f3xima do reprocessamento, e faz parte do monop\u00f3lio. O RMB que dever\u00e1 produzir is\u00f3topos o far\u00e1 por essa tecnologia.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074974\"><\/a>4.\u00a0\u00a0 As novas regras das Contas Nacionais e do Balan\u00e7o de Pagamentos<\/h2><p>Sem muito alarde, regras do FMI para o Balan\u00e7o de Pagamentos e mudan\u00e7as no Sistema de Contas Nacionais, capitaneadas pelo Banco Mundial (<a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=641\">E&amp;E \u2116 96<\/a>) alteraram profundamente as Contabilidades Externa e Nacional do Brasil, tendo como resultado:<\/p><p>Investimentos e reinvestimentos de empresas n\u00e3o residentes no Brasil em suas filiais passaram a fazer parte da D\u00edvida Externa do Pa\u00eds. Recentemente os investimentos diretos em fundos de renda fixa de n\u00e3o residentes, tamb\u00e9m passaram a integrar a d\u00edvida externa.<\/p><p>A produ\u00e7\u00e3o de empresas sobre controle de n\u00e3o residentes passou a ser considerada integrada ao PIB dos pa\u00edses dos acionistas residentes; isso se aplica especificamente \u00e0 eletricidade, ou seja, a eletricidade produzida no Pa\u00eds por empresa n\u00e3o residente entrar\u00e1 no rol das importa\u00e7\u00f5es se consumida no Brasil, ainda que produzida com a energia h\u00eddrica (ou nuclear) brasileira.<\/p><p>De acordo com as regras do Balan\u00e7o de Pagamentos, qualquer investimento externo realizado no pa\u00eds entra para o passivo externo brasileiro, registrado na Posi\u00e7\u00e3o Internacional de Investimentos, n\u00e3o importando, se ostenta a classifica\u00e7\u00e3o de investimento de risco ou aplica\u00e7\u00e3o de capital.<\/p><p>Para quem acha que isto n\u00e3o \u00e9 importante, \u00e9 \u00fatil lembrar que foi apenas uma op\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil, o registro desse passivo como d\u00edvida externa. Isso aconteceu recentemente (2014) quando 120 bilh\u00f5es de \u201cinvestimentos diretos\u201d em renda fixa foram integrados \u00e0 d\u00edvida externa brasileira.<\/p><p>A classifica\u00e7\u00e3o de empresas, nas Contas Nacionais e Externas (normas FMI), passou a ser de Residente e N\u00e3o Residente.<\/p><p>Empresa Residente \u00e9 a empresa que t\u00eam efetivo controle de indiv\u00edduos residentes no Pa\u00eds. Est\u00e1 classifica\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi inteiramente implantado e sua vig\u00eancia depender\u00e1 de mudan\u00e7as na contabilidade das empresas. Normas internacionais, implantadas no Brasil de forma praticamente autom\u00e1tica pelo <a href=\"http:\/\/www.cpc.org.br\/CPC\">Comit\u00ea de Pronunciamentos Cont\u00e1beis \u2013 CPC<\/a>, com predomin\u00e2ncia das associa\u00e7\u00f5es empresariais, se encarrega dessas mudan\u00e7as. No caso do Setor El\u00e9trico, a ANEEL, na pr\u00e1tica, simplesmente homologa o \u201cPronunciamento\u201d do CPC.<\/p><p>Como j\u00e1 assinalado, investimentos e reinvestimentos externos em empresas residentes, com participa\u00e7\u00e3o de capital de n\u00e3o residentes, s\u00e3o incorporados \u00e0 divida externa.<\/p><p>Desta forma, a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade por empresas de capital externo no Brasil ou ter\u00e1 seu <strong>investimento e reinvestimentos registrados na d\u00edvida externa<\/strong> (empresas consideradas residentes) <strong>ou ser\u00e1 classificada como produ\u00e7\u00e3o externa<\/strong> (empresa n\u00e3o residente) e considerada importada se consumida no Brasil.<\/p><p>Esse \u00e9 um fato n\u00e3o discutido atualmente no a\u00e7odado processo de privatiza\u00e7\u00e3o. Por isso, faz uma enorme diferen\u00e7a quando privatiza\u00e7\u00e3o significa uma desnacionaliza\u00e7\u00e3o, entre a venda para n\u00e3o residentes ou uma venda para residentes no Pa\u00eds.<\/p><p>A venda para n\u00e3o residentes implica em aumento imediato da d\u00edvida externa ou na desnacionaliza\u00e7\u00e3o definitiva (mudan\u00e7a de nacionalidade) do seu produto. Se isso se faz a pre\u00e7os aviltados pela crise, a consequ\u00eancia pode ser a perda definitiva das reservas naturais, sujeitando-se o Pa\u00eds a importar seus pr\u00f3prios recursos.<\/p><p>Notar ainda que <strong>a determina\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria do capital n\u00e3o se d\u00e1 mais por nacionalidade, mas, por resid\u00eancia<\/strong><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[2]<\/strong><\/a>. Portanto, n\u00e3o basta assegurar que os setores privatizados continuem em m\u00e3os de nacionais, mas assegurar que continuem em m\u00e3os de residentes no Pa\u00eds.<\/p><p>Para os que acreditaram que a d\u00edvida externa desapareceu, porque estaria anulada por nossas reservas internacionais, \u00e9 bom lembrar que existem para elas dois valores:<\/p><ul><li>O que aparece nas Notas \u00e0 Imprensa do Banco Central (comparado \u00e0s reservas) \u00e9 a d\u00edvida externa \u201csem as opera\u00e7\u00f5es intercompanhia e t\u00edtulos de Renda Fixa negociados no mercado dom\u00e9stico\u201d cujo total, em dezembro de 2017 era de <strong>321 bilh\u00f5es de d\u00f3lares<\/strong>;<\/li><li>O que incorpora os valores considerados pelo FMI que consta nas planilhas anexas do pr\u00f3prio Boletim que \u00e9 mais do dobro da tradicional. Esta \u00e9 a que ser\u00e1 divulgada pelo Banco Mundial e considerada nas an\u00e1lises de risco que \u00e9 de <strong>684 bilh\u00f5es de d\u00f3lares<\/strong>.<\/li><\/ul><p>A Tabela 4.1 mostra os valores da d\u00edvida externa no seu conceito tradicional e considerando os adicionais recomendados pelo FMI, indicados por um asterisco. S\u00e3o indicados ainda os percentuais do PIB envolvidos e do total das exporta\u00e7\u00f5es bem como a d\u00edvida l\u00edquida nas duas hip\u00f3teses.<\/p><p>Tabela 4.1: Componentes do Passivo e da D\u00edvida Externos<\/p><table width=\"100%\"><tbody><tr><td width=\"196\">\u00a0Externos<\/td><td width=\"85\">US$ bilh\u00f5es<\/td><td width=\"76\">% PIB<\/td><td width=\"75\">% Export.<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">D\u00edvida Externa Bruta<br \/>(conceito tradicional)<\/td><td width=\"85\">321<\/td><td width=\"76\">18%<\/td><td width=\"75\">\u00a0<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">Opera\u00e7\u00f5es Intercompanhia (*)<\/td><td width=\"85\">236<\/td><td width=\"76\">13%<\/td><td width=\"75\">112%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">T\u00edtulos de Renda Fixa detidos<br \/>por n\u00e3o residentes (*)<\/td><td width=\"85\">127<\/td><td width=\"76\">7%<\/td><td width=\"75\">60%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\"><strong>D\u00edvida Externa Bruta<br \/>(normas FMI)<\/strong><\/td><td width=\"85\"><strong>684<\/strong><\/td><td width=\"76\"><strong>38%<\/strong><\/td><td width=\"75\"><strong>326%<\/strong><\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">Reserva\u00a0<\/td><td width=\"85\">386<\/td><td width=\"76\">21%<\/td><td width=\"75\">184%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">D\u00edvida Externa L\u00edquida \u201cTradicional\u201d<\/td><td width=\"85\">-65<\/td><td width=\"76\">-4%<\/td><td width=\"75\">-31%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">D\u00edvida Externa L\u00edquida<\/td><td width=\"85\">298<\/td><td width=\"76\">17%<\/td><td width=\"75\">142%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\"><strong>Passivo Bruto da PII<\/strong><\/td><td width=\"85\"><strong>1580<\/strong><\/td><td width=\"76\"><strong>88%<\/strong><\/td><td width=\"75\"><strong>752%<\/strong><\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">Ativo da PII<\/td><td width=\"85\">858<\/td><td width=\"76\">48%<\/td><td width=\"75\">408%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">PII L\u00edquido<\/td><td width=\"85\">722<\/td><td width=\"76\">40%<\/td><td width=\"75\">344%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">PIB estimado<\/td><td width=\"85\">1800<\/td><td width=\"76\">100%<\/td><td width=\"75\">857%<\/td><\/tr><tr><td width=\"196\">Exporta\u00e7\u00f5es<\/td><td width=\"85\">210<\/td><td width=\"76\">12%<\/td><td width=\"75\">100%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><p>(*) Acr\u00e9scimos \u00e0 D\u00edvida resultantes de modifica\u00e7\u00f5es introduzidas nas Contas Nacionais<\/p><p>A Figura 4.1 mostra estes valores para 2017 e real\u00e7a o tamanho da D\u00edvida Externa com a inclus\u00e3o dos novos componentes e compara o resultado com o montante das reservas internacionais.<\/p><p>A d\u00edvida externa l\u00edquida, n\u00e3o considerando os aditivos do FMI \u00e9 negativa (321 \u2013 386 = -65 US$ bi). Na contabilidade do FMI, a d\u00edvida externa l\u00edquida brasileira \u00e9 de cerca de 300 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, equivalente a 17% do PIB e 142% das exporta\u00e7\u00f5es de do ano de 2017. Chama a aten\u00e7\u00e3o o valor do Passivo Bruto apurado na PII que j\u00e1 atinge a 88% do PIB e cerca de 750% do valor das exporta\u00e7\u00f5es. J\u00e1 ficou demonstrado, que n\u00e3o existe barreira s\u00f3lida entre o Passivo e a D\u00edvida e n\u00e3o ser\u00e1 nenhuma surpresa que novas transfer\u00eancias se verifiquem.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig1_parceria.png\" alt=\"\" width=\"716\" height=\"440\" data-wp-pid=\"2546\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 4.1: Compara\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa e reservas ao final de 2017<\/em><br \/><em>(*) Parcelas acrescidas por recomenda\u00e7\u00e3o do FMI.<\/em><\/p><p>A Figura 4.2 mostra o processo de forma\u00e7\u00e3o do Passivo Externo Bruto, apurado pela Posi\u00e7\u00e3o Internacional de Investimentos, para o final de 2017. S\u00e3o resultados da contabilidade externa do Brasil, orientada pela Sexta Edi\u00e7\u00e3o do Manual do Balan\u00e7o de Pagamentos e Posi\u00e7\u00e3o Internacional de Investimentos do FMI, conhecido pela sigla em ingl\u00eas BPM6\u00a0(International Monetary Fund, 2009).<\/p><p>Aplica\u00e7\u00f5es em a\u00e7\u00f5es e outras de renda vari\u00e1vel, outros investimentos financeiros e em bens reais s\u00e3o lan\u00e7ados no passivo externo da PII. Os rendimentos auferidos realimentam o passivo quando n\u00e3o s\u00e3o remetidos ao exterior. No caso das aplica\u00e7\u00f5es de renda fixa, elas foram inicialmente lan\u00e7adas como investimento de risco e transferidas recentemente (2014) do \u201coutros passivo\u201d para a d\u00edvida externa. Os investimentos intercompanhia (matriz x filial) entram na d\u00edvida externa; os reinvestimentos tamb\u00e9m s\u00e3o nela lan\u00e7ados. Finalmente, os empr\u00e9stimos, realimentados pelos juros, formam a d\u00edvida externa tradicional.<\/p><p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/fig2_parceria.png\" alt=\"\" width=\"715\" height=\"435\" data-wp-pid=\"2547\" \/><\/p><p style=\"text-align: center;\"><em>Figura 4.2: Forma\u00e7\u00e3o do Passivo Externo na apura\u00e7\u00e3o da Posi\u00e7\u00e3o Internacional de Investimento, usando a metodologia do Manual do FMI.<\/em><\/p><p>O Brasil e muitos outros pa\u00edses ditos \u201cem desenvolvimento\u201d passaram pelo trauma causado pela d\u00edvida externa dos anos oitenta, resultante de cr\u00e9ditos baratos (petrod\u00f3lares) dos anos setenta. A partir deste e outros traumas sucessivos passou-se a considerar os empr\u00e9stimos externos como causadores da d\u00edvida externa e das crises.<\/p><p>Este trauma tem certa raz\u00e3o j\u00e1 que a d\u00edvida externa \u00e9 considerada uma responsabilidade dos pa\u00edses que devem garanti-la frente aos bancos internacionais e demais fontes de financiamento. Tamb\u00e9m os credores passaram por traumas e isto motivou o FMI e o Banco Mundial a adotar o Consenso de Washington nos anos oitenta e, nos anos noventa, foram modificados, com a lideran\u00e7a dessas duas entidades, as Contas Nacionais, o Balan\u00e7o de Pagamentos e criada a contabilidade de estoques de capital que \u00e9 a Posi\u00e7\u00e3o Internacional de Investimentos. V\u00e1rios mecanismos de defesa dos credores tradicionais (de empr\u00e9stimos) e dos novos credores de investimentos externos foram instalados atrav\u00e9s das modifica\u00e7\u00f5es na contabilidade que fazem parte, portanto, do P\u00f3s-Consenso de Washington (E&amp;E 96).<\/p><p>Foi por esta raz\u00e3o, que o Brasil providenciou uma reserva internacional que funciona como garantia da d\u00edvida. Por isso, \u00e9 altamente conveniente para o governo comparar nossa d\u00edvida externa com os empr\u00e9stimos de curto prazo ou com a d\u00edvida no conceito tradicional. Ao final do ano de 2017, t\u00ednhamos, neste conceito, uma d\u00edvida externa l\u00edquida negativa. Em 2010, o governo havia declarado \u00e1 popula\u00e7\u00e3o o \u201cfim da d\u00edvida externa\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[3]<\/a>. O que n\u00e3o foi esclarecido \u00e9 qual o conceito da d\u00edvida externa estava em discuss\u00e3o.<\/p><p>Foi vendida aos pa\u00edses em desenvolvimento, dentro do p\u00f3s-Conse\u00e7nso de Washington a ideia que eles deviam se abrir aos investimentos externos, considerados como fator de progresso o que n\u00e3o afetariam a d\u00edvida externa. Essa \u00e1 ainda a linguagem usada nos pa\u00edses perif\u00e9ricos para uso interno quando se quer justificar a abertura a investimentos externos. Por essa raz\u00e3o, segue sendo conveniente a ambiguidade em rela\u00e7\u00e3o ao montante da d\u00edvida externa.<\/p><p>O que a contabilidade externa do FMI, adotada pelo Brasil, mostra agora \u00e9 uma vis\u00e3o que tem um vi\u00e9s do que \u00e9 conveniente para os pa\u00edses credores, mas ao mesmo tempo, \u00e9 realista quando assinala a press\u00e3o exercida pelo Passivo Externo sobre as economias receptadoras do capital. Essa press\u00e3o cria uma depend\u00eancia que amea\u00e7a essas economias, mas ainda n\u00e3o foi incorporada nas discuss\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p><p>A d\u00edvida externa tradicional \u00e9 apenas a ponta do <em>iceberg<\/em> e as duas dimens\u00f5es da d\u00edvida externa j\u00e1 foram temas da presente campanha eleitoral, com contesta\u00e7\u00f5es sobre se ela havia desaparecido ou n\u00e3o em 2010.<\/p><p>O Passivo Externo Bruto no final de 2017 j\u00e1 era 88% do PIB e 752% de nossas exporta\u00e7\u00f5es anuais. Cada vez que vendemos nossas empresas ou jazidas para os n\u00e3o residentes, o passivo externo aumenta e, na melhor das hip\u00f3teses, tamb\u00e9m aumenta a d\u00edvida externa. Na pior, a jazida e o PIB futuro a ela associado deixam de ser nossos.<\/p><p>O FMI est\u00e1 nos prevenindo disto.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074975\"><\/a>5.\u00a0\u00a0 A Possibilidade de Autofinanciamento de Angra 3<\/h2><p>A tarifa de 2018 para Angra 1 e 2 \u00e9 240,8 R$\/MW com uma gera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 1572 MW que corresponde a 3,31 R$ bi por ano. Se aplicada a tarifa que se espera conseguir para Angra 3 (suposta 400 R$\/MWh) para Angra 1 e 2 e se isto constitu\u00edsse um fundo espec\u00edfico ter-se-ia um adicional de cerca de 2,2 bilh\u00f5es de reais por ano que seriam praticamente suficientes para terminar Angra 3 em 6 anos.<\/p><p>Pode-se ainda pensar em uma tarifa comum para a energia nuclear que poderia ser um pouco menor que essa e com isso haveria condi\u00e7\u00f5es para financiar parte de Angra 3 e facilidades para cr\u00e9ditos adicionais.<\/p><p>Como isso pode ser criado como fundo, nele n\u00e3o incidiriam praticamente taxas e o Pa\u00eds estaria\u00a0 livre de juros sobre a nova parte.<\/p><p>Isso significaria um aumento de 67% sobre 2,5% da produ\u00e7\u00e3o de eletricidade ou 1,67% sobre o custo total de produ\u00e7\u00e3o e menos de 1% sobre a tarifa do consumidor (s\u00f3 seria afetado o custo sem impostos).<\/p><p>\u00c9 claro que seria necess\u00e1rio aprofundar as avalia\u00e7\u00f5es e encontrar o caminho legal para chegar a esta decis\u00e3o e trabalhar junto \u00e0 sociedade para a aceita\u00e7\u00e3o da energia nuclear como estrat\u00e9gica e levar em conta suas contribui\u00e7\u00f5es (energia limpa) para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e a estabilidade do Sistema.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074976\"><\/a>6.\u00a0\u00a0 Conclus\u00e3o<\/h2><p>Como conclus\u00e3o, as parcerias do capital privado na energia nuclear podem ser \u00fateis na ajuda do financiamento daquelas \u00e1reas que j\u00e1 s\u00e3o economicamente vi\u00e1veis como aconteceu com as aplica\u00e7\u00f5es de radiof\u00e1rmacos de vida curta na medicina nuclear.<\/p><p>Ao se fazer parceria de uma \u00e1rea espec\u00edfica com a participa\u00e7\u00e3o de capital externo, deve-se ter em conta se isso n\u00e3o est\u00e1 na contram\u00e3o de seu reconhecido car\u00e1ter estrat\u00e9gico e se n\u00e3o fragiliza a pr\u00f3pria seguran\u00e7a energ\u00e9tica ou o dom\u00ednio do ciclo do combust\u00edvel nuclear. Tamb\u00e9m devem ser levadas em conta as limita\u00e7\u00f5es provocadas pelo endividamento externo.<\/p><p>No caso da participa\u00e7\u00e3o externa, a meta principal seria obter a tecnologia e capacitar a ind\u00fastria nacional em troca da participa\u00e7\u00e3o do parceiro no mercado interno. Para estar em melhores condi\u00e7\u00f5es de barganha \u00e9 preciso contar com o capital interno, ainda que parcialmente.<\/p><p>_______________________<\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p><strong>Anexo 1: Comit\u00ea de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro \u2013 CDPNB<\/strong><\/p><p>O Comit\u00ea de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro (CDPNB) foi criado pelo Decreto de 2 de julho de 2008 e alterado pelo Decreto de 22 de junho de 2017. O CDPNB \u00e9 coordenado pelo GSI\/PR e tem como miss\u00e3o assessorar diretamente o Chefe do Poder Executivo, por meio de um colegiado de alto n\u00edvel, no estabelecimento de diretrizes e metas para o desenvolvimento e acompanhamento do Programa Nuclear Brasileiro, a fim de contribuir para o desenvolvimento nacional e para a promo\u00e7\u00e3o do bem estar da Sociedade Brasileira.<\/p><p>Na primeira reuni\u00e3o plen\u00e1ria do CDPNB nesta nova fase, dia 18 de outubro de 2017, al\u00e9m do Regimento Interno foi aprovada a cria\u00e7\u00e3o de quatro grupos t\u00e9cnicos, para tratar de temas relevantes para o setor nuclear brasileiro:<\/p><ul><li>GT-1: elaborar a proposta de Pol\u00edtica Nuclear Brasileira \u2013 Coordenado pelo GSI;<\/li><li>GT-2: analisar a conveni\u00eancia da flexibiliza\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio da Uni\u00e3o na pesquisa e na lavra de min\u00e9rios nucleares \u2013 Coordenado pelo MME;<\/li><li>GT-3: analisar a conveni\u00eancia de ampliar a flexibiliza\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio da Uni\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de radiof\u00e1rmacos \u2013 Coordenado pelo MCTIC e Minist\u00e9rio da Sa\u00fade;<\/li><li>GT-4: propor termo de coopera\u00e7\u00e3o entre as partes envolvidas no desenvolvimento e opera\u00e7\u00e3o do Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro (RMB) \u2013 Coordenado pelo MCTIC.<\/li><\/ul><p>Outros Grupos T\u00e9cnicos est\u00e3o organizados ou em organiza\u00e7\u00e3o para atender outras \u00e1reas espec\u00edficas, mas n\u00e3o tiveram ainda sua constitui\u00e7\u00e3o divulgada oficialmente.<\/p><p>__________________<\/p><p><strong>Notas:<\/strong><\/p><p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[1]<\/a> Semin\u00e1rio Internacional de Energia Nuclear, realizado no Rio de Janeiro entre 25 e 26 de julho de 2018 no Espa\u00e7o Furnas.<\/p><p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[2]<\/a> Se os irm\u00e3os Batista da Free Boi houvessem decidido por fixar resid\u00eancia nos EUA, como aparentemente tentaram, boa parte da carne brasileira poderia passar a ser americana.<\/p><p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[3]<\/a> Em Julho de 2007 o site das Organiza\u00e7\u00f5es Globo anunciava (sempre procurando assinalar o vi\u00e9s negativo ) \u201cD\u00edvida externa brasileira sobe para US$ 225 bilh\u00f5es em junho,\u00a0 para colocar na segunda manchete: Em maio, o BC estimava a d\u00edvida em US$ 218,329 bilh\u00f5es.\u00a0 Reservas internacionais cresceram e atingiram US$ 253 bilh\u00f5es. http:\/\/g1.globo.com\/economia-e-negocios\/noticia\/2010\/07\/divida-externa-brasileira-sobe-para-us-225-bilhoes-em-junho.html<\/p><h1><a name=\"_Toc528074977\"><\/a>Bibliografia<\/h1><p><strong>Brasil . 2016.<\/strong> Emenda Constitucional n\u00ba 49 de 08\/02\/2016. <em>Presid\u00eancia da Rep\u00fablica &#8211; Casa Civil. <\/em>[Online] 08 de fev de 2016. http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/emendas\/emc\/emc49.htm.<\/p><p><strong>Brasil, GSI\/PR. 2018.<\/strong> Resolu\u00e7\u00e3o GSI\/PR n\u00ba 2, de 11.01.2018. <em>MCTIC. <\/em>[Online] 11 de janeiro de 2018. http:\/\/www.mctic.gov.br\/mctic\/opencms\/legislacao\/outros_atos\/resolucoes\/Resolucao_GSI_PR_n_2_de_11012018.html.<\/p><p><strong>de Souza Filho, Paulo C. e Serra, Osvaldo A. 2014.<\/strong> TERRAS RARAS NO BRASIL: HIST\u00d3RICO, PRODU\u00c7\u00c3O E PERSPECTIVAS. <em>Quim. Nova. <\/em>2014, Vol. 37, N\u00ba 4, pp. 753-760.<\/p><p><strong>International Monetary Fund. 2009.<\/strong> <em>Balance of payments and international investment position manua- 6th ed. <\/em>Washingon D.C.\u00a0: IMF Multimedia Services Division, 2009. ISBN 978-1-58906-812-4.<\/p><p><strong>Marinha do Brasil. 2018.<\/strong> Marinha do Brasil cria a Ag\u00eancia Naval de Seguran\u00e7a Nuclear e Qualidade. <em>Portal Orbis Defense. <\/em>[Online] 09 de fev de 2018. https:\/\/www.marinha.mil.br\/sinopse\/marinha-do-brasil-cria-agencia-naval-de-seguranca-nuclear-e-qualidade.<\/p><p><strong>Poder Naval. 2009.<\/strong> Itagua\u00ed Constru\u00e7\u00f5es Navais. Odebrecht fica com 59% do capital. <em>Poder Naval. <\/em>[Online] 10 de set de 2009. https:\/\/www.naval.com.br\/blog\/2009\/09\/10\/itaguai-construcoes-navais-odebrecht-fica-com-59-do-capital\/.<\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p>_______________________________<\/p><p><img src=\"http:\/\/eee.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/eee.jpg\" \/><br \/><b><strong>Economia e Energia \u2013 E&amp;E\u00a0 \u00a0<\/strong><\/b><b><strong>N\u00ba 100,\u00a0 julho a setembro de 2018<br \/><\/strong><\/b>ISSN 1518-2932<\/p><h1><a name=\"_Toc528074978\"><\/a><strong>PARA ONDE VAI O D\u00d3LAR<\/strong><\/h1><h3><a name=\"_Toc528074979\"><\/a>Resumo:<\/h3><p>O c\u00e2mbio do d\u00f3lar varia muito frente aos humores da pol\u00edtica, dos juros externos e internos e da pr\u00f3pria pol\u00edtica econ\u00f4mica. Nossa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 eclipsada pelo diferencial de infla\u00e7\u00e3o do Brasil e EUA. Corrigidas as duas infla\u00e7\u00f5es, pode-se ver que o d\u00f3lar oscila entre valores m\u00e9dios de longo prazo.<\/p><p>A E&amp;E publica regularmente os valores hist\u00f3ricos dispon\u00edveis mensais e anuais que tem se mostrado \u00fateis na proje\u00e7\u00e3o do que vai acontecer no m\u00e9dio e longo prazo.<\/p><h3><a name=\"_Toc528074980\"><\/a>Palavras chave:<\/h3><p>D\u00f3lar, c\u00e2mbio, contas externas, pol\u00edtica econ\u00f4mica, dados econ\u00f4micos.<\/p><h2><a name=\"_Toc528074981\"><\/a>Conforme Antecip\u00e1vamos, ou<br \/>\u00a0a Tend\u00eancia para o D\u00f3lar de Equil\u00edbrio.<\/h2><p>Os dados hist\u00f3ricos conduzem aos do presente. H\u00e1 muito, o Painel da E&amp;E mostrava que o Real estava supervalorizado ou, o que \u00e9 o mesmo que dizer que a <strong>cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar estava baixa<\/strong>. Aproveita-se a oportunidade de mostrar que a an\u00e1lise estava correta e para ensaiar proje\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio prazo, reproduzimos abaixo nosso painel sobre o c\u00e2mbio.<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/app.powerbi.com\/view?r=eyJrIjoiM2YwZmMzMTctMWMwNC00YzJiLTk4MTYtODFiOWU3YmM2NjExIiwidCI6IjNhYzZmYzRmLTRmNTItNDRmYy05MzVjLTZkNjcyNmU0MjYwMyJ9\" width=\"800\" height=\"600\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p><p align=\"center\"><em>Painel: Nesse painel est\u00e3o representados os valores mensais e anuais m\u00e9dios. Ele pode ser expandido para ocupar toda a tela e os dados do gr\u00e1fico lidos em cada ponto. De 1 a 3 est\u00e3o os quadros, mensal, anual e metodol\u00f3gico.<\/em><\/p><p>O d\u00f3lar j\u00e1 ultrapassou a cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia hist\u00f3rica para o c\u00e2mbio flutuante que \u00e9 de 3,80 e n\u00e3o teria muito espa\u00e7o para subir. No \u00faltimo m\u00eas de setembro, a cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia foi de 4,12 e a m\u00e1xima chegou a 4,19 R$\/US%%EDITORCONTENT%%nbsp; que est\u00e3o 10% acima da m\u00e9dia hist\u00f3rica a partir de 1999. Ou seja, a tend\u00eancia de m\u00e9dio e longo prazo \u00e9 de queda.<\/p><p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de curto e m\u00e9dio prazo, o comportamento futuro vai depender da crise pol\u00edtica, que \u00e9 grande, vir a contaminar a do com\u00e9rcio externo que n\u00e3o \u00e9 dos piores: reservas altas, super\u00e1vit na balan\u00e7a comercial, mas <a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=900\">d\u00edvida externa<\/a>\u00a0crescente e d\u00edvida interna que pode alimentar a externa. Ademais, o passivo externo relativo ao PIB continua crescendo e j\u00e1 atinge 88% do PIB.<\/p><p>Em momentos de crise econ\u00f4mica \u00e9 natural que os aplicadores procurem um valor de refer\u00eancia mais est\u00e1vel. Por essa raz\u00e3o, mesmo nos casos de crise nos EUA, como a de 2008, os aplicadores fogem dos pa\u00edses que consideram de maior risco. Na Figura 1, algumas dessas crises est\u00e3o assinaladas bem como a atual que ainda se delineia.<\/p><p>Pode-se constatar que, nas crises assinaladas, houve um certo padr\u00e3o no comportamento dos picos de cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. O pico durou em m\u00e9dia 15 meses (largura na base) e o valor m\u00e1ximo foi cerca de 40% do valor no in\u00edcio da crise.<\/p><p>Profecias de curto prazo s\u00e3o extremamente arriscadas porque os desmentidos podem vir r\u00e1pido; n\u00e3o obstante, fica a tentativa (sem nenhum compromisso) de dar uma indica\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos meses. Pelo padr\u00e3o anterior, o m\u00e1ximo seria atingido em setembro ou outubro e o valor m\u00e1ximo da cota\u00e7\u00e3o ficaria perto de 4,60 R$\/US. O valor decairia em seguida provavelmente se estabilizando perto do valor hist\u00f3rico de cerca 3,80 nos primeiros meses de 2019. Isto, na perspectiva otimista de que seja apenas uma crise passageira que encerre o movimento de realinhamento j\u00e1 delineado desde o in\u00edcio de 2012 de reaproxima\u00e7\u00e3o dos valores do c\u00e2mbio de equil\u00edbrio (3,80 R$\/US$).\u00a0<\/p><figure id=\"attachment_2569\" aria-describedby=\"caption-attachment-2569\" style=\"width: 783px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/cambio_set18.png\" alt=\"Evolu\u00e7\u00e3o do C\u00e2mbio R$;US$, corrigidas as infla\u00e7\u00f5es\" width=\"783\" height=\"543\" data-wp-pid=\"2569\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2569\" class=\"wp-caption-text\"><em style=\"color: #333333; font-size: 1rem;\">Figura 1: Crises refletidas na cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar; observe-se tamb\u00e9m, a partir de 2012, uma tend\u00eancia coerente de aproxima\u00e7\u00e3o aos valores hist\u00f3ricos do c\u00e2mbio.<\/em><\/figcaption><\/figure><p>Para acompanhar o hist\u00f3rico veja <a href=\"http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=215\">C\u00e2mbio de Equil\u00edbrio<\/a><a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[1]<\/a>.\u00a0Os detalhes de c\u00e1lculo podem ser vistos em <a href=\"http:\/\/www.ecen.com\/eee36\/cambio_de_equilibrio.htm\">metodologia<\/a>, sob o mesmo t\u00edtulo<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[2]<\/a>.<\/p><p><strong>NOTAS<\/strong><\/p><p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><\/a><a style=\"font-size: 1rem;\" href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[1]<\/a> http:\/\/ecen.com.br\/?page_id=215<\/p><p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[2]<\/a> http:\/\/www.ecen.com\/eee36\/cambio_de_equilibrio.htm<\/p>\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-e2561ba elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"e2561ba\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-row\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-50ed8d2\" data-id=\"50ed8d2\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-column-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c921668 elementor-arrows-position-inside elementor-pagination-position-outside elementor-widget elementor-widget-image-carousel\" data-id=\"c921668\" data-element_type=\"widget\" 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src=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/natura-bmp-A5-722x1024.bmp\" alt=\"natura bmp A5\" \/><\/figure><\/div><div class=\"swiper-slide\"><figure class=\"swiper-slide-inner\"><img class=\"swiper-slide-image\" src=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ultra-bmp-A5-722x1024.bmp\" alt=\"ultra bmp A5\" \/><\/figure><\/div><div class=\"swiper-slide\"><figure class=\"swiper-slide-inner\"><img class=\"swiper-slide-image\" src=\"https:\/\/www.ecen.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/ecem-bmp-A5-1-722x1024.bmp\" alt=\"ecem bmp A5\" \/><\/figure><\/div>\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"swiper-pagination\"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-swiper-button elementor-swiper-button-prev\">\n\t\t\t\t\t\t<i aria-hidden=\"true\" class=\"eicon-chevron-left\"><\/i>\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-screen-only\">Anterior<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-swiper-button 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Em dezembro de 1996, lan\u00e7amos na internet nosso n\u00famero zero[1] da fase internet que foi transcrita na forma impressa posteriormente adotada. 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